sexta-feira, 30 de julho de 2010

abc.med.br - sexta-feira, 19 de setembro de 2008 - 14:00
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Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

Sinônimos:

Azia, Refluxo, Doença do Refluxo

 

O que é?

É uma condição crônica decorrente do retorno de conteúdo do estômago1 e duodeno para o esôfago2, acarretando sinais3 ou sintomas4 esofagianos variados que podem estar associados ou não a lesões nos tecidos.


Quais são as causas?

O refluxo ocorre quando o músculo localizado no fim do esôfago2, chamado de esfíncter inferior do esôfago2, não funciona adequadamente. Este músculo deveria estar fechado na maior parte do tempo, abrindo apenas para a entrada de alimentos no estômago1. Mas ele pode apresentar uma certa incapacidade e não se fechar completamente, o que permite o retorno do conteúdo do estômago1 para o esôfago2.

Outras situações podem contribuir para o refluxo, como a elevada produção de ácido gástrico, obesidade5, gravidez6, hérnia7 de hiato, síndrome de Zollinger-Ellison8, hipercalcemia e esclerose sistêmica.


O que sente o portador desta condição?

As principais manifestações clínicas são:

  • Pirose (azia): sensação de queimação no peito, atrás do esterno9, que pode chegar até a garganta. Este é o sintoma10 mais comum do refluxo, podendo piorar quando a pessoa come, agacha ou deita. Às vezes ela é confundida com infarto do miocárdio11 ou angina12
  • Sensação de plenitude gástrica: relatada pelos pacientes como inchaço no estômago1 ou má digestão13
  • Dor em queimação na “boca do estômago” (abdome superior), que normalmente acorda a pessoa no meio da noite
  • Eructação (arrotos)
  • Náuseas14
  • Excesso de salivação
  • Regurgitação15 ácida: refluxo de líquidos ou alimentos do estômago1 à boca
  • Disfagia16 (dificuldade para engolir): manifestada por engasgos
  • Sensação de asfixia noturna
  • Rouquidão, principalmente pela manhã
  • Dor de garganta
  • Pigarro ou necessidade de limpar a garganta repetidamente
  • Tosse crônica, pneumonias de repetição, asma17, sinusite18 crônica
  • Desgaste do esmalte dentário, halitose19 (mau-hálito)

A intensidade e a freqüência dos sintomas4 não são sinais3 de gravidade da esofagite20. Mas existe correlação entre o tempo de duração dos sintomas4 e o aumento do risco para o desenvolvimento do Esôfago2 de Barrett e do adenocarcinoma21 (câncer22) do esôfago2.

Alguns sintomas4 são considerados “manifestações de alarme” e devem ser investigados mais rapidamente. São eles: dificuldade para engolir, dor de garganta, anemia23, hemorragia24 digestiva, emagrecimento, história familiar de câncer22, náuseas14 e vômitos25, além de sintomas4 de grande intensidade e/ou de ocorrência noturna.


Como o médico faz o diagnóstico26?

O diagnóstico26 é realizado a partir de uma história clínica detalhada. Os pacientes que apresentam sintomas4 com freqüência mínima de duas vezes por semana, ao longo de 4 a 8 semanas, devem ser considerados possíveis portadores da DRGE.

Como as manifestações clínicas são variadas, podem ser necessários exames complementares como a endoscopia27 digestiva alta, exame radiológico contrastado do esôfago2, cintilografia, manometria, pHmetria de 24 horas ou teste terapêutico para auxiliar no diagnóstico26.

A endoscopia27 digestiva alta é particularmente importante nos pacientes com mais de 40 anos de idade, bem como nos que apresentam “manifestações de alarme”. Ela permite ver diretamente a mucosa28. Mas é importante saber que uma endoscopia27 normal não exclui o diagnóstico26 de DRGE, pois pode estar presente em 25-40% dos pacientes com DRGE.

Procure um especialista em gastroenterologia para avaliar os seus sintomas4 e a necessidade de realizar exames complementares para o diagnóstico26.

No Brasil, pelo baixo custo do exame endoscópico, ele faz parte da propedêutica inicial para pacientes29 com história clínica e sintomas4 de DRGE, mesmo em idade abaixo de 40 anos.


Quais as opções de tratamento disponíveis?

Existem dois tipos de tratamento: as medidas comportamentais (mudanças de hábitos) e as farmacológicas (uso de medicamentos). Elas devem ser implementadas simultaneamente em todas as fases da doença.

Pacientes conscientes da importância de modificar o seu estilo de vida ajudam muito no tratamento.

Fazem parte das medidas comportamentais:

  • Elevação da cabeceira da cama em 15 centímetros
  • Moderada ingestão de alimentos gordurosos, cítricos, café, bebidas alcoólicas, bebidas gasosas, menta, hortelã,
    produtos de tomate, condimentos e leite integral
  • Cuidados especiais para o uso de medicamentos que podem piorar o refluxo, como anticolinérgicos, teofilina, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores de canais de cálcio, agonistas ß adrenérgicos e alendronato
  • Evitar comer até duas horas antes do horário de dormir (deitar)
  • Evitar refeições copiosas. O melhor é fazer refeições fracionadas, mais vezes ao dia
  • Parar de fumar
  • Emagrecimento
  • Evitar o uso de roupas apertadas, pois elas aumentam a pressão no abdome, piorando o refluxo

A presença de esofagite20 à endoscopia27 indica o uso de medicamentos inibidores da bomba de prótons (IBP), por um tempo mínimo de 6 semanas, embora 4 semanas também possam ser utilizadas.

Aqueles que não apresentarem resposta satisfatória ao tratamento com IBP por 12 semanas, devem ter a dose dobrada por mais 12 semanas antes de serem considerados como insucesso terapêutico.

Por vezes, o tratamento cirúrgico pode ser recomendado pelo médico, dependendo das indicações.


Quais as opções para prevenir esta doença?

São as mesmas medidas comportamentais adotadas para o tratamento do refluxo.


Quais são as complicações da doença?

As complicações mais comuns são:

  • Esofagite20: inflamação30 do esôfago2
  • Estenose: redução do calibre do esôfago2, tornando difícil a deglutição31 de alimentos sólidos
  • Úlcera32: aparecimento de uma ferida aberta no esôfago2
  • Esôfago2 de Barrett: substituição do epitélio estratificado e escamoso do esôfago2 por epitélio colunar com células intestinalizadas ou mistas, em qualquer extensão do órgão. É uma alteração na qual o tecido33 rosado normal do esôfago2 é substituído por um tecido33 de cor “salmão” que mais se assemelha ao revestimento do estômago1 e afeta primariamente indivíduos do sexo masculino, de raça branca, com idade superior a 40 anos
  • Sangramento esofágico: costuma ser lento e insidioso, sendo muitas vezes responsável por quadros de anemia23 crônica. O tratamento clínico constitui a melhor opção de tratamento
  • Câncer22 de esôfago2: o Esôfago2 de Barrett pode evoluir para o câncer22 de esôfago2 em 2 a 5 por cento das pessoas com esta condição

Fontes:


I Consenso Brasileiro da Doença do Refluxo Gastroesofágico34
Refluxo Gastroesofágico34: Diagnóstico26 e Tratamento - Projeto Diretrizes
Arquivos Médicos do ABC

 

Comentários

07/03/2010 22:50 - Comentário feito por wanda lucia lopes da costa
Re: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
wanda lucia
A minha irmã faleceu recentimente com adenocarcinoma colón-retal, então estou sempre pesquisando
nos sites de medicina e saude sobre tudo que se refere as doenças do aparelho digestivo. Foram de grande utilidade as informações que aqui encontrei.

27/02/2010 08:04 - Comentário feito por Celia Regina Canosa
Re: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Bem legal esta página.Tenho DRGE e notei que apareceu depois que comecei a tomar Sinvastatina e Aspirina Prevent.
Voces tem histórico sobre isto?

31/01/2010 18:29 - Comentário feito por bruno
Re: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
fiz uma endoscopia e constatou que tenho esofagite...gostei da informação prestada, procurei o meu gastro e relatei depois da comida me dar ansia de vômito...
16/12/2009 23:05 - Comentário feito por Benedita Ferreira da Silva
Re: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Eu já faço uso de Omeprazol ha mais de 5 anos e pelo menos uma vez ao ano eu faço endoscopia, meu médico ja disse que o meu caso não é cirúrgico, por isso resolvi estudar as causas dessa doença (DRGE), gostei dos esclarecimentos me ajudaram muito vou me policiar mais; tenho também hernia de hiato, gostaria de maiores esclarecimentos.
15/12/2009 16:12 - Comentário feito por LUIZ RAMOS
Re: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
muito esclarecedor, sobre essa doença do refluxo gastricos fiquei muito satisfeito com respostas, vou passar a micuidar mais.
29/09/2009 13:36 - Comentário feito por Maria Luiza
Re: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Gostei muito das informações, sobre doenças do refluxo, mas eu gostaria de ler algumas informações sobre divertivulite ou seja (DII), pois estou em tratamento de DII.
Obrigada!

29/08/2009 10:16 - Comentário feito por Enivalter Pinto
Re: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Foi muito bom pesquisar nesta pagina, pois estou muito bem após tomar o omeprazol ,era isso mesmo que eu sentia, parabens pela informação. e que Deus lhe ajude. Obrigado!
13/08/2009 21:20 - Comentário feito por EMANOEL MIRANDA
Re: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
GOSTEI MUITO DAS INFORMAÇÕES SOBRE OS SINTOMAS, CAUSAS E TRATAMENTOS FOI MUITO EXCLARECEDOR, OS SINTOMAS DESCRITOS SÃO EXATAMENTE O QUE SINTO, PORÉM JA ESTOU FAZENDO TRATAMENTO.
OBRIGADO.

Glossário

1 Estômago: O estômago é o órgão situado logo abaixo do diafragma, mais precisamente entre o esôfago e o duodeno. Ele tem a função de armazenar por pequeno período os alimentos, para que possam ser misturados ao suco gástrico e digeridos.
2 Esôfago: O esôfago é um tubo músculo-membranoso, longo e delgado, que comunica a garganta ao estômago. Ele permite a passagem do alimento ou líquido ingerido até o interior do sistema digestivo, através de contrações musculares.
3 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
6 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
7 Hérnia: Saída da parte de um órgão ou sua totalidade através de uma área debilitada na superfície corporal ou internamente.
8 Síndrome de Zollinger-Ellison: Doença caracterizada pelo aumento de produção de gastrina devido à presença de gastrinoma. O gastrinoma (tumor produtor de gastrina) está localizado na maioria das vezes no pâncreas. A hipersecreção de gastrina produz úlceras pépticas, má digestão, esofagite, duodenojejunite e/ou diarréia. Em 20% dos casos está relacionada com neoplasia
endócrina múltipla tipo I (NEM I), que acompanha-se na maioria das vezes de hiperparatireiodismo (80%) e em alguns raros casos de insulinomas, glucagomas, VIPomas ou outros tumores.
10 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
12 Angina: Inflamação dos elementos linfáticos da garganta (amígdalas, úvula). Também é um termo utilizado para se referir à sensação opressiva que decorre da isquemia (falta de oxigênio) do músculo cardíaco (angina do peito).
13 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
14 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
15 Regurgitação: Presença de conteúdo gástrico na cavidade oral, na ausência do reflexo de vômito. É muito freqüente em lactentes.
16 Disfagia: Sensação consciente da passagem dos alimentos através do esôfago. Pode estar associado a doenças motoras, inflamatórias ou tumorais deste órgão.
17 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
18 Sinusite: Infecção aguda ou crônica dos seios paranasais. Podem complicar o curso normal de um resfriado comum, acompanhando-se de febre e dor retro-ocular.
19 Halitose: Halitose ou mau hálito é a exalação de odores desagradáveis oriundos da cavidade bucal ou estômago através da respiração, sendo que em 90% dos casos, a saburra lingual é a causa do problema.
20 Esofagite: Inflamação da mucosa esofágica. Pode ser produzida pelo refluxo do conteúdo ácido estomacal (esofagite de refluxo), por ingestão acidental ou intencional de uma substância tóxica (esofagite cáustica), etc.
21 Adenocarcinoma: É um câncer (neoplasia maligna) que se origina em tecido glandular. O termo adenocarcinoma é derivado de “adeno”, que significa “pertencente a uma glândula” e “carcinoma”, que descreve um câncer que se desenvolveu em células epiteliais.
22 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
23 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
24 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
25 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial.
Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
26 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
27 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
28 Mucosa: Nome dado ao conjunto de tecidos que formam a cobertura superficial das diferentes cavidades do corpo que se comunicam com o meio externo. P.ex. mucosa respiratória, mucosa da cavidade oral, etc.
29 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência.
Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes.
As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
30 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
31 Deglutição: Passagem dos alimentos desde a boca até o esôfago. É um mecanismo em parte voluntário e em parte automático (reflexo) que envolve a musculatura faríngea e o esfíncter esofágico superior.
32 Úlcera: Ferida superficial em tecido cutâneo ou mucoso que pode ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
33 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
34 Refluxo gastroesofágico: Presença de conteúdo ácido proveniente do estômago na luz esofágica. Como o dito órgão não está adaptado fisiologicamente para suportar a acidez do suco gástrico, pode ser produzida inflamação de sua mucosa (esofagite).
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