sexta-feira, 30 de julho de 2010

abc.med.br - quarta-feira, 03 de março de 2010 - 16:48
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Colelitíase ou Pedras na Vesícula Biliar. Entenda a doença.

O que é colelitíase1?

 

É a presença de pedras na interior da vesícula biliar2. A vesícula3 é um pequeno órgão em forma de saco, localizado próximo ao fígado4. Ela armazena a bile5, um líquido amarelo esverdeado espesso produzido pelo fígado4. Após a alimentação, a vesícula3 se contrai liberando bile5 ao intestino, esta entra em contato com o alimento, continuando a digestão6 iniciada pelo estômago7.

A função básica da bile5 é digerir as gorduras e ajudar na absorção de importantes nutrientes como as vitaminas A,D,E e K.

A colelitíase1 é frequente na população de 20 a 60 anos, principalmente em mulheres.

 

Como são formadas as pedras na vesícula3?

 

A bile5 é excretada pelo fígado4 e segue pelos ductos biliares para chegar ao intestino. Ela é composta por água, colesterol8, sais biliares, bilirrubinato e lecitina. Em equilíbrio, estas substâncias mantêm a bile5 em estado líquido. Quando o colesterol8, os sais biliares ou os bilirrubinatos são produzidos em excesso pelo fígado4, há precipitação formando pequenos grânulos. Estes grânulos iniciam a formação dos cálculos biliares.

A formação destes  cálculos está mais relacionada a fatores metabólicos, hereditários e orgânicos do que à ingestão alimentar, então a alimentação não interfere muito neste processo.

 

Todas as pedras são iguais?

 

Não, podem ser encontradas na vesícula3 pedras de colesterol8 ou de sais biliares; uma ou várias pedras; pedras pequenas, como grãos de areia ou grandes.

Cerca de 90% das pedras são formadas de colesterol8. O restante é composto de sais biliares (bilirrubinato). Os cálculos pigmentados, pretos ou marrons, são formados por bilirrubinato de cálcio principalmente.

 

O que causa a formação destes cálculos?

 

A causa da formação das pedras ainda não é bem conhecida . Algumas pessoas que têm problemas sanguíneos relacionados à destruição de hemácias9 têm maior chance de ter pedras na vesícula3, pois a vesícula3 usa os glóbulos vermelhos destruídos para a produção excessiva de bile5. Pode haver aumento da secreção de colesterol8 pelo fígado4 ou a vesícula3 ter alguma dificuldade de esvaziamento.

 

Quais são os fatores de risco?
  • Mulheres em idade fértil, principalmente por volta dos 40 anos.
  • Mulheres que tiveram múltiplas gestações.
  • Obesidade10.
  • Emagrecimento acentuado: aumenta a perda de colesterol8 na bile5.
  • Uso de contraceptivos orais.
  • Gravidez11.
  • Sedentarismo.
  • Idade avançada.
  • Úlceras12 duodenais: provocam certa estase da vesícula3 facilitando a formação de cálculos.
  • Pacientes submetidos a cirurgias gástricas para tratamento de câncer13, úlcera14 ou vagotomias, podem ter maior propensão a formar cálculos biliares.
  • Anemia hemolítica15 crônica.
  • Uso de dieta parenteral.

 

O que sente uma pessoa com cálculos na vesícula3?

Muitas pessoas com pedras na vesícula3 não apresentam sintomas16 e nem sequer sabem desta condição. Às vezes, descobrem estes cálculos quando estão investigando alguma outra patologia.

Para aqueles que apresentam sintomas16, geralmente observa-se:

  • Intolerância quando ingerem alimentos gordurosos como frituras, gema de ovo, empadas, carnes gordurosas, etc.
  • Mal estar e dor de cabeça podem estar presentes.
  • Nos quadros mais agudos, há uma dor abdominal intensa, constante, no lado direito do abdome abaixo da costela, próximo ao estômago7 ou nas costas. A dor é forte, súbita e localizada e o abdome fica endurecido. Dura de 30 minutos a 5 horas.
  • Náuseas17, vômitos18 acompanham com frequência a dor abdominal.

Quando além da dor do lado direito do abdome há febre19, calafrios e icterícia20 (amarelão) pode ser um caso de colecistite21 aguda, uma inflamação22 aguda da vesícula3. Nesses casos, a urina23 pode ficar escura (amarronzada) e as fezes claras.

 

Quais são as complicações da colelitíase1?

As principais complicações são:

  • Cólica biliar: ocorre quando uma das pedras fica presa na saída da vesícula3 impedindo o fluxo de bile5, levando a uma distensão importante e a um esforço para expelir a pedra. O resultado é uma dor tipo cólica.
  • Colecistite21 aguda: quando a pedra fica presa logo na saída da vesícula3 por um período prolongado ocorre a chamada colecistite21 aguda, uma inflamação22 aguda da vesícula biliar2 com dor intensa e constante,  geralmente acompanhada de febre19. 
  • Coledocolitíase: é o resultado da migração de uma pedra da vesícula biliar2 para o colédoco, que é o principal canal que leva a bile5 desde o fígado4 até o intestino, obstruindo-o. Nestes casos o paciente fica ictérico (pele e parte branca dos olhos ficam amareladas) pois a bile5 fica impedida de chegar ao intestino, acumulando-se no fígado4 e no sangue24.
  • Colangite: é a infecção25 dos canais biliares por bactérias após a obstrução, já que a bile5 parada favorece a proliferação de bactérias.
  • Pancreatite26: é a inflamação22 do pâncreas27. O canal que leva a bile5 da vesícula3 para o intestino passa dentro do pâncreas27 e se junta com o canal principal que drena o suco pancreático. Quando o cálculo28 obstrui esses ductos, o suco pancreático fica retido e acaba agredindo o próprio pâncreas27.

A colangite e a pancreatite26 são as complicações mais graves.

 

Comentários

08/03/2010 23:54 - Comentário feito por Mauricio/Tubarão/SC
Re: Colelitíase ou Pedras na Vesícula Biliar. Entenda a doença.
Muito boa a explicação dos especialidades da saúde...li e fiquei bem informado com a clareza das informações .... vcs estão de parabéns...continuem assim....... ..informando a todos...
05/03/2010 17:27 - Comentário feito por Daniela Montelo
Re: Colelitíase ou Pedras na Vesícula Biliar. Entenda a doença.
Excelente artigo! Cada vez mais fico extasiada com a riqueza e clareza das informações encontradas aqui no abc.med.br. Sou entusiasta da área de saúde e, provavelmente, estou pensando em cursar alguma faculdade nessa área! Parabéns aos idealizadores e colaboradores do abc.med.br!

Glossário

1 Colelitíase: Formação de cálculos no interior da vesícula biliar.
2 Vesícula biliar: A vesícula biliar é um órgão muscular responsável pelo armazenamento da bile e está presente na maioria dos vertebrados. No ser humano é um saco membranoso em formato de pêra, que situa-se abaixo do lóbulo direito do fígado, logo atrás das costelas inferiores.
3 Vesícula: Formação cutânea caracterizada por bolhas de diâmetro pequeno, de um a três milímetros. Podem ser produzidas por alergias de contato, reação alérgica a drogas ou algumas doenças sistêmicas (varicela, Herpes Zoster).
4 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
5 Bile: Líquido secretado pelo fígado e acumulado na vesícula biliar, com abundante quantidade de bilirrubina, colesterol e pigmentos biliares. Tem importante função na digestão de gorduras. É lançada na porção inicial do intestino delgado através de um conduto chamado hepato-colédoco.
6 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
7 Estômago: O estômago é o órgão situado logo abaixo do diafragma, mais precisamente entre o esôfago e o duodeno. Ele tem a função de armazenar por pequeno período os alimentos, para que possam ser misturados ao suco gástrico e digeridos.
8 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos.
Seus componentes são:
HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol.
LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol.
VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
9 Hemácias: Também chamadas de glóbulos vermelhos, eritrócitos ou células vermelhas. São produzidas no interior dos ossos a partir de células da medula óssea vermelha e estão presentes no sangue em número de cerca de 4,5 a 6,5 milhões por milímetro cúbico, em condições normais.
10 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
11 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
12 Úlceras: Feridas superficiais em tecido cutâneo ou mucoso que podem ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
13 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
14 Úlcera: Ferida superficial em tecido cutâneo ou mucoso que pode ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
15 Anemia hemolítica: Doença hereditária que faz com que os glóbulos vermelhos do sangue se desintegrem no interior dos veios sangüíneos (hemólise intravascular) ou em outro lugar do organismo (hemólise extravascular). Pode ter várias causas e ser congênita ou adquirida. O tratamento depende da causa.
16 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
17 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
18 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial.
Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
19 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
20 Icterícia: Coloração amarelada da pele e mucosas devido a uma acumulação de bilirrubina no organismo. Existem dois tipos de icterícia que têm etiologias e sintomas distintos: icterícia por acumulação de bilirrubina conjugada ou direta e icterícia por acumulação de bilirrubina não conjugada ou indireta.
21 Colecistite: Inflamação aguda da vesícula biliar. Os sintomas mais freqüentes são febre, dor na região abdominal superior direita (hipocôndrio direito), náuseas, vômitos, etc. Seu tratamento é cirúrgico.
22 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
23 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
24 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
25 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
26 Pancreatite: Inflamação do pâncreas. A pancreatite aguda pode ser produzida por cálculos biliares, alcoolismo, drogas, etc. Pode ser uma doença grave e fatal. Os primeiros sintomas consistem em dor abdominal, vômitos e distensão abdominal.
27 Pâncreas: É uma glândula do aparelho digestivo e endócrino, localizada na parte superior do abdome, atrás do estômago. Ele é tanto exócrino (secretando suco pancreático que contém enzimas digestivas), quanto endócrino (produzindo hormônios importantes como insulina, glucagon e somatostatina). É dividido em três partes: a cabeça (lado direito), o corpo (seção central) e a cauda (lado esquerdo).
28 Cálculo: Formação sólida, produto da precipitação de diferentes substâncias dissolvidas nos líquidos corporais, podendo variar em sua composição segundo diferentes condições biológicas. Podem ser produzidos no sistema biliar (cálculos biliares) e nos rins (cálculos renais) e serem formados de colesterol, ácido úrico, oxalato de cálcio, pigmentos biliares, etc.
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