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Hipotensão ortostática: conceito, causas, características, diagnóstico, tratamento e prevenção

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O que é hipotensão1 ortostática?

A hipotensão1 ortostática, também chamada hipotensão1 postural, é uma forma de pressão arterial2 baixa que acontece quando a pessoa se põe de pé a partir da posição sentada ou deitada. Em geral, a hipotensão1 ortostática dura de apenas alguns segundos a poucos minutos. Se for de mais longa duração, ela pode ser um sinal3 de problemas mais graves.

Quais são as causas da hipotensão1 ortostática?

A hipotensão1 ortostática pode ser devido a diversos fatores:

  1. Caso o organismo se encontre desidratado, como em casos de febre4, vômitos5, pouca ingestão de líquidos, diarreia6 grave e exercício extenuante com transpiração7 excessiva.
  2. Caso haja alguns problemas cardíacos que podem levar à diminuição da pressão arterial2, como baixa frequência cardíaca, problemas valvulares ou infarto do miocárdio8.
  3. Caso haja outros motivos de enfraquecimento cardíaco e insuficiência cardíaca9, podendo causar hipotensão1 ortostática ao evitar que o organismo responda de forma rápida para bombear mais sangue10, quando necessário.
  4. Caso haja condições da tireoide11, insuficiência12 adrenal ou baixa de açúcar13 no sangue10. Em alguns casos o diabetes14 também pode provocar hipotensão1 ortostática.
  5. Caso haja algum distúrbio do sistema nervoso15 que possa alterar o sistema de regulação de pressão arterial2 normal do corpo, provocando pressão baixa.
  6. Algumas pessoas idosas experimentam pressão arterial2 baixa após as refeições, devido ao sequestro de sangue10 para as vísceras digestivas.
  7. Em uma idade avançada, o efeito colateral16 de certos medicamentos, algumas doenças cardíacas, a exposição ao calor e o ficar na cama por um longo período de tempo aumentam o risco de hipotensão1 ortostática.
  8. A gravidez17 e o uso de álcool também podem colaborar para a hipotensão1 ortostática.

Qual é a fisiopatologia18 da hipotensão1 ortostática?

Quando a pessoa se levanta, a gravidade faz com que o sangue10 se acumule nas pernas e isso diminui a pressão arterial2, porque há menos sangue10 de volta para o coração19. Então, certas células20 especiais próximas ao coração19 e artérias21 do pescoço22 enviam sinais23 para os centros cerebrais que comandam os batimentos cardíacos e fazem o coração19 bater mais rápido e bombear mais sangue10, o que tende a estabilizar novamente a pressão arterial2. Além disso, estas células20 fazem os vasos sanguíneos24 se contraírem, o que aumenta a resistência ao fluxo sanguíneo e faz a pressão sanguínea aumentar. A hipotensão1 ortostática ou postural ocorre quando algo interrompe o processo natural do corpo de compensar a pressão arterial2 baixa.

Quais são as principais características clínicas da hipotensão1 ortostática?

A hipotensão1 ortostática pode fazer a pessoa sentir tonturas25 ou vertigens26 e até mesmo desmaiar. Esses sintomas27 são mais comuns quando a pessoa se levanta a partir de uma posição sentada ou deitada e geralmente duram apenas alguns segundos. Os principais sinais23 e sintomas27 da hipotensão1 ortostática, além das vertigens26 após levantar-se, são visão28 embaçada, fraqueza, desmaio (síncope29), confusão mental e náuseas30. Tonturas25 ou vertigens26 ocasionais podem ser o resultado de desidratação31 leve, baixa de açúcar13 no sangue10, ficar demasiado tempo exposto ao sol ou numa banheira de água quente, por exemplo. Ou podem acontecer em uma pessoa que fica assentada por um longo tempo, como após uma palestra, concerto ou eventos em igrejas.

Como o médico diagnostica a hipotensão1 ortostática?

O objetivo maior na avaliação diagnóstica da hipotensão1 ortostática deve ser conhecer a causa subjacente. No entanto, nem sempre essa causa é encontrada. O médico deve ouvir o relato do paciente, rever o seu histórico médico, avaliar seus sintomas27, realizar um exame físico e medir a pressão arterial2 do paciente quando deitado, sentado e de pé e comparar as medições entre si. Ademais, os exames de sangue10 podem fornecer informações sobre a saúde32 geral do paciente, a taxa de açúcar13 no sangue10 e o número de glóbulos vermelhos avaliando uma possível anemia33.

O eletrocardiograma34 pode detectar irregularidades do ritmo cardíaco. Às vezes, pode ser pedido ao paciente que use um monitor Holter35, o qual registra a atividade elétrica do coração19 e a pressão arterial2 durante as 24 horas do dia. Além disso, é possível que o médico peça um ecocardiograma36 e um teste de esforço. O teste de inclinação avaliará como o paciente reage a mudanças na posição. A manobra de Valsalva verifica o funcionamento do sistema nervoso autônomo37 através da análise da frequência cardíaca e da pressão arterial2 após uma série de respirações profundas.

Como o médico trata a hipotensão1 ortostática?

A hipotensão1 ortostática episódica e leve muitas vezes não requer tratamento. O tratamento para os casos mais severos depende da causa da hipotensão1 ortostática e implica em tratar essa condição subjacente. Na hipotensão1 ortostática leve o paciente deve sentar-se ou deitar-se ao sentir tonturas25. Quando a pressão arterial2 baixa é causada por medicamentos, eles devem ter suas doses ajustadas ou serem mesmo interrompidos.

O tratamento da hipotensão1 ortostática deve incluir também mudanças do estilo de vida (beber bastante líquidos, pouco ou nenhum álcool, evitar esforços físicos durante o tempo quente, fazer exercícios para fortalecer os músculos38 das pernas, etc.). Meias de compressão podem ajudar a reduzir o acúmulo de sangue10 nas pernas e, com isso, contribuir para evitar a hipotensão1. Vários medicamentos podem ser utilizados para o tratamento da hipotensão1 ortostática, mas são de resultado pouco consistente.

Como prevenir a hipotensão1 ortostática?

Há muitos meios simples que ajudam a prevenir a hipotensão1 ortostática:

  • Usar mais sal na dieta.
  • Comer pequenas refeições, mais frequentemente.
  • Beber líquidos em abundância.
  • Exercitar os músculos38 da panturrilha39 antes de sentar-se.
  • Evitar dobrar a cintura ao se agachar.
  • Usar meias de compressão elástica.
  • Levantar-se lentamente.
  • Elevar a cabeceira da cama.
  • Movimentar as pernas quando de pé.

Quais são as complicações possíveis da hipotensão1 ortostática?

Enquanto em sua maioria as formas leves de hipotensão1 ortostática podem representar apenas um incômodo, as complicações graves são possíveis, especialmente em idosos. Estas complicações incluem quedas, infarto40 ou acidente vascular cerebral41. A hipotensão1 ortostática também representa um fator de risco42 para as pessoas que sofrem de doenças cardiovasculares43, como dor no peito44, insuficiência cardíaca9 ou problemas do ritmo cardíaco.

 

ABCMED, 2016. Hipotensão ortostática: conceito, causas, características, diagnóstico, tratamento e prevenção. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/818074/hipotensao-ortostatica-conceito-causas-caracteristicas-diagnostico-tratamento-e-prevencao.htm>. Acesso em: 18 jun. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Hipotensão: Pressão sanguínea baixa ou queda repentina na pressão sanguínea. A hipotensão pode ocorrer quando uma pessoa muda rapidamente de uma posição sentada ou deitada para a posição de pé, causando vertigem ou desmaio.
2 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
3 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
4 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
5 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
6 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
7 Transpiração: 1. Ato ou efeito de transpirar. 2. Em fisiologia, é a eliminação do suor pelas glândulas sudoríparas da pele; sudação. Ou o fluido segregado pelas glândulas sudoríparas; suor. 3. Em botânica, é a perda de água por evaporação que ocorre na superfície de uma planta, principalmente através dos estômatos, mas também pelas lenticelas e, diretamente, pelas células epidérmicas.
8 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
9 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
10 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
11 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
12 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
13 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
14 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
15 Sistema nervoso: O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e a porção periférica está constituída pelos nervos cranianos e espinhais, pelos gânglios e pelas terminações nervosas.
16 Efeito colateral: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
17 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
18 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
19 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
20 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
21 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
22 Pescoço:
23 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
24 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
25 Tonturas: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
26 Vertigens: O termo vem do latim “vertere” e quer dizer rodar. A definição clássica de vertigem é alucinação do movimento. O indivíduo vê os objetos do ambiente rodarem ao seu redor ou seu corpo rodar em relação ao ambiente.
27 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
28 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
29 Síncope: Perda breve e repentina da consciência, geralmente com rápida recuperação. Comum em pessoas idosas. Suas causas são múltiplas: doença cerebrovascular, convulsões, arritmias, doença cardíaca, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar, hipoglicemia, intoxicações, hipotensão postural, síncope situacional ou vasopressora, infecções, causas psicogênicas e desconhecidas.
30 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
31 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
32 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
33 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
34 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
35 Holter: Dispositivo portátil, projetado para registrar de forma contínua, diferentes variáveis fisiológicas ou atividade elétrica durante um período pré-estabelecido de tempo. Os mais utilizados são o Holter eletrocardiográfico e o Holter de pressão.
36 Ecocardiograma: Método diagnóstico não invasivo que permite visualizar a morfologia e o funcionamento cardíaco, através da emissão e captação de ultra-sons.
37 Sistema nervoso autônomo: Parte do sistema nervoso que controla funções como respiração, circulação do sangue, controle de temperatura e da digestão.
38 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
39 Panturrilha: 1. Proeminência muscular, situada na face posterossuperior da perna, formada especialmente pelos músculos gastrocnêmio e sóleo; sura, barriga da perna. 2. Por extensão de sentido, enchimento usado por baixo das meias, para melhorar a aparência das pernas.
40 Infarto: Morte de um tecido por irrigação sangüínea insuficiente. O exemplo mais conhecido é o infarto do miocárdio, no qual se produz a obstrução das artérias coronárias com conseqüente lesão irreversível do músculo cardíaco.
41 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
42 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
43 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
44 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
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