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Nova cepa do coronavírus (SARS-CoV-2)

Tuesday, January 28, 2020
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Nova cepa do coronavírus (SARS-CoV-2)

O que é a nova cepa do coronavírus?

Os coronavírus estão novamente assustando o mundo com uma nova cepa, o novo coronavírus nomeado SARS-CoV-2. Os coronavírus são conhecidos desde meados dos anos 1960 e normalmente causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. As infecções causam doenças respiratórias leves ou moderadas, semelhantes a um resfriado comum, mas que podem ser muito graves também.

A maioria das pessoas se infecta com esses vírus comuns em algum momento da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem. Algumas mutações dos coronavírus podem causar síndromes respiratórias graves, muitas vezes mortais, como a SARS-CoV (sigla em inglês de “Severe Acute Respiratory Syndrome”) e a MERS-CoV ("Middle East Respiratory Syndrome" ou síndrome respiratória do Oriente Médio). Os primeiros casos de SARS foram relatados na China em 2002 e se disseminaram rapidamente para mais de doze países, infectando mais de 8.000 pessoas e causando em torno de 800 mortes. A epidemia foi controlada em 2003 e, desde 2004, nenhum caso novo foi relatado.

A coronovirose é uma zoonose. Investigações detalhadas descobriram que o SARS-CoV foi transmitido de civetas (gatos selvagens) para humanos na China, em 2002, e o MERS-CoV de dromedários para humanos na Arábia Saudita, em 2012. Porém, existem vários coronavírus que causam infecção animal. Na maioria, infectam apenas uma espécie ou algumas espécies intimamente relacionadas, como morcegos, aves, porcos, macacos, gatos, cães e roedores, entre outros.

Alguns coronavírus são capazes de infectar humanos e podem ser transmitidos de pessoa a pessoa pelo ar (secreções aéreas do paciente infectado) ou por contato pessoal com secreções contaminadas. Porém, outros coronavírus não são transmitidos para humanos sem que haja uma mutação. Na maior parte dos casos, a transmissão é limitada e se dá por contato próximo, ou seja, qualquer pessoa que cuidou do paciente, incluindo profissionais de saúde ou membro da família, que tenha tido contato físico com o paciente ou tenha permanecido no mesmo local que o paciente doente.

Em dezembro de 2019, uma nova mutação ocasionou o aparecimento de uma nova cepa do vírus, primeiramente denominado 2019-nCoV e depois oficialmente nomeado SARS-CoV-2 pela OMS, sendo a doença ocasionada pelo vírus denominada COVID-19. Este vírus passou a infectar pessoas na cidade chinesa de Wuhan, onde ocasionou a primeira morte em 11 de janeiro deste ano (2020). Na China, já matou mais de 100 pessoas e vem se espalhando para outras regiões deste país, de países próximos (Vietnã, Tailândia, Japão, Malásia, Singapura) e para países distantes (França, Austrália, Canadá e Estados Unidos, por exemplo).

A transmissão parece dar-se também durante o período de incubação do vírus, que se acredita durar cerca de 10 a 14 dias, antes que a pessoa infectada tenha quaisquer sintomas. Ou seja, nem sabe estar infectada.

Como se manifesta a infecção pelo novo coronavírus?

De início, os sintomas da infecção pelo coronavírus são parecidos com os de um resfriado comum: dificuldade de respirar, coriza, tosse, dor de garganta e febre, que podem evoluir para SARS, pneumonia e morte. Grupos de maior risco, como idosos, imunodeprimidos e crianças, podem desenvolver doenças mais graves ao serem contaminados com o coronavírus, como pneumonia, SARS, insuficiência renal e morte.

Recomenda-se não usar o termo “nova gripe”, já que a gripe é causada por outro tipo de vírus, o vírus Influenza.

Até o momento são consideradas suspeitas as pessoas que apresentem febre, tosse e dificuldades de respiração, e tenham estado em região de transmissão nos últimos 14 dias antes do início dos sintomas.

Ainda não há tratamentos específicos eficazes para combater o coronavírus. Por ora, não há também uma vacina que impeça a contaminação pelo vírus, embora ela esteja sendo pesquisada e tenha sido prometida pelos chineses para dentro de 2 a 3 meses e pelos americanos para dentro de um ano.

A principal maneira de evitar a infeção pelo atual coronavírus é evitar viajar para áreas conhecidas de contaminação, evitar o contado com pessoas contaminadas ou suspeitas e quando isso for inevitável (equipe de saúde, por exemplo), usar máscaras e roupas especiais.

Do ponto de vista da Saúde Pública, a China e os demais países afetados vêm tomando medidas como impedir a concentração e a movimentação de pessoas, inclusive dentro da própria cidade de Wuhan, fazer o isolamento (quarentena) de pessoas suspeitas ou contaminadas, etc. Algumas dessas medidas, contudo, não podem perdurar por um tempo indefinido. Outras medidas, de ordem geral, válidas para quaisquer vírus capazes de transmitir doenças respiratórias, são: frequente lavagem e higienização das mãos, utilização de lenço descartável para higiene nasal, cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir, evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, não compartilhar objetos de uso pessoal e manter os ambientes bem ventilados.

É para nos preocuparmos?

Sim, mas não para entrar em pânico. O novo vírus é claramente um problema de saúde pública, e a velocidade com que se espalhou alerta o mundo todo, mas no Brasil o novo vírus ainda não chegou e talvez não chegue. Não temos voos diretos para a China e as viagens de chineses para Brasil ou de brasileiros para a China, embora crescentes, ainda são pouco significativas. Apesar disso, as autoridades públicas já adotaram medidas para impedir a importação do vírus.

Quais são as recomendações gerais da OMS para reduzir a exposição a vírus e a transmissão de doenças e que devem também serem levadas em conta neste momento?

As recomendações padrão da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que o público em geral reduza a exposição e a transmissão de uma série de doenças são as seguintes e incluem higiene das mãos, higiene respiratória e práticas alimentares seguras:

  • Limpar frequentemente as mãos usando fricção de mãos à base de álcool ou água e sabão.
  • Ao tossir e espirrar, cobrir a boca e o nariz com cotovelo ou lenço dobrado. Então jogar o lenço fora imediatamente e lavar as mãos.
  • Evitar o contato próximo com qualquer pessoa que tenha febre e tosse.
  • Se você tiver febre, tosse e dificuldade para respirar, procurar cuidados médicos precocemente e compartilhar o histórico de viagens anteriores com seu provedor de saúde.
  • Ao visitar mercados em áreas que atualmente apresentem novos casos de coronavírus, evitar o contato direto e sem proteção com animais vivos e superfícies em contato com animais.
  • O consumo de produtos animais crus ou mal cozidos deve ser evitado. A carne crua, leite ou órgãos de animais devem ser manuseados com cuidado para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos, de acordo com as boas práticas de segurança alimentar.

Como está a situação no relato da OMS do dia 28 de janeiro de 2020?

A situação do novo coronavírus em números:

 

Leia sobre "Como não espalhar germes", "O que são vírus" e "Diferenças de endemia, epidemia e pandemia".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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