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Metemoglobinemia - conceito, características clínicas, diagnóstico, tratamento, evolução

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O que é metemoglobinemia?

A metemoglobinemia é um distúrbio sanguíneo caracterizado pela presença circulante da metemoglobina e no qual menos oxigênio do que de costume é fornecido às células1 do corpo. Normalmente, o oxigênio é transportado pela corrente sanguínea apegado à hemoglobina2 e é liberado para as células1 do corpo. No entanto, a metemoglobina é um tipo específico de hemoglobina2 que também transporta oxigênio pelo sangue3, mas não o libera para as células1.

Se o corpo produz muita metemoglobina, ela pode começar a substituir a hemoglobina2 normal e isso pode levar à falta de oxigênio nas células1. A metemoglobinemia pode ser (1) congênita4 ou (2) adquirida.

Quais são as causas da metemoglobinemia?

Muitos agentes podem oxidar a hemoglobina2 e causar a transformação dela em metemoglobina. Essa transformação pode ser induzida pela aplicação tópica de anestésicos locais, uso das sulfonamidas, corantes à base de anilinas, cloroquina, derivados do benzeno, dinitrofenol, cloratos, nitritos e outros produtos químicos oxidantes. Os nitritos e nitratos são os agentes que mais causam metemoglobinemia, devido à poluição ambiental e contaminação da água por nitratos.

A forma adquirida é causada pela exposição a certos medicamentos, produtos químicos ou alimentos. Os bebês5 são mais suscetíveis a essa condição. Eles podem adquirir a metemoglobinemia da benzocaína (um anestésico), de água contaminada de poço e alimentos sólidos como beterraba, cenoura, vagem, espinafre ou abóbora.

As pessoas podem desenvolver metemoglobinemia após procedimentos médicos que usam certos anestésicos tópicos que são frequentemente borrifados na pele6. Estes incluem benzocaína, lidocaína e prilocaína. Outros medicamentos que causam essa condição são a dapsona e medicamentos antimaláricos7.

Veja sobre "Falta de ar" e "Hipóxia8".

Qual é o substrato fisiológico9 da metemoglobinemia?

A metemoglobinemia é uma condição com potencial de risco de vida, na qual ocorre uma diminuição da capacidade de transporte de oxigênio da hemoglobina2 circulante devido à conversão de algumas ou de todas as espécies de ferro do estado ferroso [Fe2+] reduzido para o estado férrico [Fe3+] oxidado. O ferro férrico é incapaz de ligar e transportar oxigênio e, se o transporta, é incapaz de liberá-lo nas células1.

Quais são as principais características clínicas da metemoglobinemia?

A forma congênita4 significa que a pessoa nasce com essa condição. Ela é causada por um defeito genético herdado que leva a uma deficiência de determinada enzima10 responsável pela conversão da metemoglobina em hemoglobina2. A metemoglobinemia congênita4 é muito menos comum que a forma adquirida da condição. A forma adquirida, também conhecida como metemoglobinemia aguda, é o tipo mais comum de doença.

Os sintomas11 podem variar dependendo do tipo da doença que a pessoa possui. Os principais sintomas11 são cianose12, que descreve uma cor azulada da pele6, especialmente lábios e dedos, e sangue3 de cor marrom-achocolatada. À medida que os níveis de metemoglobina aumentam, os sintomas11 continuam a ficar mais graves e podem incluir dor de cabeça13, falta de ar, náusea14, aceleração dos batimentos cardíacos, fadiga15 e letargia16, confusão mental ou estupor e perda da consciência.

Como o médico diagnostica a metemoglobinemia?

Uma das primeiras indicações diagnóstica de metemoglobinemia é a cianose12 generalizada, que não melhora com a aplicação de O2. O sangue3 apresentará coloração acastanhada e não vermelho vivo, como é normal. A gasometria arterial mostrará uma pO2 normal. Para medir diretamente a metemoglobina, uma amostra de sangue3 deve ser enviada para análise por um co-oxímetro.

Para diagnosticar a metemoglobinemia o médico pode ainda solicitar hemograma completo, exames para verificar enzimas, exame da cor do sangue3, níveis sanguíneos de nitritos ou outras drogas, dentre outros.

Um diferencial deve ser estabelecido com a sulfemoglobinemia. A sulfemoglobina também é incapaz de transportar o O2 e faz o paciente parecer cianótico17.

Como o médico trata a metemoglobinemia?

A metemoglobinemia pode ser uma emergência18 médica. O primeiro tratamento é a infusão com a droga azul de metileno. Este medicamento ajuda as pessoas rapidamente, mas aquelas que não respondem ao azul de metileno podem precisar de uma transfusão19 de sangue3. O azul de metileno NÃO pode ser usado em pessoas com o tipo congênito20 da doença.

Como evolui em geral a metemoglobinemia?

Muitas pessoas que vivem com metemoglobinemia não apresentam sintomas11 e podem levar a vida normalmente com essa condição. Não existe tratamento eficaz contra a forma congênita4 ou para aqueles que tenham desenvolvido uma forma adquirida a partir dela. Os pacientes afetados não devem tomar medicamentos como benzocaína e lidocaína, capazes de induzir a metemoglobinemia.

Pessoas que adquirem metemoglobinemia de medicamentos podem se recuperar completamente com o tratamento adequado. Se a forma adquirida não for adequadamente tratada imediatamente, pode levar à morte.

Como evitar a metemoglobinemia?

Não há como evitar tipos genéticos de metemoglobinemia. Para evitar a metemoglobinemia adquirida, tente evitar a exposição às condições a aos medicamentos que a causam.

Leia mais sobre "Gasometria arterial", "Oxigenioterapia" e "Transfusão19 de sangue3".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do NCBI – National Center of Biotechnology Information.

ABCMED, 2020. Metemoglobinemia - conceito, características clínicas, diagnóstico, tratamento, evolução. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1356668/metemoglobinemia-conceito-caracteristicas-clinicas-diagnostico-tratamento-evolucao.htm>. Acesso em: 29 out. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
2 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
3 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
4 Congênita: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
5 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
6 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
7 Antimaláricos: Agentes usados no tratamento da malária. Geralmente são classificados com base na sua ação contra os plasmódios nas diferentes fases de seu ciclo de vida no homem. São exemplos, a cloroquina e a hidroxicloroquina.
8 Hipóxia: Estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos que pode ocorrer por diversos fatores, tais como mudança repentina para um ambiente com ar rarefeito (locais de grande altitude) ou por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde as vias respiratórias superiores até os tecidos orgânicos.
9 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
10 Enzima: Proteína produzida pelo organismo que gera uma reação química. Por exemplo, as enzimas produzidas pelo intestino que ajudam no processo digestivo.
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Cianose: Coloração azulada da pele e mucosas. Pode significar uma falta de oxigenação nos tecidos.
13 Cabeça:
14 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
15 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
16 Letargia: Em psicopatologia, é o estado de profunda e prolongada inconsciência, semelhante ao sono profundo, do qual a pessoa pode ser despertada, mas ao qual retorna logo a seguir. Por extensão de sentido, é a incapacidade de reagir e de expressar emoções; apatia, inércia e/ou desinteresse.
17 Cianótico: Relativo à cianose, ou seja, à coloração azul violácea da pele e das mucosas devida à oxigenação insuficiente do sangue e ligada a várias causas (distúrbio de hematose, insuficiência cardíaca etc.).
18 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
19 Transfusão: Introdução na corrente sangüínea de sangue ou algum de seus componentes. Podem ser transfundidos separadamente glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma, fatores de coagulação, etc.
20 Congênito: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
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