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Disbiose - você sabe o que é?

Tuesday, July 11, 2017
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Disbiose - você sabe o que é?

O que é disbiose?

No intestino humano convivem em equilíbrio microrganismos “bons”, necessários a um desempenho correto das suas funções, e microrganismos “ruins”, capazes de perturbá-las. A disbiose é definida como sendo um desequilíbrio entre os microrganismos benéficos e os outros, patogênicos e prejudiciais à saúde. É, pois, um estado alterado da ecologia microbiana na cavidade oral ou no trato gastrointestinal.

Quais são as causas da disbiose?

A disbiose acontece em função de uma alimentação inadequada ou pelo uso de medicamentos que alteram a flora intestinal, tais como: antiácidos, anti-inflamatórios, anticoncepcionais e, especialmente, antibióticos. Outras condições que podem levar à disbiose são a presença de parasitoses, atrofia das mucosas intestinais e estresse. Os indivíduos que fazem uso de forma prolongada ou crônica desses medicamentos devem consumir prebióticos e probióticos com o objetivo de recompor a flora intestinal.

Saiba mais sobre "Pílulas anticoncepcionais", "Exame parasitológico de fezes", "Estresse" e "Probióticos e prebióticos".

Quais são as principais características clínicas da disbiose?

Nas condições de disbiose, os organismos patogênicos de baixa virulência e até então inócuos apresentam-se em desequilíbrio em relação ao restante da flora bacteriana, alterando a absorção de nutrientes e a resposta imunológica do hospedeiro.

Os principais sinais e sintomas da disbiose são: deficiência da absorção de vitaminas, cansaço, inativação de enzimas digestivas, má digestão, fermentação excessiva, não-conjugação de sais biliares, comprometimento da absorção de gorduras, produção de promotores tumorais e destruição da mucosa intestinal.

A disbiose está também relacionada com a deficiência de vitamina B12, esteatorreia, síndrome do cólon irritável, artrite reumatoide, câncer de mama e cólon, psoríase, eczema, acne e fadiga crônica.

Leia sobre "Anemia perniciosa", "Síndrome do intestino irritável" e "Artrite reumatoide".

Como o médico diagnostica a disbiose?

O diagnóstico dessa condição deve começar pelo histórico clínico do paciente, que revelará os sintomas típicos, e pelo exame clínico que pode revelar abdome hipertimpânico e dor à palpação, especialmente do cólon descendente.

Como o médico trata a disbiose?

A terapia da disbiose consiste basicamente em duas providências, sendo uma dietética e outra baseada na administração de prebióticos e/ou probióticos. Nos casos mais severos, pode ser necessária a realização de hidrocolonoterapia. A dieta deve evitar a ingestão de carne vermelha, leite de vaca e seus derivados, leite de cabra, açúcar refinado e alimentos processados, passando a adotar uma dieta rica em fibras.

Os probióticos são constituídos por bactérias vivas e leveduras benéficas que melhoram a saúde do intestino, facilitando a digestão e a absorção de nutrientes. Normalmente, essas bactérias são encontradas naturalmente no corpo, mas também podem ser acrescentadas por meio de alguns alimentos e suplementos. Os probióticos podem ser encontrados no iogurte, em chocolates e em outros alimentos fermentados.

Os probióticos ajudam a mover alimentos através do intestino. Algumas condições comuns tratadas pelos probióticos incluem a síndrome do intestino irritável, a doença inflamatória intestinal, a diarreia infecciosa e a diarreia relacionada a antibióticos. Algumas pesquisas mostram que eles ajudam com problemas em outras partes do corpo, como condições da pele, saúde urinária e vaginal, prevenção de alergias e de resfriados e saúde bucal.

Veja mais sobre "Benefícios dos probióticos", "Alergias", "Dermatite atópica", "Resfriado comum" e "Intolerância à lactose" e "Diarreia".

Os prebióticos são carboidratos ou fibras hidrossolúveis não digeríveis, extraídas de certos alimentos vegetais. Os prebióticos são alimentos não calóricos ou energéticos, cujo consumo é benéfico, porque estimulam seletivamente o crescimento e a atividade de uma ou mais espécies bacterianas “boas” no cólon.

Os prebióticos podem ser, por exemplo, (1) os oligossacarídeos, presentes em alimentos como a cebola, alho, tomate, banana, cereais integrais como a cevada, aveia, trigo, mel e cerveja; (2) a pectina, que está presente na casca dos cítricos, do maracujá e na maçã; (3) as ligninas, presentes nas cascas de frutas oleaginosas (castanha-de-caju, nozes, amêndoas, avelãs, macadâmias, linhaça, gergelim, amêndoas, etc.) e leguminosas como a soja e o feijão; (4) a inulina, encontrada principalmente na raiz da chicória, no alho, cebola, aspargos e alcachofra.

Os prebióticos ajudam na manutenção da flora intestinal, estimulam a motilidade e o trânsito intestinal, contribuem com a consistência normal das fezes, colaboram para que somente sejam absorvidas pelo intestino as substâncias necessárias e úteis e estimulam o crescimento das bifidobactérias, responsáveis por inibirem a atividade de outras bactérias que são putrefativas e intoxicantes.

Como prevenir a disbiose?

Para evitar a disbiose deve-se fortalecer a barreira intestinal contra microrganismos patogênicos, o que se pode conseguir por meio da síntese de vitaminas e antibióticos naturais e/ou produção de ácidos graxos de cadeia curta. Normalmente, os microrganismos benéficos que compõem a flora intestinal são capazes de produzir estas substâncias e manter a barreira intestinal.

Para garantir este equilíbrio se faz necessária a ingestão adicional de prebióticos e probióticos. Algumas orientações podem ser úteis na tentativa de minimizar os efeitos negativos da disbiose:

  • Ter uma alimentação balanceada.
  • Evitar o excesso de ingestão de bebidas alcoólicas.
  • Evitar a automedicação e o consumo indiscriminado de medicamentos.
  • Aumentar o consumo de fibras alimentares (25 g/dia).
  • Ingerir cerca de dois litros de líquido durante o dia.
Leia também sobre "Alimentação saudável" e "Vantagens dos alimentos orgânicos".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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