Oncocercose: definição, causas, transmissão, diagnóstico, tratamento e prevenção

O que é oncocercose?
A oncocercose, também chamada “cegueira dos rios”, é uma doença parasitária que pode levar à cegueira e que acomete exclusivamente seres humanos. Atualmente, 99% dos casos registrados no mundo ocorrem na África. A mosca transmissora vive perto dos rios, donde o nome da doença.
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Quais são as causas da oncocercose?
A oncocercose é causada pela infestação pelo verme nematódeo Onchocerca volvulus, transmitido pela mosca negra, do gênero Simulium, popularmente chamada piúm ou borrachudo.
Quando o inseto transmissor pica um hospedeiro infectado, suga microfilárias, juntamente com o sangue. Estas, por sua vez, maturam-se no interior do corpo do mosquito e se transformam em formas infecciosas, as quais são injetadas na circulação sanguínea de outro indivíduo picado pelo inseto.
Qual é o mecanismo de transmissão da oncocercose?
As formas adultas da Onchocerca volvulus parasitam o ser humano, alojando-se em nódulos no tecido conjuntivo, por baixo da pele ou no tecido adiposo, formando o oncocercoma. No local, elas se reproduzem sexuadamente durante até quinze anos gerando inúmeras larvas minúsculas ou microfilárias. Estas disseminam-se aparecendo por todo o corpo: por baixo da pele, dentro dos olhos, na linfa, urina, saliva e líquido céfalo-raquidiano. Podem surgir também no sangue. Algumas maturam-se dentro do corpo em novas localizações produzindo novos nódulos, mas a maioria acaba por morrer devido à ação do sistema imunológico de defesa.
Quando a mosca pica os hospedeiros, causa microlesões na pele e é devido a essas lesões que as microfilárias entram em contato com o corpo. Uma vez dentro de uma pessoa, os vermes da oncocercose criam larvas que chegam à pele e podem infectar a próxima mosca que pica a pessoa.
Os germes adultos permanecem em nódulos subcutâneos. As microfilárias são capazes de induzir respostas inflamatórias intensas. A gravidade da doença é diretamente proporcional ao número de microfilárias infectadas e ao poder de resposta inflamatória da pessoa infectada.
Quais são as principais características clínicas da oncocercose?
Em algumas regiões do globo, a oncocercose é uma causa comum de cegueira, juntamente com o tracoma. Normalmente, a mosca não transmite o parasita na primeira picada; são necessárias muitas “mordidas” antes de ocorrer a infecção. A pele apresenta erupções cutâneas severas que podem danificá-la. O envolvimento da pele geralmente consiste em coceira intensa, inchaço e inflamação.
O acometimento ocular pode envolver qualquer parte do olho, incluindo a conjuntiva, a córnea, a úvea e também o segmento posterior - retina e nervo óptico. Após cerca de um ano da primeira infecção, surgem os sintomas relativos à reação do organismo contra as formas adultas. O encaspulamento reativo delas gera nódulos palpáveis, móveis e indolores, com cerca de alguns centímetros de diâmetro, mais facilmente detectados contra os ossos superficiais. Não há, usualmente, outros sintomas exceto o efeito inestético de alguns nódulos.
O início da produção das microfilárias leva ao surgimento de sintomas: prurido e exantemas cutâneos (vermelhidão) com adenopatias (inchaço dos gânglios linfáticos) e febre. Se as filárias migrarem para o olho (o que ocorrerá mais cedo ou mais tarde), causarão aí reações de cicatrização e acumulação de complexos de anticorpos, que levarão em primeiro lugar à conjuntivite, eventualmente à queda da visão e, finalmente, à cegueira absoluta.
Mais raramente, ocorre elefantíase (inchaço extremo) do escroto e dos membros inferiores se houver nódulos que obstruam os canais linfáticos provenientes dessa região.
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Como o médico diagnostica a oncocercose?
O diagnóstico pode ser feito de várias maneiras, incluindo a biópsia da pele. O material recolhido pode ser colocado em solução salina normal de onde se pode observar a larva. Outro meio de diagnóstico é observar as larvas presentes no fundo de olho.
Os nódulos de parasitas adultos podem ser identificados por técnicas de imaginologia (tomografia computadorizada ou ecografia) ou por análise microscópica das amostras recolhidas nas biópsias. Existe ainda uma técnica menos usada de detecção do DNA do parasita.
Como o médico trata a oncocercose?
Ainda não existe uma vacina contra a doença. O tratamento dos infectados é feito com a medicação ivermectina a cada seis a doze meses. Este tratamento mata a larva, mas não os vermes adultos, permitindo o reinício do ciclo. Os nódulos sob a pele também podem ser removidos por cirurgia.
Como prevenir a oncocercose?
A principal forma de prevenção da oncocercose consiste em evitar ser picado pela mosca. Isso pode incluir o uso de repelentes de insetos e roupas adequadas. Outros esforços incluem aqueles para diminuir a população de moscas por pulverização de inseticidas.
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