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Meu filho tem constipação. O que devo fazer?

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A constipação1 é um problema muito comum na infância. Geralmente ocorre quando a dieta não inclui uma quantidade suficiente de líquidos e fibras, podendo também ter relação com fatores ambientais.

Uma criança constipada é aquela que apresenta menos de três evacuações por semana, fezes endurecidas, de grande volume, ou quando os movimentos intestinais são muito desconfortáveis para a criança.

A constipação1 é prevenível. Na maioria dos casos, pode ser remediada com mudanças de hábitos alimentares e com a prática regular de atividades físicas.

 

Quais são as causas da constipação1?

 

Na maioria das vezes, a constipação1 em escolares está relacionada a uma dieta que não inclui quantidade suficiente de água e de alimentos ricos em fibras, os quais ajudam nos movimentos intestinais. As crianças que se alimentam de fast-foods - ricos em gordura2 (hamburguer, frituras, milk shakes) e açúcares processados (tortas, bolos, bebidas ricas em açúcar3) - podem ser mais constipadas.

Algumas vezes, medicamentos como anti-depressivos e medicações usadas para tratar a deficiência de ferro podem levar à constipação1.

Em bebês4, a constipação1 pode ocorrer na fase da transição do aleitamento materno5 para fórmulas infantis, ou dos alimentos mais líquidos para os sólidos. Algumas fórmulas de alimentação completa e balanceada também podem influenciar no funcionamento do intestino, podendo causar constipação1.

 

Tenha em mente que as crianças tendem a evitar ir ao banheiro, mesmo quando elas têm o desejo de ir. Freqüentemente elas ignoram os desejos internos pois não querem parar de brincar para usar um banheiro que esteja longe delas e pedir a um adulto para levá-las. Quando ignoram este momento em que estão com vontade de ir, torna-se mais difícil ir mais tarde.

Estresse também pode levar à constipação1. As crianças podem ficar constipadas quando elas estão preocupadas com alguma coisa, como iniciar aulas em uma nova escola ou problemas em casa. Pesquisas já mostraram que fatores emocionais podem afetar as funções intestinais e causar constipação1 ou diarréia6.

A constipação1 pode estar associada a uma condição conhecida como Síndrome7 do Intestino Irritável (SII), a qual ocorre quando ela está estressada ou pode ser desencadeada por certos alimentos gordurosos ou picantes. Uma criança com SII pode ter constipação1 ou diarréia6, dor no estômago8 e prisão de ventre.

Em casos raros, a constipação1 é um sinal9 de outras condições médicas, por isso é importante manter o pediatra do seu filho informado sobre a persistência dos sintomas10, ou se ele fica mais de 2 a 3 semanas sem evacuar.

 

Quais são os sintomas10 relacionados à constipação1?

Lembre-se que cada criança tem seu hábito intestinal, uma diferente da outra. Aquelas que não vão ao banheiro diariamente não são necessariamente constipadas. Uma criança pode ir ao banheiro três vezes ao dia, enquanto outra pode ir uma vez a cada três dias. Geralmente uma criança está constipada quando vai ao banheiro em uma freqüência menor que o usual.

Seu filho pode queixar-se de plenitude, dor ao evacuar, esforço evacuatório ou de que há uma pequena quantidade de sangue11 no papel higiênico após as evacuações.

 

 

Quais passos devo seguir para prevenir ou tratar a constipação1?

 

  • Priorize a amamentação exclusiva12 até os 6 meses de idade. Mantenha um ritmo para amamentar, com intervalos de 2 ou 3 horas entre as mamadas. A mãe que amamenta deve ingerir cerca de 3 a 4 litros de líquidos por dia.

  • Se o seu filho está constipado durante a transição do aleitamento materno5 para fórmulas lácteas ou para alimentos sólidos, você pode ofertar pequenas quantidades de suco de mamão ou de ameixa preta algumas vezes ao dia. Caso a constipação1 persista ou cause desconforto ao seu filho, ela pode estar relacionada com alergias alimentares. Você deve consultar um médico.

  • Ofereça ao seu filho mais líquidos durante o dia. Beber uma boa quantidade de água e sucos de frutas naturais ajuda a movimentação das fezes no intestino. A quantidade varia de acordo com a idade e o peso. Mas a maioria dos escolares precisam de 3 a 4 copos de água a cada dia e 1 ou 2 copos de sucos de frutas todos os dias. Dê preferência para as frutas ricas em fibras como laranja, mexerica, manga, morango, ameixa preta, kiwi, mamão ou abacate.

  • Use mais fibras na dieta das crianças. Alimentos ricos em fibras como frutas, vegetais, cereais e pães integrais podem prevenir a constipação1. As fibras não são digeridas e por isso ajudam a limpar o intestino, enquanto uma dieta rica em gorduras, açúcares e comidas pesadas pode lentificar o trânsito intestinal. As fibras não precisam aborrecer o seu filho: tente maçãs, farinha de aveia, granola, laranja, banana, milho cozido ou pipoca. São comidas que as crianças geralmente aceitam com facilidade.

  • Estimule o seu filho a praticar alguma atividade física prazerosa. Os exercícios físicos estimulam o intestino e toda criança gosta de exercitar-se. Pode ser alguma atividade simples como brincar de pique, andar de bicicleta ou nadar. As atividades físicas, principalmente aquelas realizadas ao ar livre, reduzem o estresse e colaboram para aprimorar o desenvolvimento infantil e a socialização.

  • Faça um planejamento regular das refeições. A ingestão alimentar em horários regulares ajuda a criar uma rotina no ritmo intestinal. Se necessário, ofereça o café da manhã um pouco mais cedo para dar a chance do seu filho visitar o banheiro de forma relaxada antes de ir para a escola.

  • Caso o seu filho esteja evitando ir ao banheiro mesmo que tenha vontade, você pode levá-lo e pedir que fique sentado no vaso sanitário por aproximadamente 10 minutos na mesma hora todos os dias, preferencialmente após uma refeição. Isto facilita a criar o hábito de evacuar mais ou menos no mesmo horário todos os dias.

  • A higiene da região genital é importante para evitar possíveis afecções13 ano-retais, tais como fissuras14 e assaduras, as quais aumentam as dificuldades de evacuação.

  • Fale com o pediatra antes de dar qualquer tipo de medicação para constipação1 para o seu filho. Não faça uso de laxantes15 ou supositórios sem o conhecimento de um médico.

 

Na maioria dos casos, estas pequenas mudanças resolvem o problema. Elas ajudam a regular o funcionamento intestinal, permitindo que seu filho sinta-se melhor.

ABCMED, 2008. Meu filho tem constipação. O que devo fazer?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/25110/meu-filho-tem-constipacao-o-que-devo-fazer.htm>. Acesso em: 12 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Constipação: Retardo ou dificuldade nas defecações, suficiente para causar desconforto significativo para a pessoa. Pode significar que as fezes são duras, difíceis de serem expelidas ou infreqüentes (evacuações inferiores a três vezes por semana), ou ainda a sensação de esvaziamento retal incompleto, após as defecações.
2 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
3 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
4 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
5 Aleitamento Materno: Compreende todas as formas do lactente receber leite humano ou materno e o movimento social para a promoção, proteção e apoio à esta cultura. Toda mulher após o parto tem produção de leite - lactação; mas, infelizmente nem todas amamentam.
6 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
7 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
8 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
9 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
10 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
12 Amamentação exclusiva: Uso do leite materno, habitualmente até os 6 meses de vida como único alimento da criança, não sendo admitidos chás ou água como exceção.
13 Afecções: Quaisquer alterações patológicas do corpo. Em psicologia, estado de morbidez, de anormalidade psíquica.
14 Fissuras: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
15 Laxantes: Medicamentos que tratam da constipação intestinal; purgantes, purgativos, solutivos.
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Comentários

30/01/2014 - Comentário feito por VILMAR
Re: Meu filho tem constipação. O que devo fazer?
MINHA FILHA TEM CONSTIPAÇÃO INTESTINAL. MUDEI TODA A ALIMENTAÇÃO. TUDO A BASE DE FIBRAS. MUITO LÍQUIDO, MAS MESMO ASSIM DE VEZ EM QUANDO A CONSTIPAÇÃO VOLTA. SERÁ UM PROBLEMA DE MÁ FORMAÇÃO INTESTINAL?

19/07/2013 - Comentário feito por Tatiane
Re: Meu filho tem constipação. O que devo fazer?
Vou contar um pouco sobre minha experiência com a constipação do meu filho (hoje com 4 anos). Bom parei de amamentar o meu filho com 7 a 8 meses devido o trabalho, só que antes disso ele já tinha dado índice que havia algo de errado, quando uma vez eu e avo materna dele (minha sogrona) tivemos que ajudar ele a fazer o coco, achei aquilo meio estranho, mas como estava sendo inseridas as comidinhas achei que poderia ser isso, as vezes ele conseguia fazer normalmente e outras com 3 a 4 dias sem fazer ( nesse período já tinha consultado o pediatra varias vezes, a solução era a mesma dar frutas e fibras e bastante liquido). O tempo passou e percebi que com 1 ano e meio ele começou a segurar para ñ fazer o coco, ele chegava a ficar uma semana sem fazer nada, o meu desespero era tremendo. Fiz exames para ver se era algo do organismo (que deu normal), dava sempre um laxante de geléia que depois descobri que é péssimo para o fígado, legumes, frutas, sucos, supositorios tanto líquidos como tipo capsula massagem etc, e muitas dessas coisas ñ resolvia o problema. Uma porque ele já tinha desenvolvido o trauma de ir ao banheiro e outra nada do eu fazia era o suficiente. Gente pensa uma mãe que na maioria das vezes chorava ao ver seu filho naquela situação. Pedi a Nossa Senhora Aparecida que o ajudasse que o levaria na Catedral pela graça. Até que um dia depois de tanto pesquisar, ler, perguntar, questionar que vi um artigo so sobre experiência de outras mães e seus sofrimentos. E num depoimento desses uma mãe falou sobre o leite de magnésia (bom já tinha tentado de tudo, marquei psicólogo mais ñ cheguei a ir...então resolvi experimentar). Comecei dando uma colher de chá todos os dias junto com o leite, no começo não vi grandes resultados, mais depois de uma semana ele começou a fazer um coco mais pastoso (porque no inicio era empedrado, de tanto segurar, acaba ressecando as fezes, varias vezes tinha que o ajudar jogando água morna com o chuveirinho). Dai com muito custo e medo que ele ainda tinha ia ao banheiro 2 a 3 dias por semana. Fui ao pediatra e falei sobre o leite de magnésia, ele falou para continuar a dar enquanto surtia efeito. Liberado pelo medico continuei o tratamento (o Luquinhas estava com 2 aninhos mais ou menos). Ainda continuo a dar o leite de magnésia, acho que o lado negativo de um laxante é que o intestino fica preguiçoso, hoje dou um dia sim outro ñ mais graças a Deus e nossa senhora que ouviu meu desespero, o Lucas ñ tem mais medo de ir ao banheiro, pede quando esta com vontade ou até mesmo vai sozinho. Por mais quanto tempo ele vai usar, segundo o medico vai depender do organismo e claro retirando aos poucos. Gente eu sei como o sofrimento é grande já passei por isso e sou totalmente solidaria a quem esta nessa situação. Conversem com seus médicos, verifica o lado positivo e negativo e escolha a melhor para seu filho. Fiquem com Deus e espero ter ajudado. Bjs

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