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Dor de barriga pode ser enxaqueca abdominal

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O que é enxaqueca1 abdominal?

A enxaqueca1 abdominal é caracterizada por dor abdominal paroxística, abrupta e intensa, comumente acompanhada de náuseas2 e vômitos3. A enxaqueca1 abdominal foi reconhecida como uma variante da enxaqueca1 tradicional durante a década de 1990.

Saiba mais sobre "Náuseas2 e vômitos3" e "Enxaqueca1".

Quais são as causas da enxaqueca1 abdominal?

Tal como nas enxaquecas4 tradicionais, é muito difícil estabelecer as causas precisas da enxaqueca1 abdominal. Uma teoria não comprovada alega que as mudanças nos níveis fisiológicos de histamina5 e serotonina seriam responsáveis por ela. Ela afeta cerca de 2 em cada 100 crianças com enxaqueca1 e são muito raras em adultos. Mais meninas que meninos são acometidas por ela.

No entanto, alguns disparadores das crises podem ser reconhecidos: estar aborrecido ou preocupado; certos alimentos como chocolate, comida (chinesa) com glutamato monossódico e carnes processadas com nitritos. A ingestão de muito ar também pode desencadeá-las.

Quais são as principais características clínicas da enxaqueca1 abdominal?

Como o nome sugere, a enxaqueca1 abdominal é um tipo de enxaqueca1 sem os sintomas6 característicos da dor de cabeça7 tradicional. O sintoma8 mais comum da doença é dor abdominal, o que explica a denominação da doença. A enxaqueca1 abdominal afeta mais as crianças de 5 a 9 anos, mas adultos também podem ser acometidos. Ela é caracterizada por dor abdominal, náuseas2 e vômitos3.

Como dores abdominais podem ser devidas a uma ampla gama de condições, é muito difícil caracterizar a enxaqueca1 abdominal. No entanto, a Sociedade Internacional de Cefaleia9 estabeleceu alguns critérios para diagnosticá-la:

  1. Há uma história familiar de enxaquecas4 entre parentes do paciente (frequentemente uma criança).
  2. A maioria das crianças que sofrem de enxaqueca1 abdominal desenvolve dores de cabeça7 enxaquecosas ao atingir a puberdade.
  3. As meninas são mais afetadas que os meninos.
  4. A criança deve ter passado por um mínimo de cinco ataques no período de alguns dias.
  5. A dor abdominal pode ser de moderada ou grave e estar localizada ao longo da linha média do abdômen. Geralmente tem uma qualidade maçante ou de ferida e forte intensidade.
  6. A dor geralmente vem acompanhada com pelo menos dois dos seguintes sintomas6: anorexia10, náuseas2, vômitos3 e palidez.
  7. Os sintomas6 não devem ser atribuíveis a qualquer outro distúrbio.

Outros sintomas6 da enxaqueca1 abdominal incluem hipersensibilidade à luz e ao som (como na enxaqueca1 clássica) e tonturas11. Algumas crianças experimentam irritabilidade, diarreia12, perda de apetite e dores de cabeça7. Sombras arroxeadas também podem aparecer ao redor dos olhos13 da criança afetada.

Leia sobre "Dor abdominal", "Tontura14" e "Diarreia12".

Como o médico diagnostica a enxaqueca1 abdominal?

Como a dor abdominal pode ser atribuída a uma ampla gama de doenças, é muito difícil diagnosticar a enxaqueca1 abdominal. Não existem exames específicos para o diagnóstico15 desta patologia16. Um estudo detalhado dos sintomas6, bem como do histórico familiar médico do paciente ajuda na avaliação dessa condição.

A observação mais comum em pacientes com enxaqueca1 abdominal é uma dor abdominal recorrente, acompanhada por outros problemas gastrointestinais (anorexia10, náuseas2, vômitos3, etc). A presença de tais sintomas6 alerta os médicos para o diagnóstico15 da enxaqueca1 abdominal. Além destes sintomas6, a eletroencefalografia17 também pode ajudar a fazer um diagnóstico15 correto.

Como o médico trata a enxaqueca1 abdominal?

Não há um padrão definido de tratamento para a enxaqueca1 abdominal. Atualmente, os medicamentos usados para enxaqueca1 abdominal são os mesmos administrados para crianças afetadas pela enxaqueca1 tradicional e incluem analgésicos18, drogas antináuseas e sedativos. O fator mais importante, que ajuda a aliviar os sintomas6, é o repouso. A criança deve descansar e dormir em um quarto calmo e escuro.

Como prevenir a enxaqueca1 abdominal?

Tal como no caso das enxaquecas4 tradicionais, a enxaqueca1 abdominal em crianças também pode ser prevenida pela evitação dos alimentos que podem desencadear os sintomas6. O estresse também é considerado como um agente causal de enxaquecas4 abdominais. No caso de estresse, o aconselhamento psicológico e os cuidados para a promoção de um ambiente tranquilo para que a criança viva em paz e harmonia podem ser benéficos.

Veja também sobre "Dor de cabeça7" e "Eletroencefalograma19".

 

ABCMED, 2018. Dor de barriga pode ser enxaqueca abdominal. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/1314693/dor-de-barriga-pode-ser-enxaqueca-abdominal.htm>. Acesso em: 14 nov. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Enxaqueca: Sinônimo de migrânea. É a cefaléia cuja prevalência varia de 10 a 20% da população. Ocorre principalmente em mulheres com uma proporção homem:mulher de 1:2-3. As razões para esta preponderância feminina ainda não estão bem entendidas, mas suspeita-se de alguma relação com o hormônio feminino. Resulta da pressão exercida por vasos sangüíneos dilatados no tecido nervoso cerebral subjacente. O tratamento da enxaqueca envolve normalmente drogas vaso-constritoras para aliviar esta pressão. No entanto, esta medicamentação pode causar efeitos secundários no sistema circulatório e é desaconselhada a pessoas com problemas cardiológicos.
2 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
3 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
4 Enxaquecas: Sinônimo de migrânea. É a cefaléia cuja prevalência varia de 10 a 20% da população. Ocorre principalmente em mulheres com uma proporção homem:mulher de 1:2-3. As razões para esta preponderância feminina ainda não estão bem entendidas, mas suspeita-se de alguma relação com o hormônio feminino. Resulta da pressão exercida por vasos sangüíneos dilatados no tecido nervoso cerebral subjacente. O tratamento da enxaqueca envolve normalmente drogas vaso-constritoras para aliviar esta pressão. No entanto, esta medicamentação pode causar efeitos secundários no sistema circulatório e é desaconselhada a pessoas com problemas cardiológicos.
5 Histamina: Em fisiologia, é uma amina formada a partir do aminoácido histidina e liberada pelas células do sistema imunológico durante reações alérgicas, causando dilatação e maior permeabilidade de pequenos vasos sanguíneos. Ela é a substância responsável pelos sintomas de edema e irritação presentes em alergias.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Cabeça:
8 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
9 Cefaleia: Sinônimo de dor de cabeça. Este termo engloba todas as dores de cabeça existentes, ou seja, enxaqueca ou migrânea, cefaleia ou dor de cabeça tensional, cefaleia cervicogênica, cefaleia em pontada, cefaleia secundária a sinusite, etc... são tipos dentro do grupo das cefaleias ou dores de cabeça. A cefaleia tipo tensional é a mais comum (acomete 78% da população), seguida da enxaqueca ou migrânea (16% da população).
10 Anorexia: Perda do apetite ou do desejo de ingerir alimentos.
11 Tonturas: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
12 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
13 Olhos:
14 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
15 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
16 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
17 Eletroencefalografia: Registro da atividade elétrica cerebral mediante a utilização de eletrodos cutâneos que recebem e amplificam os potenciais gerados em cada região encefálica.
18 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
19 Eletroencefalograma: Registro da atividade elétrica cerebral mediante a utilização de eletrodos cutâneos que recebem e amplificam os potenciais gerados em cada região encefálica.
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