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Luxação do quadril - como ela é?

Monday, September 19, 2016
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Luxação do quadril - como ela é?

O que é luxação do quadril?

Uma luxação é o deslocamento parcial ou completo dos ossos de uma articulação. Luxação do quadril é a desconexão entre os ossos da bacia com os da coxa. Ela pode já existir no bebê, que já nasce com esse problema (luxação congênita) ou ser adquirida posteriormente. A luxação do quadril foi descrita pela primeira vez por Sir Astley Cooper, em 1791.

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Quais são as causas da luxação do quadril?

Em muitas ocasiões, as causas das luxações congênitas do quadril, também chamada displasia do quadril, permanecem desconhecidas. Geralmente, ela acontece quando o bebê tem uma formação anormal da articulação coxofemoral durante o desenvolvimento fetal. Um baixo nível de líquido amniótico, a apresentação pélvica do feto e uma história familiar são fatores contribuintes. Um parto trabalhoso também pode causar ou contribuir para a luxação congênita do quadril.

A luxação traumática do quadril deve-se à atuação de uma força traumática de alto impacto atuando direta ou indiretamente sobre a articulação coxofemural, 95% das quais causada por um acidente de trânsito. Frequentemente a luxação traumática do quadril é acompanhada por fraturas ou outras lesões.

Quais são as principais características clínicas da luxação do quadril?

A luxação do quadril pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em bebês (luxação congênita). Neles, a luxação pode só ser percebida quando o bebê começa a dar os primeiros passos. Ela incide mais em meninas que em meninos e ocorre mais na primeira gravidez, em que o útero ainda não foi distendido. No entanto, qualquer bebê, em qualquer gestação, pode apresentar a anormalidade. A luxação congênita do quadril pode ser assintomática até que a criança comece a andar ou mesmo precocemente o bebê pode apresentar pernas viradas para fora ou que pareçam ter tamanhos diferentes, amplitude limitada de movimentos, pregas desiguais nas pernas ou nádegas e atraso no desenvolvimento motor.

Nas luxações traumáticas é comum que haja fraturas associadas, principalmente da cabeça, colo ou diáfise do fêmur, fraturas do acetábulo, fraturas pélvicas, lesões do joelho, tornozelo e pé.

Saiba mais sobre "Fratura óssea", "Líquido amniótico", "Trabalho de parto" e "Gestação".

Como o médico diagnostica a luxação do quadril?

O exame clínico para diagnosticar a luxação congênita do quadril deve ser feito logo após o nascimento ou, pelo menos, durante o primeiro ano de vida. Há manobras específicas para detectar o problema. Em crianças maiores, observa-se um tamanho diferente das pernas, o mancar ao caminhar e uma abdução limitada.

Exames de imagens são usados para confirmar a suspeita de luxação congênita do quadril. Na luxação traumática, após a cabeça do fêmur ter sido colocada no seu lugar, novos exames radiográficos são realizados para avaliação da correção do tratamento e se há ou não fraturas. Muitas vezes a tomografia computadorizada ou mesmo a ressonância magnética faz-se necessária para avaliar as fraturas, se elas apresentam muitos fragmentos e se estão desviadas.

Como o médico trata a luxação do quadril?

No caso da luxação congênita do quadril, o tratamento dependerá da idade do bebê. Se ele for muito novo, deve ter as pernas imobilizadas por meios próprios e em posições especiais que facilitem a correção do problema. Se a criança for maior, pode ser preciso recorrer à cirurgia e manter as pernas imóveis por algumas semanas.

Nas luxações traumáticas, quando houver fratura, o tratamento deve levar em consideração a idade do paciente, sua condição clínica, as lesões associadas, o nível de atividade do paciente, tipo e localização da fratura e grau de desvio e de fragmentação da fratura. A fisioterapia pode ajudar muito na recuperação mais precoce e com melhores resultados.

Veja também "Como é a fisioterapia?".

Como evolui a luxação do quadril?

Cerca de 80 a 95% dos casos são resolvidos precocemente sem necessidade de cirurgia. Se a luxação não for solucionada prontamente, no início da infância, no futuro poderá resultar precocemente em artrite e dor intensa. Mesmo a luxação tratada deve continuar sendo vigiada, uma vez que pode recidivar.

Quais são as possíveis complicações da luxação do quadril?

As complicações vasculares (sobretudo arteriais) são as mais temíveis em relação à luxação do quadril. Nas luxações traumáticas há que se procurar sempre por outras lesões associadas.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da Cleveland Clinic, da Stanford Health Care e do National Health Service do Reino Unido.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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