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Líquido amniótico: o que é normal? O que não é?

Wednesday, September 19, 2012
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Líquido amniótico: o que é normal? O que não é?

O que é o líquido amniótico?

O líquido amniótico é o fluido que preenche a bolsa amniótica e no qual o embrião fica imerso durante a gestação. No início da gravidez ele tem aspecto transparente e à medida que ela evolui fica mais espesso e esbranquiçado (leitoso). Envolvendo o bebê, o líquido amniótico o protege de choques e movimentos bruscos, não deixa o cordão umbilical sofrer compressões e mantém a temperatura adequada dentro do útero. Além disso, torna menor a energia gasta com os movimentos fetais, tem importantes propriedades bacteriostáticas e ajuda na alimentação do bebê.

O exame do líquido amniótico através da amniocentese (retirada por punção de certa porção do líquido amniótico para análise em laboratório) pode produzir informações sobre doenças e alterações genéticas e cromossômicas do feto. Quando se fala que "a bolsa rompeu”, significa que o líquido amniótico está sendo expulso e isso marca o início do parto.

Como é produzido o líquido amniótico?

A bolsa amniótica normalmente forma-se a partir da segunda semana de gestação e é ela que coleciona em seu interior o líquido amniótico. Durante os primeiros quatro meses da gravidez, o líquido amniótico é produzido pela placenta e pelas membranas que envolvem a bolsa. Depois disso, é formado também pelas excreções dos rins do bebê, que eliminam sódio e concentram a ureia, modificando assim a sua composição química. O líquido amniótico deglutido pelo feto é reabsorvido no intestino dele e chega até os rins, onde é filtrado e novamente excretado para a bolsa amniótica. O aumento do líquido amniótico durante a gestação não é somente devido à excreção urinária, mas também depende da pele, da placenta, do trato gastrointestinal, do sistema respiratório e do cordão umbilical.

Líquido amniótico

Qual a quantidade ideal do líquido amniótico?

O líquido amniótico é continuamente produzido e reabsorvido pelo organismo durante a gestação. A quantidade total de líquido amniótico aumenta com o decorrer da gravidez e deve chegar a seu máximo de 800 a 1.000 ml nas 34ª a 36ª semanas de gestação. Depois desse tempo, o volume vai diminuindo aos poucos, até o final da gravidez.

A avaliação da quantidade do líquido amniótico por meio da ultrassonografia tornou-se um importante método de acompanhar a vitalidade e o desenvolvimento anatômico fetal e é, hoje em dia, um exame de rotina no acompanhamento pré-natal. Quando esse líquido está em menor ou maior quantidade do que deveria (oligodrâmnio ou polihidrâmnio, respectivamente) indica problemas para a mãe e para o bebê e requer correção.

Quais as causas conhecidas para o oligodrâmnio?

Nem sempre é possível reconhecer as causas da diminuição do volume do líquido amniótico, mas alguns fatores intervenientes nesse processo são sabidos:

  • Desidratação materna, com diminuição geral dos líquidos do corpo da grávida.
  • Ruptura parcial da bolsa amniótica, com perda de líquido amniótico pela vagina.
  • Problemas na placenta, que pode não estar produzindo sangue e nutrientes em quantidade adequada, fazendo com que bebês pequenos produzam uma menor quantidade de urina.
  • Malformações interferindo na produção de urina pelo bebê.
  • Síndrome da transfusão feto-fetal: no caso de gravidez de gêmeos pode acontecer que um bebê receba menos sangue e nutrientes que o outro, ficando com menos líquido amniótico. Normalmente, cada um dos gêmeos tem a sua própria bolsa.
  • Medicamentos: alguns remédios podem causar uma diminuição do líquido amniótico.

Se a quantidade de líquido estiver muito baixa e a gravidez estiver no seu terceiro trimestre, o médico pode optar por antecipar o parto, mas geralmente ele apenas acompanhará mais de perto a gravidez para se certificar que não esteja havendo sofrimento fetal, até que o parto se dê espontaneamente.

Quais as causas conhecidas para o polihidrâmnio?

Geralmente uma quantidade maior que 2.000 ml de líquido no último trimestre da gravidez, comumente associado com:

  • Diabetes mellitus da mãe.
  • Gravidez múltipla (de gêmeos).
  • Transtornos cromossômicos do feto.
  • Anormalidades congênitas.
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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