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Tipos de anestesia

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O que é anestesia1?

Anestesia1 (do grego: an=ausência + aisthēsis=sensação) é a condição em que uma pessoa tem suas sensibilidades (incluindo a dor) bloqueadas ou suspensas temporariamente, para permitir cirurgias e outros procedimentos médicos que causam dor ou angústia.

Outra definição comumente usada é a de "ausência reversível da consciência", do total ou de uma parte do corpo. A anestesia1 é induzida farmacologicamente e além de analgesia, causa também amnésia2, perda de responsividade, perda de reflexos musculares esqueléticos e de resposta ao estresse.

A palavra “anestesia” foi cunhada por Sir Oliver Wendell Holmes, em 1846.

Quais os tipos de anestesia1 que existem?

Há quatro tipos de técnicas anestésicas: (1) sedação3, (2) anestesia1 local, (3) anestesia1 geral e (4) bloqueios anestésicos regionais.

A sedação3 tem por objetivo reduzir a ansiedade do paciente, permitindo que determinadas pequenas cirurgias, procedimentos ou exames sejam realizados sem que o paciente sinta dores ou angústias. Os medicamentos aplicados por via venosa ou inalatória induzem o sono e desfazem a ansiedade. A sedação3 pode ser associada à anestesia1 local ou regional para permitir que o paciente permaneça tranquilo durante o ato cirúrgico.

A anestesia1 local é utilizada em pequenas regiões do corpo, quase sempre na pele4. Ela costuma ser feita também em biópsias5, punções profundas, suturas6 na pele4, etc.

Saiba mais sobre "Transtorno de ansiedade", "Neurose7 de angústia" e "Biópsias5".

A anestesia1 geral leva à hipnose (sono), analgesia (ausência de dor) e imobilidade. Ela é indicada para cirurgias de grande porte, envolvendo vísceras no interior de cavidades do corpo (tórax8 ou abdômen) ou outras condições médicas. A anestesia1 geral demanda assistência ventilatória, porque paralisa a respiração espontânea normal. Essa assistência é feita por meio de cânulas, máscaras especiais e tubos inseridos na traqueia9. A anestesia1 geral pode ser feita por meio de medicamentos venosos ou da inalação de gases anestésicos, mas frequentemente ambas as técnicas são usadas combinadamente. Pode-se associar também algum tipo de bloqueio anestésico regional, objetivando reduzir a dor no pós-operatório.

Os bloqueios anestésicos são anestesias regionais, em que uma parte do corpo fica insensível (geralmente braços, pernas ou parte inferior do abdômen), com preservação da consciência. Os bloqueios chamados periféricos são feitos por meio de injeção10 de anestésicos locais no trajeto de nervos. Quando aplicados na região da coluna espinhal podem ser de dois tipos: (1) raquianestesia e (2) anestesia1 peridural11.

Na raquianestesia, o anestésico é injetado dentro da membrana subaraquinoidea, na coluna lombar, e na anestesia1 peridural11 ele é administrado no espaço peridural11. Um dos exemplos mais conhecidos de bloqueio anestésico é aquele que ocorre em procedimentos ortopédicos dos membros inferiores e nas operações cesarianas. Em partos normais também pode ser utilizada qualquer uma dessas técnicas, porém a quantidade de anestésico utilizada é muito pequena.

Como se realiza a anestesia1 local?

Os anestésicos locais são injetados na região do corpo que se deseja anestesiar e assim bloqueiam localmente as terminações nervosas, que passam a não mais captarem impulsos de dor ou das demais sensibilidades, sem afetar a consciência. O anestésico local também pode vir sob a forma de pomada, creme ou gel, para aplicações superficiais na pele4 ou mucosas12. É importante que o anestésico local atinja seu local de ação em concentração suficiente para produzir a perda da sensibilidade dolorosa, mas isso nem sempre ocorre, como em regiões inflamadas e infeccionadas, por exemplo, em virtude, sobretudo, de alterações do pH dos tecidos.

Saiba mais sobre a "Anestesia1 local".

Como se realiza a anestesia1 geral?

A anestesia1 geral compreende quatro fases distintas:

  1. Sedação3: também chamada de pré-medicação, que acontece ainda fora do centro cirúrgico e é realizada para que o paciente chegue à cirurgia mais calmo e relaxado. Quase sempre é feita por meio de um ansiolítico de curta duração que proporciona ao paciente uma leve sedação3.
  2. Indução: feita com medicação endovenosa que induz a passagem do paciente ao estado de inconsciência13. Contudo, a anestesia1 ainda precisa ser aprofundada porque nesse estágio o paciente ainda pode sentir dor. Para que a cirurgia ou outro processo em causa possa ser realizado, o anestesista normalmente associa um potente analgésico14 derivado do ópio. Na fase inicial da indução, o paciente é intubado (uma cânula é colocada em sua traqueia9) e a respiração passa a se fazer mecanicamente.
  3. Manutenção: fase em que os fármacos têm uma duração menor que o procedimento a ser realizado, por isso, é necessário que continuem a ser administrados durante a execução do mesmo. Isso pode ser feito por via inalatória ou endovenosa.
  4. Recuperação: consiste na retirada dos anestésicos, objetivando findar a anestesia1 junto ao término do procedimento que está sendo executado. Alguns fármacos que atuam como antídotos do relaxamento muscular podem ser administrados, assim como também podem ser novamente administrados fármacos derivados do ópio, para que o paciente não acorde com dores. O paciente deve permanecer por algum tempo em uma sala de recuperação do centro cirúrgico até que os anestésicos sejam eliminados e o paciente comece a recobrar a consciência, voltando a respirar por si mesmo. Nesse momento, o tubo de intubação traqueal pode ser removido.
Veja mais sobre "Intubação endotraqueal" e "Anestesia1 geral".

Como se realiza a anestesia1 peridural11?

Devido à possibilidade (rara) de complicações, a anestesia1 peridural11 sempre deve ser feita num hospital. O paciente deve deitar-se em decúbito lateral15, com o pescoço16 e os joelhos dobrados, procurando atingir o tórax8, em posição fetal. A aplicação pode também ser realizada com o paciente assentado, recurvado em direção ao peito17, joelhos fletidos e abraçados em direção ao peito17. O médico decidirá a melhor postura, levando em conta as condições clínicas do paciente.

O médico acessa o espaço peridural11 com uma fina agulha através das costas18 do paciente, num intervalo intervertebral escolhido, tanto podendo ser realizada a nível cervical, torácico, lombar ou sacral, sendo mais fácil entre L3 e L5, onde o espaço peridural11 é maior. A agulha é penetrada até encontrar a resistência do ligamento amarelo19, a qual deve ser vencida para atingir-se o espaço peridural11.

O anestésico pode ser aplicado em dose única, pode ser repetido ou ser usado de forma contínua, o que exige a colocação de um cateter que permanecerá no local durante todo o tempo da anestesia1. Dentro de alguns minutos, após a injeção10 do anestésico, a pessoa deixará de sentir a parte do corpo visada, em virtude da anestesia1 das raízes nervosas20 correspondentes, geralmente da cintura para baixo.

Leia o artigo sobre a "Anestesia1 peridural11".

Como se realiza a raquianestesia?

O paciente é levado ao centro cirúrgico de uma clínica ou de um hospital e é deitado em uma mesa, na qual geralmente recebe uma sedação3 venosa que o deixa meio “grogue”. Então, deitado em decúbito lateral15 e curvado para frente, uma fina agulha é introduzida nas suas costas18, no intervalo entre as últimas vértebras lombares21 (L3/L4; L4/L5), até o canal medular, no espaço onde circula o líquor22 e onde será injetado o anestésico. A dor dessa introdução é inteiramente suportável, mas para evitá-la costuma ser feita uma anestesia1 local.

Para alguns procedimentos médicos, basta uma injeção10 única. Para que o efeito da raquianestesia se prolongue por um tempo maior, se necessário, pode ser deixado um cateter, pelo qual novas doses da medicação podem ser injetadas. A perda das sensações e dos movimentos começa de baixo para cima (dos pés para o umbigo23) e a recuperação se dá no sentido contrário (do umbigo23 para os pés).

Leia mais sobre a "Raquianestesia".

Quais são as complicações possíveis dos diferentes tipos de anestesia1?

Existe o mito de que a anestesia1 geral é perigosa. No entanto, isso não é verdade, a anestesia1 geral é bastante segura. Em pessoas saudáveis, a taxa de complicações não passa de 1,4 para cada milhão de pacientes anestesiados. Os problemas que podem surgir devem-se quase sempre às condições mórbidas pré-existentes, cardíacas, pulmonares, renais ou hepáticas24.

 

ABCMED, 2016. Tipos de anestesia. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1275243/tipos+de+anestesia.htm>. Acesso em: 25 ago. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
2 Amnésia: Perda parcial ou total da memória.
3 Sedação: 1. Ato ou efeito de sedar. 2. Aplicação de sedativo visando aliviar sensação física, por exemplo, de dor. 3. Diminuição de irritabilidade, de nervosismo, como efeito de sedativo. 4. Moderação de hiperatividade orgânica.
4 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
5 Biópsias: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
6 Suturas: 1. Ato ou efeito de suturar. 2. Costura que une ou junta partes de um objeto. 3. Na anatomia geral, é um tipo de articulação fibrosa, em que os ossos são mantidos juntos por várias camadas de tecido conjuntivo denso; comissura (ocorre apenas entre os ossos do crânio). 4. Na anatomia botânica, é uma linha de espessura variável que se forma na região de fusão dos bordos de um carpelo (ou de dois ou mais carpelos concrescentes). 5. Em cirurgia, ato ou efeito de unir os bordos de um corte, uma ferida, uma incisão, com agulha e linha especial, para promover a cicatrização. 6. Na morfologia zoológica, nos insetos, qualquer sulco externo semelhante a uma linha.
7 Neurose: Doença psiquiátrica na qual existe consciência da doença. Caracteriza-se por ansiedade, angústia e transtornos na relação interpessoal. Apresenta diversas variantes segundo o tipo de neurose. Os tipos mais freqüentes são a neurose obsessiva, depressiva, maníaca, etc., podendo apresentar-se em combinação.
8 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
9 Traqueia: Conduto músculo-membranoso com cerca de 22 centímetros no homem e de 18 centímetros na mulher. Da traqueia distingue-se uma parte que faz continuação direta à laringe (porção cervical) e uma parte que está situada no tórax (porção torácica). Possui anéis cartilaginosos em número variável de 12 a 16, unidos entre si por tecido fibroso. Destina-se à passagem do ar. A traqueia é revestida com epitélio ciliar que auxilia a filtração do ar inalado.
10 Injeção: Infiltração de medicação ou nutrientes líquidos no corpo através de uma agulha e seringa.
11 Peridural: Mesmo que epidural. Localizado entre a dura-máter e a vértebra (diz-se do espaço do canal raquidiano). Na anatomia geral e na anestesiologia, é o que se localiza ou que se faz em torno da dura-máter.
12 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
13 Inconsciência: Distúrbio no estado de alerta, no qual existe uma incapacidade de reconhecer e reagir perante estímulos externos. Pode apresentar-se em tumores, infecções e infartos do sistema nervoso central, assim como também em intoxicações por substâncias endógenas ou exógenas.
14 Analgésico: Medicamento usado para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
15 Decúbito lateral: O corpo está deitado de lado. Direito ou esquerdo.
16 Pescoço:
17 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
18 Costas:
19 Ligamento Amarelo: Feixes pareados de tecido elástico amarelo, que conectam as lâminas adjacentes das vértebras. Forma (com as lâminas) a parede posterior do canal espinhal, contribuindo para manter o corpo ereto. Sinônimos: Ligamentos Amarelos
20 Raízes nervosas:
21 Vértebras Lombares:
22 Líquor: Líquido cefalorraquidiano (LCR), também conhecido como líquor ou fluido cérebro espinhal, é definido como um fluido corporal estéril, incolor, encontrado no espaço subaracnoideo no cérebro e na medula espinhal (entre as meninges aracnoide e pia-máter). Caracteriza-se por ser uma solução salina pura, com baixo teor de proteínas e células, atuando como um amortecedor para o córtex cerebral e a medula espinhal. Possui também a função de fornecer nutrientes para o tecido nervoso e remover resíduos metabólicos do mesmo. É sintetizado pelos plexos coroidais, epitélio ventricular e espaço subaracnoideo em uma taxa de aproximadamente 20 mL/hora. Em recém-nascidos, este líquido é encontrado em um volume que varia entre 10 a 60 mL, enquanto que no adulto fica entre 100 a 150 mL.
23 Umbigo: Depressão no centro da PAREDE ABDOMINAL, marcando o ponto onde o CORDÃO UMBILICAL entrava no feto. OMPHALO- (navel)
24 Hepáticas: Relativas a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
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