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Vacinas contra o coronavírus

Thursday, June 18, 2020
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Vacinas contra o coronavírus

A grande expectativa: vacinas contra o coronavírus

A grande expectativa de todo mundo está na chegada de uma vacina contra o coronavírus. No momento, pelo menos 10 vacinas estão em teste clínico, utilizando técnicas e caminhos biológicos diferentes. É, pois, de se prever, que no futuro teremos mais de uma diferente vacina contra o coronavírus. As vacinas imunizarão as pessoas em relação ao vírus, fazendo com que disponham de anticorpos que possam combatê-lo.

Contudo, as pesquisas de uma vacina devem cumprir três etapas técnicas indispensáveis, após as quais tem de enfrentar ainda as tarefas de produção, comercialização e distribuição. Tudo isso faz com que não seja razoável esperar-se por uma vacina a curto prazo. As previsões mais otimistas são de que as vacinas só estarão em uso daqui a cerca de um ano.

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O que é uma vacina?

Uma vacina é uma suspensão de microrganismos patogênicos (vírus ou bactérias), mortos ou atenuados, ou seus derivados, introduzida num organismo a fim de provocar a formação de anticorpos contra determinado agente infectante, sem que a pessoa tenha contraído a doença. Assim, uma vacina é uma preparação biológica que fornece imunidade adquirida ativa para uma doença particular. A função de uma vacina é estimular uma resposta imunológica do organismo, que passa a produzir anticorpos contra determinada doença.

Cada vacina age apenas contra um único germe. Contudo, existem vacinas que são administradas conjuntamente, mas na verdade são duas ou mais vacinas dispensadas em uma única administração, como a vacina tríplice viral, que é composta por três vacinas em uma única injeção: sarampo, rubéola e caxumba. O sistema imune é estimulado simultaneamente e separadamente contra esses três vírus e produz anticorpos específicos para cada um deles. No entanto, nem toda vacina pode ser dada em conjunto com outras.

São exemplos de vacinas de vírus vivos atenuados: BCG, dengue, febre amarela, herpes zoster, poliomielite, rotavírus, sarampo, caxumba, rubéola e varicela. As vacinas contra gripe, tétano, meningite, pneumonia, hepatite e câncer de colo uterino são feitas com germes mortos. As vacinas com germes mortos são as mais seguras, porém costumam apresentar uma capacidade de imunização mais baixa e/ou menos duradoura, sendo necessárias mais de uma dose para criar uma proteção prolongada.

As vacinas são seguras e causam poucas reações adversas, geralmente leves e de curta duração. Algumas delas podem apresentar contraindicações específicas, que devem ser comunicadas previamente ao ato da vacinação.

Pesquisas de vacinas contra o coronavírus em andamento

Pesquisas Brasileiras

O governador de São Paulo anunciou dia 11/06/20 uma parceria entre o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac Biotech, que vai produzir em São Paulo uma vacina contra o coronavírus. A vacina contém apenas fragmentos do vírus morto, com baixa toxicidade. O prazo previsto para a utilização dessa vacina em grande escala, se tudo correr bem, é junho/julho de 2021. O país tem também acordos com outros laboratórios internacionais na tentativa de produção de uma vacina contra o coronavírus.

Pesquisas Russas

O governo russo anunciou em 13/06/20 que, em setembro de 2020, começará a produzir uma vacina contra o novo coronavírus. A vacina é baseada no DNA de um adenovírus do tipo SARS-CoV-2. Segundo o governo Russo, a vacina já foi testada de forma não oficial com a ajuda de voluntários do próprio centro e todos os pacientes estão bem e desenvolveram imunidade ao vírus.

Pesquisas Chinesas

A China está pesquisando a possibilidade de mais de uma vacina. A vacina até agora mais desenvolvida pelos pesquisadores chineses teve resultados promissores em um teste inicial. Essa vacina é feita com adenovírus recombinante e se mostrou capaz de fazê-los produzir células que combatem o novo coronavírus. Uma dose única da nova vacina já produz anticorpos contra o novo coronavírus em 14 dias e sem efeitos colaterais graves. Agora, os pesquisadores vão ampliar os testes.

Pesquisas Norte-Americanas

Os Estados Unidos também estão desenvolvendo mais de uma tentativa de vacina. Uma delas é da empresa Moderna, de Massachusetts, nos Estados Unidos. A vacina é baseada em um ácido ribonucleico mensageiro, que só usa um pequeno segmento do código genético do vírus. Com isso, esperam provocar uma resposta favorável do sistema imunológico. Outra vacina é da Inovio Pharmaceuticals, da Pensilvânia. Esta pesquisa é focada na injeção direta de DNA do vírus para o interior das células para que elas produzam anticorpos que combatam a infecção.

Pesquisas do Reino Unido

A Inglaterra está testando desde 23 de abril deste ano, na Universidade de Oxford, uma vacina recombinante, semelhante à de uma das empresas chinesas. No entanto, ela está usando uma versão atenuada de um adenovírus, comum no resfriado e responsável por causar infecção em chimpanzés. O vírus foi alterado geneticamente para que não cresça em humanos, mas, apesar de não ser prejudicial, expressa a proteína do coronavírus que pode gerar uma resposta imune. Esta parece ser a vacina em estágio mais adiantado de avaliação. No dia 22/05/20, a vacina entrou numa segunda fase de testes, tendo seus resultados finais previstos para setembro/outubro de 2020.

Desafios da vacina contra o coronavírus

São três os principais desafios da vacina contra o coronavírus:

  • Garantir a segurança da vacina. Várias vacinas para SARS foram testadas em animais. A maioria delas melhorou a sobrevivência dos animais, mas não impediu a infecção. Algumas causaram complicações, como danos aos pulmões. Uma vacina segura contra o vírus da COVID-19 precisará ser exaustivamente testada para garantir sua segurança para os seres humanos.
  • Fornecer proteção a longo prazo. Após a infecção pelo coronavírus, a reinfecção com o mesmo vírus - embora geralmente leve e acontecendo apenas em uma fração das pessoas - é possível após um período de meses ou anos. Uma vacina eficaz contra a COVID-19 precisará fornecer às pessoas proteção contra infecções a longo prazo.
  • Proteger os idosos. Pessoas com mais de 50 anos de idade apresentam maior risco de COVID-19 grave. Mas pessoas idosas geralmente não respondem tão bem às vacinas quanto as pessoas mais jovens. Uma vacina ideal contra o vírus da COVID-19 precisa funcionar bem para essa faixa etária.
Leia também sobre "Coronavírus - como é, como uma pessoa se infecta e como evitar a contaminação" e "Mapeando o coronavírus SARS-CoV-2".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da World Health Organization e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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