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Lesões que podem ocorrer na mulher durante o parto

Monday, April 15, 2024
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Lesões que podem ocorrer na mulher durante o parto

Quais são as lesões que podem ocorrer na mãe durante o parto?

O parto normal é um processo natural complexo que pode envolver várias mudanças no corpo da mulher para permitir a passagem do bebê pelo canal do parto. A maneira como cada mulher passa pelo trabalho de parto é extremamente variável.

Algumas mulheres passam por ele sem experimentar nenhum tipo de lesão; outras sofrem lesões sem gravidade que, em geral, são temporárias e se curam naturalmente; e algumas outras podem sofrer lesões que demandam atenção. Dentre as lesões possíveis estão:

  1. Lacerações perineais, que são cortes ou rasgos feitos espontaneamente na região entre a vagina e o ânus (períneo).
  2. Episiotomia, que é uma incisão feita deliberadamente no períneo para facilitar a passagem do bebê.
  3. Hematoma, que é o acúmulo de sangue em um tecido, muitas vezes causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo. Pode ocorrer no períneo ou em outras áreas do trato genital.
  4. O colo do útero pode sofrer pequenas lacerações durante o parto.
  5. Em casos raros, o útero pode se deslocar para fora da vagina devido ao enfraquecimento dos músculos e ligamentos de suporte (prolapso uterino).
  6. Em alguns casos, a bexiga ou a uretra podem ser afetadas, resultando em incontinência urinária temporária.
  7. O esforço durante o parto pode causar lesões nos músculos do assoalho pélvico.
  8. Embora seja rara, a embolia amniótica ocorre quando o líquido amniótico entra na corrente sanguínea da mãe, podendo causar complicações, às vezes graves.

Além disso, o parto complicado (usualmente chamado “parto difícil”) pode causar lesões de maior monta e gravidade à mulher. Algumas das lesões que podem ocorrer durante um “parto difícil” incluem, além de lacerações perineais e episiotomia:

  1. Lesões vesicais e/ou retais, causando problemas urinários ou intestinais.
  2. Em situações extremas, o parto normal pode causar lesões nos órgãos internos, principalmente o útero, causando hemorragias internas.
  3. Podem ocorrer lesões nos nervos, causando dor, dormência ou outras sensações anormais na região pélvica.
Saiba mais sobre "Parto vaginal", "Cesárea" e "Trabalho de parto".

Quais fatores podem tornar um “parto difícil”?

Vários fatores podem contribuir para tornar um parto mais difícil que o normal e mais propenso a produzir lesões na mãe. Algumas das causas que podem tornar um parto mais desafiador incluem:

  • Tamanho do bebê, pois bebês excessivamente grandes têm mais dificuldade para nascer.
  • Se o bebê não estiver na posição adequada para o parto (de cabeça para baixo) isso pode tornar o processo mais difícil.
  • A distocia de ombro acontece quando a cabeça do bebê passa pelo canal de parto, mas os ombros ficam presos atrás da pelve da mãe. Isto causa complicações tanto na mãe quanto no bebê.
  • O trabalho de parto pode se estender por um período mais longo do que o esperado, tornando-o mais desgastante para a mãe.
  • Se a pelve da mãe não for suficientemente grande para a passagem da cabeça do bebê (desproporção pélvico-fetal), pode ocorrer dificuldade durante o parto.
  • Se as contrações uterinas não são fortes ou frequentes o suficiente, podem retardar o progresso do parto.
  • Algumas intervenções médicas, como a administração excessiva de medicamentos para indução do parto, podem tornar o processo mais complicado.
  • Condições médicas preexistentes da mãe, como diabetes gestacional, hipertensão ou obesidade, podem aumentar o risco de complicações durante o parto.
  • Idade materna avançada pode trazer desafios adicionais durante o parto.
  • Uma cicatriz de cesariana anterior pode aumentar o risco de complicações, especialmente se a mãe tentar um parto vaginal após cesariana.

Quais são as intercorrências mais frequentes no parto que têm repercussões para a mãe?

As intercorrências durante o parto podem variar significativamente de uma gestante para outra, dependendo de diversos fatores, como a saúde materna, a progressão do trabalho de parto, a presença de complicações obstétricas e outros elementos específicos de cada caso. No entanto, algumas intercorrências são mais comuns e podem incluir:

  1. O trabalho de parto muito prolongado é excessivamente desgastante para a mulher, podendo resultar num quadro de esgotamento total.
  2. Se o bebê está numa posição de apresentação pélvica ou transversa, em vez da cefálica, o parto pode se tornar mais difícil e prolongado, às vezes demandando cesariana.
  3. Quando a bolsa amniótica se rompe antes do início do trabalho de parto, o nascimento do bebê se torna mais urgente.
  4. Se há uma perda excessiva de sangue após o nascimento do bebê, a solução do problema se torna mais urgente.
  5. Se há uma dificuldade na descida da cabeça do bebê pelo canal de parto, o nascimento se torna mais difícil e demorado.
  6. Quando a placenta se separa da parede do útero antes do parto isso representa uma urgência.
  7. Quando surgem complicações que estejam dificultando ou impedindo o nascimento do bebê, torna-se necessária uma intervenção cirúrgica de emergência (cesariana de emergência) para a qual a mulher pode não ter sido adequadamente preparada.

Como evoluem as lesões que podem ocorrer na mãe durante o parto?

As lacerações perineais são classificadas de acordo com sua gravidade, sendo de primeiro, segundo, terceiro e quarto graus. Quanto mais profunda a lesão, maior o grau. Geralmente, lacerações de primeiro e segundo graus cicatrizam bem com cuidados adequados. Lacerações de terceiro e quarto graus podem exigir intervenção cirúrgica para reparo e podem levar mais tempo para cicatrizar completamente.

Lesões menores do colo do útero podem cicatrizar espontaneamente, enquanto lesões mais extensas podem necessitar de suturas. Em alguns casos, podem ser necessárias intervenções adicionais. A distensão dos tecidos perineais pode ocorrer, resultando em hematoma, a maioria dos quais melhora com o tempo e cuidados adequados, como compressas frias e repouso. Lesões uterinas podem exigir intervenção cirúrgica para reparo, dependendo da extensão da lesão.

Alguns casos de incontinência podem melhorar com o tempo, fisioterapia ou intervenções cirúrgicas. A recuperação dos danos nos nervos pode levar tempo, e em alguns casos, pode haver uma recuperação completa, enquanto em outros, podem persistir sintomas. Os edemas e equimoses diminuem com o tempo e não costumam causar problemas duradouros.

No entanto, cada caso é único, e a evolução das lesões pode variar de uma mulher para outra. O acompanhamento médico adequado e o cumprimento das orientações pós-parto são essenciais para garantir uma recuperação adequada.

Conheça sobre "Parto Leboyer", "Parto de cócoras" e "Parto na água" .

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites Pregnancy, Birth and Baby e Sidney Pelvic Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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