sexta-feira, 30 de julho de 2010

abc.med.br - quarta-feira, 07 de outubro de 2009 - 15:16
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Gastrite. O que sente uma pessoa com gastrite?

O que é gastrite1?

Gastrite1 significa inflamação2 da mucosa3 do estômago4 e deve ser descrita de acordo com critérios histológicos, ou seja, mesmo que o seu diagnóstico5 seja sugerido por sinais6 ou sintomas7 clínicos, radiológicos ou mesmo endoscópicos, a confirmação final só deve ser feita através do exame microscópico. O que acontece muitas vezes é que durante uma endoscopia8 os sinais6 são tão exuberantes que o exame histológico (biópsia9) é dispensado para uma segunda etapa de controle do tratamento.

É um termo usado para descrever um grupo de condições que tem em comum a inflamação2 do estômago4, frequentemente resultado da infecção10 pela mesma bactéria11 que causa a úlcera12 no estômago4 - o Helicobacter pylori.


Quais os tipos de gastrite1?

A gastrite1 pode ser erosiva, não erosiva, aguda ou crônica.
 
A diferenciação em gastrite1 aguda ou crônica é feita através da visualização, no microscópio, da presença de células específicas que identificam a presença de inflamação2 aguda ou crônica.

A gastrite1 pode acontecer de repente (gastrite1 aguda) ou ir se desenvolvendo lentamente (gastrite1 crônica). Em alguns casos, a gastrite1 pode estar ligada às úlceras13 do estômago4 e aumentar o risco de desenvolver câncer14 gástrico. Para a maioria das pessoas, entretanto, ela não é um problema sério e melhora rapidamente com o tratamento.


Quais são os sintomas7 da gastrite1?

Os sinais6 e sintomas7 incluem:

  • Sensação de queimação, dor ou indigestão na região superior do abdome que pode melhorar ou piorar com a alimentação
  • Náuseas15
  • Vômitos16
  • Perda de apetite
  • Sensação de plenitude gástrica depois da alimentação
  • Aumento dos gases ou sensação de inchaço no estômago4
  • Perda de peso

Os sintomas7 mais comuns na gastrite1 aguda são náuseas15, queimação ou desconforto no abdome superior. Já na gastrite1 crônica, é mais comum dor, plenitude gástrica ou perda de apetite. Para muitas pessoas, no entanto, a gastrite1 crônica não causa sinais6 ou sintomas7.

 

Quando consultar um médico?

É raro uma pessoa que nunca teve indigestão ou dor no estômago4. A maioria dos casos de indigestão é passageiro e não requer atendimento médico. Mas se você apresenta sinais6 ou sintomas7 por uma semana ou mais, procure um médico (gastroenterologista ou clínico geral). Fale com ele quando começou a sentir os incômodos, diga se usou algum medicamento por conta própria, especialmente aspirina ou outros anti-inflamatórios.

Caso você vomite sangue17 vermelho vivo ou em cor de “borra de café” ou tenha fezes escuras, você precisa procurar atendimento médico imediato para saber a causa do problema.


Quais são as causas de gastrite1?

Uma barreira de muco protege a parede do estômago4 das agressões dos ácidos produzidos pelo próprio estômago4 para ajudar na digestão18 dos alimentos. O enfraquecimento desta barreira permite que os sucos digestivos danifiquem e inflamem o revestimento interno do estômago4, causando a gastrite1.

Vários fatores podem contribuir para desencadeá-la, como:

Infecção10 bacteriana
Infecção10 pelo Helicobacter pylori pode causar mais comumente a gastrite1 crônica. Metade da população mundial pode estar infectada por esta bactéria11. A maioria dos infectados não apresenta complicações. Em algumas pessoas, o H.pylori pode romper a barreira de proteção do estômago4 causando mudanças no revestimento interno deste órgão. Esta vulnerabilidade à bactéria11 pode ser herdada ou adquirida.

Uso regular de anti-inflamatórios
Anti-inflamatórios não esteroides como ibuprofeno e naproxeno ou aspirina podem causar gastrite1 aguda ou crônica. Estas substâncias reduzem a produção de uma substância chave que ajuda a preservar o revestimento interno protetor do estômago4. Problemas no estômago4 são menos comuns de acontecer quando estes medicamentos são usados apenas eventualmente.

Excesso de álcool
O álcool pode irritar a mucosa3 gástrica, o que torna o estômago4 mais vulnerável aos sucos gástricos. O uso excessivo de álcool pode causar gastrite1 aguda.

Estresse
O estresse severo como uma cirurgia de grande porte, injúrias traumáticas, queimaduras ou infecções graves podem causar gastrite1 aguda. Não há comprovação científica sobre uma relação direta entre desenvolvimento de gastrite1 e estresse psicológico.

Refluxo biliar
A bile19, fluido que ajuda na digestão18 de gorduras, é produzida pelo fígado20 e estocada na vesícula biliar21. A válvula pilórica evita o refluxo da bile19 do intestino ao estômago4, mas se esta válvula não está funcionando bem ou precisou ser removida por uma cirurgia, a bile19 pode refluir para o estômago4 e levar à inflamação2 e à gastrite1 crônica. O próprio corpo ataca as células do seu estômago4, é a chamada “gastrite auto-imune”. Ela é mais comum em pessoas com outros problemas imunológicos como doença de Hashimoto, doença de Addison e diabetes tipo 122, e também pode estar associada à deficiência de vitamina23 B12.

Outras doenças e condições
A gastrite1 pode estar associada a outras condições médicas como AIDS/HIV24, doença de Crohn, infecções parasitárias, algumas doenças do tecido25 conectivo, insuficiência renal26 ou hepática.

Envelhecimento
O aumento da idade pode aumentar o risco de gastrite1 pois o revestimento interno do estômago4 tende a ficar mais fino com a idade, a chamada "gastrite atrófica". Idosos têm maior probabilidade de ter infecção10 pelo Helicobacter pylori e doenças auto-imunes que pessoas mais jovens.


Uma pessoa que tem gastrite1 está sujeita a complicações?

Se não tratada, a gastrite1 pode levar a úlceras13 no estômago4 e sangramento. Algumas formas de gastrite1 crônica podem aumentar o risco de câncer14 no estômago4, especialmente se você têm um revestimento interno fino no estômago4 e alterações nas células da mucosa3 gástrica.

Fale com seu médico se os sinais6 e sintomas7 não estão melhorando apesar do tratamento da gastrite1.

Comentários

02/04/2010 20:50 - Comentário feito por Lílian Andrade
Re: Gastrite. O que sente uma pessoa com gastrite?
Encontrei todas as informações necessárias.
Obrigada!

24/02/2010 20:30 - Comentário feito por bruno
Re: Gastrite. O que sente uma pessoa com gastrite?
muito bom esse site e muito esclarecedor.
parabens quem os desenvolveram.

20/02/2010 10:17 - Comentário feito por zelia Temin
Re: Gastrite. O que sente uma pessoa com gastrite?
Tenho gastrite que adveio de ulcera e agora com a idade e com as paredes mais finas do estomago sinto bastante enjoô pela manhã, nausea. Penso que minha gastrite já é crônica. Tomava Pantoprazol e também Omeprazol e percebi que cada um desses remédios têm seus efeitos, também a maneira de como tomá-los é diferente, agora foi receitado "ranitidina" e vou observar quais serão as reações adversas, pois todo remédio as tem. Nao gosto de tomar remédios, pela própria experiência, mas vou novamente experimentar.
28/01/2010 11:23 - Comentário feito por luis apolinario
Re: Gastrite. O que sente uma pessoa com gastrite?

Optimos os esclarecimentos e de perfeita compreenção

Muito grato
Apolinario

Glossário

1 Gastrite: Inflamação aguda ou crônica da mucosa do estômago. Manifesta-se por dor na região superior do abdome, acidez, ardor, náuseas, vômitos, etc. Pode ser produzida por infecções, consumo de medicamentos (aspirina), estresse, etc.
2 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
3 Mucosa: Nome dado ao conjunto de tecidos que formam a cobertura superficial das diferentes cavidades do corpo que se comunicam com o meio externo. P.ex. mucosa respiratória, mucosa da cavidade oral, etc.
4 Estômago: O estômago é o órgão situado logo abaixo do diafragma, mais precisamente entre o esôfago e o duodeno. Ele tem a função de armazenar por pequeno período os alimentos, para que possam ser misturados ao suco gástrico e digeridos.
5 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
6 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
7 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
8 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
9 Biópsia: Obtenção de uma amostra de tecido de um organismo vivo para fins diagnósticos.
10 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
11 Bactéria: Organismo unicelular, capaz de auto-reproduzir-se. Existem diferentes tipos de bactérias, classificadas segundo suas características de crescimento (aeróbicas ou anaeróbicas, etc.), sua capacidade de absorver corantes especiais (Gram positivas, Gram negativas), segundo sua forma (bacilos, cocos, espiroquetas, etc.). Algumas produzem infecções no ser humano, que podem ser bastante graves.
12 Úlcera: Ferida superficial em tecido cutâneo ou mucoso que pode ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
13 Úlceras: Feridas superficiais em tecido cutâneo ou mucoso que podem ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
14 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
15 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
16 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial.
Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
17 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
18 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
19 Bile: Líquido secretado pelo fígado e acumulado na vesícula biliar, com abundante quantidade de bilirrubina, colesterol e pigmentos biliares. Tem importante função na digestão de gorduras. É lançada na porção inicial do intestino delgado através de um conduto chamado hepato-colédoco.
20 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
21 Vesícula biliar: A vesícula biliar é um órgão muscular responsável pelo armazenamento da bile e está presente na maioria dos vertebrados. No ser humano é um saco membranoso em formato de pêra, que situa-se abaixo do lóbulo direito do fígado, logo atrás das costelas inferiores.
22 Diabetes tipo 1: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada por deficiência na produção de insulina. Ocorre quando o próprio sistema imune do organismo produz anticorpos contra as células-beta produtoras de insulina, destruindo-as. O diabetes tipo 1 se desenvolve principalmente em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos. Há tendência em apresentar cetoacidose diabética.
23 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
24 HIV: Abreviatura em inglês do vírus da imunodeficiência humana. É o agente causador da AIDS.
25 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
26 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
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