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O que é a telemedicina? Como ela pode ser usada em benefício dos pacientes?

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O que é a telemedicina?

O prefixo “tele” tem origem na palavra grega τελε, que significa distância. Ele é o mesmo que compõe as palavras telefone, televisão, etc. Assim, num sentido amplo, a telemedicina abrange toda prática médica realizada à distância, independente do instrumento utilizado para essa relação, embora atualmente seja baseada no uso das modernas tecnologias de telecomunicações. Ela torna possível que os profissionais de saúde1 (e não só os médicos) avaliem, diagnostiquem e tratem pacientes à distância, permitindo a interpretação remota de exames e a emissão de laudos médicos e, eventualmente, de receitas médicas.

Em sentido amplo, a telemedicina exercida através do telégrafo ou do telefone é de uso muito antigo. A prática moderna da telemedicina teve origem em Israel, em 1950, e é bastante aplicada nos Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa. Embora no início poucos hospitais utilizassem televisões para chegar a pacientes em locais remotos, o avanço dos meios de comunicação tornou o contato entre médico / profissionais de saúde1 e paciente mais simples e prático, e assim a prática se tornou mais comum.

Qual é a razão da telemedicina?

A telemedicina não deve apenas ser usada como alternativa à medicina presencial quando essa for impossível ou desaconselhável. O uso da telemedicina como alternativa traz muitos benefícios para pacientes2 e profissionais. Os pacientes desfrutam de menor tempo fora do trabalho, sem despesas de viagem, maior privacidade e maior segurança ao não se expor a salas de espera ou clínicas potencialmente contaminadas e a outros pacientes potencialmente contagiosos. Os profissionais desfrutam de aumento em suas receitas, uma resposta à ameaça competitiva de clínicas populares, melhor acompanhamento dos pacientes e menos cancelamentos e compromissos perdidos.

Em muitos casos, a telemedicina não substitui a medicina presencial, mas em outros ela cumpre integralmente os objetivos clínicos. Ela pode ser usada com efeitos plenos nas visitas de acompanhamento de rotina. Nesse caso, ela não é apenas mais eficiente para profissionais e pacientes, mas também aumenta a probabilidade de que o paciente mantenha o devido acompanhamento. Ela também permite o gerenciamento remoto de doenças crônicas, a instrução sobre os cuidados pós-hospitalização e permite o suporte de cuidados preventivos como, por exemplo, controle do peso ou instruções antitabagistas. Além disso, ela pode transmitir importantes instruções iniciais e imediatas em situações de urgência3.

Num sentido mais amplo, a comunicação tele vem sendo usada em larga escala na Medicina para trocar informações, para publicação de artigos científicos, para discussão de casos clínicos, para informar resultados de exames laboratoriais, para assistência a pacientes crônicos, idosos e gestantes de alto risco, para assistência a pacientes com dificuldades de locomoção, para construção de bancos de dados epidemiológicos, para discussão de casos clínicos de doenças raras, para educação continuada à distância dos profissionais de saúde1, para informações de tratamento de doenças e para cirurgias em tempo real, usando robôs controlados à distância.

Uma outra grande vantagem da telemedicina é sua aplicação na assistência primária a pequenas comunidades em regiões geográficas distantes dos grandes centros urbanos. Estas regiões estão entre as áreas de maior risco no processo adoecer e morrer, devido à escassez de profissionais habilitados em identificar doenças, tratá-las e promover a saúde1 em nível local. Ademais, um dos principais motivos disso são os escassos recursos de auxílio aos diagnósticos e tratamentos. Acredita-se que a telemedicina possa ampliar as ações de profissionais e agentes comunitários de saúde1, integrando-os aos serviços de saúde1, localizados em hospitais e centros de referência, mantendo um mecanismo de atendimento contínuo para prevenção, diagnóstico4 e tratamento.

Atualmente já é possível a telecirurgia, em que um cirurgião comanda um robô à distância, desde que haja uma equipe cirúrgica da mesma especialidade que o cirurgião à distância.

A telemedicina no Brasil

As primeiras experiências de telemedicina no Brasil começaram em 1994, com a transmissão à distância de exames de eletrocardiograma5. Em 1996, o InCor tornou possível o monitoramento de pacientes em domicílio. Na última década, e graças à grande evolução da tecnologia da comunicação, por um lado, e à formação de núcleos de pesquisas nas Universidades, por outro, os programas de telemedicina cresceram muito. Com a crise da Covid-19, a telemedicina ganhou os holofotes e suscitou novos debates: trata-se de um avanço necessário ou de um retrocesso, com consequências negativas para a relação médico-paciente?

A Associação Médica Brasileira afirma que “acredita que a incorporação de novas tecnologias à Medicina é um caminho sem volta”. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Ministério da Saúde1 publicaram normas para “regular e operacionalizar medidas de enfrentamento emergencial visando à saúde1 pública, tendo em vista a propagação do novo coronavírus” em que a Telemedicina é reconhecida e incentivada. Para o CFM, a teleconsulta subentende, como premissa obrigatória, o prévio estabelecimento de uma relação presencial entre médico e paciente. No caso de doenças crônicas, com atendimentos a longo prazo, é recomendada uma conduta presencial pelo menos a cada 120 dias.

Leia sobre "Preparação para a consulta por telemedicina".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da U.S. National Library of Medicine e da Agência Brasil.

ABCMED, 2020. O que é a telemedicina? Como ela pode ser usada em benefício dos pacientes?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/vida-saudavel/1375923/o-que-e-a-telemedicina-como-ela-pode-ser-usada-em-beneficio-dos-pacientes.htm>. Acesso em: 29 out. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
3 Urgência: 1. Necessidade que requer solução imediata; pressa. 2. Situação crítica ou muito grave que tem prioridade sobre outras; emergência.
4 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
5 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
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