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Esporotricose: como é esta doença? Tem como preveni-la?

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O que é esporotricose?

A esporotricose é também conhecida como "doença do jardineiro de rosas", pois as rosas podem espalhar essa doença. Ela é uma doença fúngica1 que geralmente afeta a pele2, embora outras formas raras possam afetar vasos linfáticos, pulmões3, articulações4, ossos e até mesmo o cérebro5.

Quais são as causas da esporotricose?

A esporotricose é causada pela infecção6 pelo fungo7 Sporothrix schenckii e, no Brasil, também pela espécie Sporothrix brasiliensis, encontrados naturalmente em locais de clima temperado e úmido, no solo, plantas e madeiras. Por isso, agricultores, jardineiros e trabalhadores agrícolas são as pessoas geralmente afetadas. Esses fungos entram no corpo através de pequenos cortes ou abrasões na pele2 ou, mais raramente, através das vias respiratórias. A doença também pode ser adquirida de gatos contaminados.

Quais são as principais características clínicas da esporotricose?

Os sinais8 e sintomas9 da esporotricose dependem da intensidade da infecção6 e de qual ou quais órgãos foram afetados. Aparecem, em média, três semanas após a exposição inicial ao fungo7 e progridem lentamente, podendo ser muito sutis.

A esporotricose pode assumir as formas cutânea10, pulmonar ou disseminada. A forma cutânea10 é a forma mais comum. Geralmente se desenvolve no dedo, mão11 e braço. Os sintomas9 desta forma incluem lesões12 nodulares ou inchaços na pele2, no ponto de entrada, e também ao longo dos gânglios linfáticos13 e vasos. A lesão14 começa pequena e indolor e varia em cor, do róseo para o roxo. Quando não tratada, a lesão14 torna-se maior e pode resultar numa úlcera15 crônica.

A forma pulmonar é rara e ocorre quando os esporos16 do Sporothrix schenckii são inalados. Seus sintomas9 incluem tosse produtiva, nódulos e cavidades nos pulmões3, fibrose17 e linfonodos18 hilares aumentados de volume. Os pacientes com esta forma de esporotricose são mais suscetíveis à tuberculose19 e à pneumonia20.

Se a infecção6 se espalha a partir do local principal para locais secundários (o que só acontece raramente), tem-se a forma disseminada. Os locais secundários principalmente atingidos são as articulações4, os ossos e o sistema nervoso central21. Os sintomas9 de esporotricose disseminada incluem perda de peso, anorexia22 e aparecimento de lesões12 ósseas.

A esporotricose pode acometer também mamíferos domésticos ou selvagens. Entre os domésticos ela é mais frequente em gatos e cavalos. Os gatos, especialmente, têm uma forma grave de esporotricose que pode ser transmitida às pessoas que os manuseiam ou a outros animais.

Como o médico diagnostica a esporotricose?

Pode ser muito difícil de diagnosticar a esporotricose, seja porque seus sintomas9 sejam tênues, seja porque ela compartilha os mesmos sintomas9 como muitas outras doenças. Os pacientes com esporotricose apresentam anticorpos23 contra o Sporothrix schenckii, no entanto, o exame deles é pouco sensível e pouco específico, não sendo, pois, muito confiável. O diagnóstico24 de confirmação deve ser feito por uma cultura do fungo7 a partir da pele2, expectoração25, fluido sinovial e fluido cerebroespinhal.

Como o médico trata a esporotricose?

O tratamento da esporotricose depende da gravidade e da localização da doença. A micose26 cutânea10 simples às vezes pode ser tratada com solução saturada ou com comprimidos de iodeto de potássio devendo ser mantido por três a seis meses. Outros casos exigem antifúngicos orais, como o itraconazol, fluconazol ou a anfotericina B. Em casos de infecção6 óssea ou nódulos e cavidade nos pulmões3, a cirurgia pode ser necessária. Na esporotricose disseminada o tratamento deve ser mantido por doze meses. Na forma localizada da esporotricose, pode ocorrer cura espontânea, mas as formas graves da doença podem necessitar de antimicóticos por via venosa. Um médico deve sempre ser consultado, ele orientará e acompahará o tratamento adequado para a esporotricose.

Como prevenir a esporotricose?

A prevenção da esporotricose pode ser feita pelo uso de luvas ao trabalhar com o solo e com as plantas.

Quais são as complicações possíveis da esporotricose?

As lesões12 cutâneas27 podem ser infectadas com bactérias, resultando em celulite28.

ABCMED, 2015. Esporotricose: como é esta doença? Tem como preveni-la?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/814274/esporotricose-como-e-esta-doenca-tem-como-preveni-la.htm>. Acesso em: 12 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Fúngica: Relativa à ou produzida por fungo.
2 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
3 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
4 Articulações:
5 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
6 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Fungo: Microorganismo muito simples de distribuição universal que pode colonizar uma superfície corporal e, em certas ocasiões, produzir doenças no ser humano. Como exemplos de fungos temos a Candida albicans, que pode produzir infecções superficiais e profundas, os fungos do grupo dos dermatófitos que causam lesões de pele e unhas, o Aspergillus flavus, que coloniza em alimentos como o amendoim e secreta uma toxina cancerígena, entre outros.
8 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
9 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
10 Cutânea: Que diz respeito à pele, à cútis.
11 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
12 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
13 Gânglios linfáticos: Estrutura pertencente ao sistema linfático, localizada amplamente em diferentes regiões superficiais e profundas do organismo, cuja função consiste na filtração da linfa, maturação e ativação dos linfócitos, que são elementos importantes da defesa imunológica do organismo.
14 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
15 Úlcera: Ferida superficial em tecido cutâneo ou mucoso que pode ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
16 Esporos: Estruturas unicelulares e uninucleares, resistentes ao calor e à dessecação, capazes de germinar em determinadas condições e reproduzirem assexuadamente o indivíduo que as originou.
17 Fibrose: 1. Aumento das fibras de um tecido. 2. Formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo em determinado órgão ou tecido como parte de um processo de cicatrização ou de degenerescência fibroide.
18 Linfonodos: Gânglios ou nodos linfáticos.
19 Tuberculose: Doença infecciosa crônica produzida pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Produz doença pulmonar, podendo disseminar-se para qualquer outro órgão. Os sintomas de tuberculose pulmonar consistem em febre, tosse, expectoração, hemoptise, acompanhada de perda de peso e queda do estado geral. Em países em desenvolvimento (como o Brasil) aconselha-se a vacinação com uma cepa atenuada desta bactéria (vacina BCG).
20 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
21 Sistema Nervoso Central: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
22 Anorexia: Perda do apetite ou do desejo de ingerir alimentos.
23 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
24 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
25 Expectoração: Ato ou efeito de expectorar. Em patologia, é a expulsão, por meio da tosse, de secreções provenientes da traqueia, brônquios e pulmões; escarro.
26 Micose: Infecção produzida por fungos. Pode ser superficial, quando afeta apenas pele, mucosas e seus anexos, ou profunda, quando acomete órgãos profundos como pulmões, intestinos, etc.
27 Cutâneas: Que dizem respeito à pele, à cútis.
28 Celulite: Inflamação aguda das estruturas cutâneas, incluindo o tecido adiposo subjacente, geralmente produzida por um agente infeccioso e manifestada por dor, rubor, aumento da temperatura local, febre e mal estar geral.
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