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Embolia gasosa: quais as causas? E os sinais e sintomas? Como é a doença de descompressão?

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O que é embolia1 gasosa?

Fala-se em embolia1 gasosa sempre que há uma bolha2 de ar aprisionada em um vaso sanguíneo. A embolia1 tanto pode ser arterial (embolia1 arterial) como venosa (embolia1 venosa), mas em ambos os casos é uma ocorrência rara.

Quais são as causas da embolia1 gasosa?

A embolia1 gasosa venosa geralmente é iatrogênica3, causada pela circulação4 extracorpórea ou por outras intervenções intravasculares5. Ela pode acontecer de várias maneiras, tais como injeções e procedimentos cirúrgicos ou a introdução de ar através de uma seringa6 ou cateter. Nas cirurgias cerebrais quase sempre ocorrem embolias gasosas, no entanto, os médicos conseguem detectá-las e corrigi-las antes que elas se tornem um problema mais sério. Outra situação em que pode ocorrer a embolia1 gasosa é a “síndrome de descompressão”, que ocorre quando um mergulhador retorna muito rapidamente à superfície. A embolia1 aérea pode também ocorrer se houver trauma no pulmão7 ou através de lesões8 devidas a uma explosão.

Qual é a fisiopatologia9 da embolia1 gasosa?

Uma embolia1 gasosa pode ocorrer se as veias10 ou artérias11 são expostas e a pressão força o ar a penetrar nelas. Outro mecanismo ocorre nos mergulhos: os cilindros com ar comprimido levam oxigênio e nitrogênio. O corpo usa o oxigênio, mas o nitrogênio é dissolvido no sangue12, onde permanece durante o mergulho. Quando a pessoa nada rapidamente de volta à superfície, a pressão da água em torno diminui e se essa transição ocorre muito rapidamente, o nitrogênio não tem tempo para ser eliminado do sangue12, então forma bolhas no interior de tecidos e do sangue12, causando embolismo13. Esta é a chamada doença de descompressão14.

Quais são os principais sinais15 e sintomas16 da embolia1 gasosa?

Quando se desloca ao longo de uma artéria17, o êmbolo18 gasoso passa a vasos cada vez mais estreitos, até bloquear uma artéria17 pequena e cortar o fornecimento de sangue12 a uma área específica do corpo. As embolias venosas de ar podem causar a morte, se uma grande bolha2 de gás atingir o coração19 e impedir que o sangue12 flua do ventrículo direito para os pulmões20. Pequenas quantidades de ar arterial podem causar morte por obstrução das artérias coronárias21 ou cerebrais. Uma embolia1 aérea nas artérias11 do cérebro22 pode causar perda imediata dos sentidos, convulsões ou acidente vascular cerebral23. Os sintomas16 de uma embolia1 aérea podem variar desde nenhum sintoma24 até a morte e podem incluir dificuldade em respirar ou insuficiência respiratória25; dor no peito26 ou insuficiência cardíaca27; acidente vascular cerebral23; alterações mentais, como confusão; pressão arterial28 baixa e pele29 azulada. Os principais sintomas16 da doença de descompressão14 incluem dor nas articulações30, tonturas31, fadiga32 extrema, formigamento ou dormência33, fraqueza nos braços ou pernas, erupções cutâneas34 e perda de consciência ou paralisias, em casos graves.

Como o médico diagnostica a embolia1 gasosa?

A suspeita da embolia1 gasosa deve partir dos sintomas16 e de algo que tenha acontecido que possa causar essa condição. O médico pode usar equipamentos que monitoram os sons das vias aéreas e do coração19, taxa de respiração e pressão arterial28 para detectar embolias de ar durante as cirurgias. Uma ultrassonografia35, tomografia computadorizada36 ou ressonância magnética37 podem ajudar a determinar onde se localiza a embolia1.

Como o médico trata a embolia1 gasosa?

O tratamento para a embolia1 gasosa visa três objetivos:

  1. Paralisar a fonte da embolia1.
  2. Impedi-la de danificar órgãos do corpo.
  3. Aplicar técnicas de ressuscitação, se necessário.

O médico pode pedir ao paciente que se assente, para ajudar que a embolia1 não se desloque para o cérebro22, coração19 e pulmões20. Se possível, o médico irá remover a embolia1 aérea através de uma cirurgia. Outra opção de tratamento é a terapia de oxigênio hiperbárico (pressão maior que o normal). Este procedimento pode fazer uma embolia1 aérea encolher e ser absorvida na corrente sanguínea.

Quais são as complicações possíveis da embolia1 gasosa?

Grandes embolias gasosas podem causar acidentes vasculares38 cerebrais ou ataques cardíacos e serem fatais.

ABCMED, 2015. Embolia gasosa: quais as causas? E os sinais e sintomas? Como é a doença de descompressão?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/796549/embolia-gasosa-quais-as-causas-e-os-sinais-e-sintomas-como-e-a-doenca-de-descompressao.htm>. Acesso em: 22 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Embolia: Impactação de uma substância sólida (trombo, colesterol, vegetação, inóculo bacteriano), líquida ou gasosa (embolia gasosa) em uma região do circuito arterial com a conseqüente obstrução do fluxo e isquemia.
2 Bolha: 1. Erupção cutânea globosa entre as camadas superficiais da epiderme, cheia de serosidade, líquido claro, pus ou sangue, causada por inflamação, queimadura, atrito, efeito de certas enfermidades, etc. Deve ter mais de 0,5 cm. Quando tem um tamanho menor devem ser chamadas de “vesículas”. 2. Bola ou glóbulo cheio de gás, ar ou vapor que se forma (ou se formou) em alguma substância líquida ou pastosa, especialmente ao ser agitada ou por ebulição ou fermentação. 3. Saliência oca em uma superfície.
3 Iatrogênica: Relativo à ou próprio da iatrogenia, que significa geração de atos ou pensamentos a partir da prática médica. É frequentemente empregado para designar os erros da conduta médica.
4 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular. 2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito. 3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
5 Intravasculares: Relativos ao interior dos vasos sanguíneos e linfáticos, ou que ali se situam ou ocorrem.
6 Seringa: Dispositivo usado para injetar medicações ou outros líquidos nos tecidos do corpo. A seringa de insulina é formada por um tubo plástico com um êmbolo e uma agulha pequena na ponta.
7 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
8 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
9 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
10 Veias: Vasos sangüíneos que levam o sangue ao coração.
11 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
12 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
13 Embolismo: É o mesmo que embolia, mas é um termo menos usado. Significa obstrução de um vaso, frequentemente uma artéria, pela migração de um corpo estranho (chamado de êmbolo) levado pela corrente sanguínea.
14 Descompressão: Ato ou efeito de descomprimir, de aliviar o que está sob efeito de pressão ou de compressão.
15 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
16 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
17 Artéria: Vaso sangüíneo de grande calibre que leva sangue oxigenado do coração a todas as partes do corpo.
18 Êmbolo: 1. Cilindro ou disco que se move em vaivém no interior de seringas, bombas, etc. 2. Na engenharia mecânica, é um cilindro metálico deslizante que recebe um movimento de vaivém no interior de um cilindro de motor de combustão interna. 3. Em artes gráficas, é uma haste de ferro com um cilindro, articulada para comprimir e lançar o chumbo ao molde. 4. Em patologia, é um coágulo ou outro tampão trazido pela corrente sanguínea a partir de um vaso distante, que obstrui a circulação ao ser forçado contra um vaso menor. 5. Na anatomia zoológica, nas aranhas, é um prolongamento delgado no ápice do aparelho copulador masculino.
19 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
20 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
21 Artérias coronárias: Veias e artérias do CORAÇÃO.
22 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
23 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
24 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
25 Insuficiência respiratória: Condição clínica na qual o sistema respiratório não consegue manter os valores da pressão arterial de oxigênio (PaO2) e/ou da pressão arterial de gás carbônico (PaCO2) dentro dos limites da normalidade, para determinada demanda metabólica. Como a definição está relacionada à incapacidade do sistema respiratório em manter níveis adequados de oxigenação e gás carbônico, foram estabelecidos, para sua caracterização, pontos de corte na gasometria arterial: PaO2 50 mmHg.
26 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
27 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
28 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
29 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
30 Articulações:
31 Tonturas: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
32 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
33 Dormência: 1. Estado ou característica de quem ou do que dorme. 2. No sentido figurado, inércia com relação a se fazer alguma coisa, a se tomar uma atitude, etc., resultando numa abulia ou falta de ação; entorpecimento, estagnação, marasmo. 3. Situação de total repouso; quietação. 4. No sentido figurado, insensibilidade espiritual de um ser diante do mundo. Sensação desagradável caracterizada por perda da sensibilidade e sensação de formigamento, e que geralmente ocorre nas extremidades dos membros. 5. Em biologia, é um período longo de inatividade, com metabolismo reduzido ou suspenso, geralmente associado a condições ambientais desfavoráveis; estivação.
34 Cutâneas: Que dizem respeito à pele, à cútis.
35 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
36 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
37 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
38 Vasculares: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
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