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Cacosmia - conheça este distúrbio do olfato

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O que é cacosmia?

A pessoa que sofre de cacosmia apresenta uma notável alteração no sentido do olfato. Os odores podem ser classificados em agradáveis ou atraentes e desagradáveis ou desprezíveis. A cacosmia (do grego: kakos = ruim + osmé = cheiro) é uma condição alterada de cheiro em que a pessoa aprecia ou se sente atraída por cheiros desagradáveis.

Pode referir-se também a uma sensação constante ou frequente de estar emitindo odor desagradável, devido a causas fisiológicas1 ou psiquiátricas (alucinação2 sensorial). O indivíduo em causa sente odores desagradáveis em situações em que o restante das pessoas percebe odores normais ou mesmo não percebem nenhum odor.

A cacosmia pertence a um grupo de distúrbios da percepção de odores chamado parosmias, que inclui a hiperosmia (sentir cheiros em excesso), hiposmia (pouca sensibilidade a cheiros) e anosmia (incapacidade de sentir cheiros).

Saiba mais sobre "Alucinações3" e "Anosmia".

Qual é o mecanismo fisiológico4 da cacosmia?

A cacosmia tem a ver, como dito, com o sentido do olfato, seja por via fisiológica5 orgânica ou por via psicológica. Por outro lado, a cacosmia tem a ver não só com as vias nervosas de transmissão, mas também com a síntese delas pelo sistema nervoso central6 e pela simbolização psicológica.

O órgão olfativo periférico se localiza na camada superior das fossas nasais e tem por função captar os odores liberados por diferentes objetos. As células7 sensoriais e neurônios8 aí localizados originam impulsos nervosos que são conduzidos daí até o lobo olfatório cerebral, produzindo a sensação de cheiro. Essa estrutura é rica em terminações nervosas, as quais ao entrar em contato com moléculas emitidas pelos objetos permite que elas alcancem os prolongamentos sensoriais, gerando estímulos que são então conduzidos ao cérebro9. Porém, nem todas as moléculas produzem esse efeito. Alguns tipos de gás, por exemplo, são inodoros, isso é, não apresentam cheiro.

Do ponto de vista psicológico há também as alucinações3 olfativas (fantosmias), que são falsas percepções de odores sem um objeto correspondente, mas acompanhadas de irremovível convicção na realidade do percebido. Esses odores podem ser sentidos em ambas as narinas ou em apenas uma delas, serem constantes ou intermitentes10, agradáveis ou desagradáveis.

Contudo, não se deve subestimar a importância de que se pode recobrir um cheiro de maneira alterada, já que uma das funções do cheiro é ser um dos principais sinais11 de alerta para perigos, tais como fumaça, gás, comida podre ou em mau estado de conservação, etc.

Quais são as causas da cacosmia?

Há diversas causas possíveis de cacosmia. Ela é comum em pacientes que sofrem de doenças psiquiátricas, bem como em pessoas com danos físicos.

A cacosmia real, de causas orgânicas, pode ser devido a uma infecção12 nasal, tal como rinite13, amigdalite ou sinusite14, a um tumor15 das passagens nasais ou à presença de um corpo estranho nos seios nasais16.

No caso de cacosmia subjetiva, a condição pode ser devido a lesões17 das vias olfativas, gravidez18, desordens neurológicas, tumores cerebrais ou traumas. Em outros casos, cacosmia subjetiva pode ser um sintoma19 de algumas formas de epilepsia20 ou alguma doença psiquiátrica.

Veja mais sobre "Rinite13", "Sinusite14", "Amigdalite", "Aspiração de corpo estranho" e "Tumores cerebrais".

Quais são as principais características clínicas da cacosmia?

Os sintomas21 da cacosmia incluem a percepção de um odor desagradável (cheiro de ovos ou carne podres, enxofre, etc.), que pode ser real (cacosmia objetiva) ou imaginário (cacosmia subjetiva).

Como o médico diagnostica a cacosmia?

Através de uma série de testes e exames o médico irá estabelecer o diagnóstico22 correto da causa subjacente da cacosmia. Um exame físico do ouvido, nariz23 e garganta24, realizado por endoscopia25, ajuda a especificar a origem da doença. Outro dos testes realizados na avaliação dessa alteração é medir a capacidade olfativa do paciente. Testes de sangue26 e de imagens podem ser necessários, na dependência da causa suposta.

Nos casos psiquiátricos, a condição é diagnosticada clinicamente pela consideração dos demais sintomas21 da enfermidade.

Como o médico trata a cacosmia?

O tratamento da cacosmia depende da causa subjacente e pode variar bastante. O tratamento das infecções27 nasais, por exemplo, é muito diferente dos casos decorrentes de causas psiquiátricas, tumores ou traumas. Em alguns casos, pode ser necessário cirurgia, radioterapia28 e quimioterapia29.

Como evolui a cacosmia?

A evolução da cacosmia também depende da causa subjacente, da gravidade da situação, da intervenção imediata, da idade e do estado de saúde30 do paciente.

 

ABCMED, 2018. Cacosmia - conheça este distúrbio do olfato. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1325103/cacosmia-conheca-este-disturbio-do-olfato.htm>. Acesso em: 20 out. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Fisiológicas: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
2 Alucinação: Perturbação mental que se caracteriza pelo aparecimento de sensações (visuais, auditivas, etc.) atribuídas a causas objetivas que, na realidade, inexistem; sensação sem objeto. Impressão ou noção falsa, sem fundamento na realidade; devaneio, delírio, engano, ilusão.
3 Alucinações: Perturbações mentais que se caracterizam pelo aparecimento de sensações (visuais, auditivas, etc.) atribuídas a causas objetivas que, na realidade, inexistem; sensações sem objeto. Impressões ou noções falsas, sem fundamento na realidade; devaneios, delírios, enganos, ilusões.
4 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
5 Fisiológica: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
6 Sistema Nervoso Central: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
7 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
8 Neurônios: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO. Sinônimos: Células Nervosas
9 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
10 Intermitentes: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
11 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
12 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
13 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
14 Sinusite: Infecção aguda ou crônica dos seios paranasais. Podem complicar o curso normal de um resfriado comum, acompanhando-se de febre e dor retro-ocular.
15 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
16 Seios Nasais: Extensões preenchidas de ar localizadas na parte respiratória da cavidade nasal dentro dos ossos frontal, etmóide, esfenóide e maxila. Variam em tamanho e forma entre indivíduos diferentes, e são revestidas por uma membrana mucosa ciliada da cavidade nasal.
17 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
18 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
19 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
20 Epilepsia: Alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Quando restritos, a crise será chamada crise epiléptica parcial; quando envolverem os dois hemisférios cerebrais, será uma crise epiléptica generalizada. O paciente pode ter distorções de percepção, movimentos descontrolados de uma parte do corpo, medo repentino, desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente e até perder a consciência - neste caso é chamada de crise complexa. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Existem outros tipos de crises epilépticas.
21 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
22 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
23 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
24 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
25 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
26 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
27 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
28 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
29 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
30 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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