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Anabolizantes - o que saber antes de usar?

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O que são anabolizantes?

Os anabolizantes, também conhecidos por esteroides anabólicos androgênicos1, são hormônios sintéticos fabricados a partir do hormônio2 sexual masculino, testosterona, e comumente utilizados para aumento no tamanho dos músculos3, da força física e da resistência muscular. Seu uso indiscriminado acarreta sérias consequências ao organismo. Podem ser encontrados nas formas de comprimidos, cápsulas ou injeções intramusculares.

Quais as razões para usar anabolizantes?

Os anabolizantes podem ser utilizados por razões médicas, como meios de melhorar desempenhos esportivos, por fisiculturistas ou simplesmente por razões estéticas. O uso de anabolizantes vem se tornando, a cada dia, um hábito mais comum. Porém, o consumo excessivo e sem controle médico é muito perigoso e pode causar danos irreparáveis ao corpo humano4.

Estes hormônios servem para reconstruir os tecidos que se tornaram fracos devido a uma doença crônica ou a danos graves, podendo ser também usados para o ganho de massa corporal magra ou de massa óssea, em casos de doenças, mas servem também para exagerar as massas musculares normais nos fisiculturistas competidores ou por motivos simplesmente estéticos. Além disso, também podem ser indicados para tratar doenças nas quais os testículos5 não produzem ou produzem poucos hormônios sexuais.

Nos esportes, estes remédios são muitas vezes usados por praticantes de musculação ou fisiculturismo, por exemplo, para o aumento da força física e da massa muscular, além de diminuírem a fadiga6 e melhorarem o desempenho físico.

Qual o mecanismo fisiológico7 dos anabolizantes?

Os anabolizantes, quando entram em contato com as células8 do tecido9 muscular, aumentam o tamanho dos músculos3 do corpo humano4. No fisiculturismo, isso serve para modelar o corpo; no esporte, o uso de anabolizantes é considerado “doping” e o esportista, detectado fazendo este uso, é punido.

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Quais são as principais características clínicas do uso de anabolizantes?

Originalmente, essas drogas eram utilizadas unicamente para tratamento de algumas disfunções hormonais ou desgastes musculares, mas hoje em dia vêm sendo bastante usadas por atletas e fisiculturistas para melhorar seus desempenhos esportivos ou chegarem a um corpo “sarado”, com redução da gordura10 corporal. No caso dos esportes, se o atleta estiver competindo, o uso dessas substâncias configura “doping”.

Essa droga promove, em homens e mulheres, aumento nos pelos, acne11, queda de cabelo12, distúrbios da função e tumores do fígado13, irregularidade nos ciclos menstruais, disfunções testiculares e ginecomastia14, alterações comportamentais e de humor, psicoses, impotência15 sexual, hipertensão arterial16 e ataques cardíacos, dentre outras consequências.

Nas mulheres, os anabolizantes podem gerar características masculinas, como engrossamento da voz e surgimento de pelos além do normal. Além disso, também pode ocorrer aumento do tamanho do clitóris, diminuição dos seios17 e aumento de apetite.

Nos homens, especificamente, o excesso de anabolizantes pode causar redução dos testículos5, diminuição da contagem dos espermatozoides18 e calvície19. Nos adolescentes, as consequências podem ser ainda piores, como comprometimento do crescimento, maturação óssea acelerada, aumento da frequência e duração das ereções, desenvolvimento sexual precoce, hipervirilização, crescimento do pênis20, aumentos dos pelos púbicos e do corpo, além do ligeiro crescimento da barba.

Por outro lado, esses hormônios podem ser usados terapeuticamente, sob orientação médica, e em pequenas doses. Usados sem controle, os anabolizantes podem causar dependência.

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ABCMED, 2017. Anabolizantes - o que saber antes de usar?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1305098/anabolizantes-o-que-saber-antes-de-usar.htm>. Acesso em: 16 jul. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Androgênicos: Relativos à androgenia e a androgênios. Androgênios são hormônios esteroides, controladores do crescimento dos órgãos sexuais masculinos. O hormônio natural masculino é a testosterona.
2 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
3 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
4 Corpo humano: O corpo humano é a substância física ou estrutura total e material de cada homem. Ele divide-se em cabeça, pescoço, tronco e membros. A anatomia humana estuda as grandes estruturas e sistemas do corpo humano.
5 Testículos: Os testículos são as gônadas sexuais masculinas que produzem as células de fecundação ou espermatozóides. Nos mamíferos ocorrem aos pares e são protegidos fora do corpo por uma bolsa chamada escroto. Têm função de glândula produzindo hormônios masculinos.
6 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
7 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
8 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
9 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
10 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
11 Acne: Doença de predisposição genética cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais. As lesões começam a surgir na puberdade, atingindo a maioria dos jovens de ambos os sexos. Os cravos e espinhas ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilosebáceo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido.
12 Cabelo: Estrutura filamentosa formada por uma haste que se projeta para a superfície da PELE a partir de uma raiz (mais macia que a haste) e se aloja na cavidade de um FOLÍCULO PILOSO. É encontrado em muitas áreas do corpo.
13 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
14 Ginecomastia: Aumento anormal de uma ou ambas as glândulas mamárias no homem. Associa-se a diferentes enfermidades como cirrose, tumores testiculares, etc. Em certas ocasiões ocorrem de forma idiopática.
15 Impotência: Incapacidade para ter ou manter a ereção para atividades sexuais. Também chamada de disfunção erétil.
16 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
17 Seios: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
18 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
19 Calvície: Também chamada de alopécia androgenética é uma manifestação fisiológica que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, sendo que a herança genética pode vir do lado paterno ou materno. É resultado da estimulação dos folículos pilosos por hormônios masculinos que começam a ser produzidos na adolescência (testosterona). Ao atingir o couro cabeludo de pacientes com tendência genética para a calvície, a testosterona sofre a ação de uma enzima, a 5-alfa-redutase, e é transformada em diidrotestosterona (DHT). É a DHT que vai agir sobre os folículos pilosos promovendo a sua diminuição progressiva. O resultado final deste processo de diminuição e afinamento dos fios de cabelo é a calvície.
20 Pênis: Órgão reprodutor externo masculino. É composto por uma massa de tecido erétil encerrada em três compartimentos cilíndricos fibrosos. Dois destes compartimentos, os corpos cavernosos, ficam lado a lado ao longo da parte superior do órgão. O terceiro compartimento (na parte inferior), o corpo esponjoso, abriga a uretra.
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