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Acidose lática - características, causas, diagnóstico e tratamento

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O que é acidose1?

Acidose1 é a condição em que os fluidos corporais contêm mais ácido que o normal. A acidez do sangue2 é medida pela determinação do seu pH. O pH normal do sangue2 deve ficar em torno de 7,4. Um pH abaixo disso significa que o sangue2 é ácido, enquanto que um pH mais elevado significa que o sangue2 é básico.

Há dois tipos de acidose1: respiratória e metabólica. A acidose1 respiratória ocorre quando o gás carbônico (CO2) acumula-se no corpo em virtude de alguma patologia3 pulmonar. Já a acidose metabólica4 começa nos rins5, em vez de nos pulmões6. Ela ocorre quando esses órgãos não podem eliminar o ácido de maneira eficiente ou quando eles eliminam um excesso de base.

Existem três principais formas de acidose metabólica4: (1) acidose1 diabética em pessoas com diabetes7 mal controlado; (2) acidose1 hiperclorêmica, devido a uma perda de bicarbonato de sódio; (3) acidose1 láctica8, devido a um excesso de ácido láctico no corpo.

Saiba mais sobre "Acidose1" e "Diabetes Mellitus9".

O que é o ácido lático?

O ácido láctico é o produto final da metabolização anaeróbica da glicose10 nos tecidos. Na eventualidade da carência de oxigênio, o ácido láctico é produzido como o ciclo anaeróbio é utilizado para a produção de energia. O lactato11 sai das células12 e é transportado para o fígado13, onde é oxidado de volta à glicose10. Seu excesso representa aumento do metabolismo14 anaeróbio devido à hipoperfusão tecidual. Com um débito persistente de oxigênio tem-se a acidose1 láctica8.

O que é acidose1 lática15?

A acidose1 láctica8 é causada pelo acúmulo de ácido lático no corpo e é uma forma distinta de acidose metabólica4. A hipóxia16 e hipoperfusão teciduais forçam as células12 a metabolizar a glicose10, anaerobicamente, e isso resulta na formação de ácido láctico. A acidose1 láctica8 é caracterizada por níveis de lactato11 maiores do que 5 mmol/L17 e pH sérico menor do que 7,35.

Quais são as causas da acidose1 lática15?

A acidose metabólica4 pode ocorrer (1) quando o corpo produz muito ácido, (2) os rins5 não conseguem remover o ácido produzido normalmente pelo organismo ou então (3) quando algum problema nos pulmões6 causa acúmulo de dióxido de carbono no sangue2.

A acidose1 lática15 ocorre quando as células12 do corpo não têm oxigênio em nível suficiente para seu uso e então produzem o ácido lático a partir de hidratos de carbono, o qual se acumula no sangue2, causando acidose1. Algumas condições médicas são fatores de risco para a acidose1 láctica8: distúrbios renais e pulmonares, doenças do fígado13 ou do coração18, diabetes7, câncer19, síndrome20 da imunodeficiência21 adquirida, certas doenças genéticas e o uso de alguns medicamentos.

Leia os artigos sobre "Insuficiência renal22", "Insuficiência hepática23", "Prevenção do câncer19" e "AIDS".

Qual é o mecanismo fisiológico24 da acidose1 lática15?

Quando os níveis de oxigênio de uma pessoa caem muito abaixo do normal, o organismo começa a metabolizar hidratos de carbono para atender às necessidades de energia do corpo e, isso, leva à criação de ácido láctico. Os níveis de ácido láctico podem aumentar durante o exercício extenuante e quando certas doenças ou distúrbios reduzam o fluxo de sangue2 e oxigênio.

A acidez reduz o pH do sangue2 e torna a respiração mais profunda e mais rápida, porque o corpo tenta liberar o excesso de ácido no sangue2. Além disso, os rins5 também podem ficar sobrecarregados com a necessidade de excretar uma quantidade maior de ácido na urina25.

Quais são as principais características clínicas da acidose1 lática15?

De início os sintomas26 da acidose1 láctica8 são, entre outros menos comuns, dor abdominal, náusea27 persistente e vômitos28. A pessoa pode também sentir frio, especialmente nos braços e pernas, cansaço e fraqueza muscular. Adicionalmente, podem incluir respiração rápida, dificuldade respiratória, sudorese29, pele30 úmida e mau hálito. Em virtude da baixa de oxigênio, as extremidades (mãos31 e pés) podem ficar azuladas ou arroxeadas e o indivíduo pode tornar-se sonolento e sofrer tonturas32.

Veja mais sobre "Náuseas33 e vômitos28", "Mau hálito" e "Tontura34".

Como o médico diagnostica a acidose1 lática15?

A acidose1 láctica8 pode ser detectada e monitorada através de exames de sangue2. Identificar a acidose1 láctica8 clinicamente pode ser difícil porque os sintomas26 são parecidos aos de outras condições mórbidas. Isso pode ser especialmente problemático quando a pessoa tem outra doença crônica.

Como o médico trata a acidose1 lática15?

O tratamento sintomático35 da acidose1 lática15 consiste em administrar medicamentos para tornar o sangue2 mais alcalino. O tratamento principal consiste em identificar e corrigir a causa subjacente da doença que esteja causando o problema, o que pode exigir a administração de novos medicamentos. Em casos mais graves, a diálise peritoneal36 é outra possibilidade de tratamento.

Como evolui a acidose1 lática15?

Se não tratada, a acidose1 láctica8 pode progredir para um aumento do fígado13, baixa da pressão arterial37, ritmo cardíaco lento, batimento cardíaco irregular, desmaios e coma38. A acidose1 láctica8 não tratada ou com tratamento tardio pode ser fatal.

Leia também sobre "Ácido lático e exercícios físicos", "Alcalose39", "Diálise peritoneal36", "Arritmia40 cardíaca", "Desmaios" e "Coma38".

 

ABCMED, 2016. Acidose lática - características, causas, diagnóstico e tratamento. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1275478/acidose-latica-caracteristicas-causas-diagnostico-e-tratamento.htm>. Acesso em: 21 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Acidose: Desequilíbrio do meio interno caracterizado por uma maior concentração de íons hidrogênio no organismo. Pode ser produzida pelo ganho de substâncias ácidas ou perda de substâncias alcalinas (básicas).
2 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
3 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
4 Acidose metabólica: A acidose metabólica é uma acidez excessiva do sangue caracterizada por uma concentração anormalmente baixa de bicarbonato no sangue. Quando um aumento do ácido ultrapassa o sistema tampão de amortecimento do pH do organismo, o sangue pode acidificar-se. Quando o pH do sangue diminui, a respiração torna-se mais profunda e mais rápida, porque o corpo tenta liberar o excesso de ácido diminuindo o volume do anidrido carbônico. Os rins também tentam compensá-lo por meio da excreção de uma maior quantidade de ácido na urina. Contudo, ambos os mecanismos podem ser ultrapassados se o corpo continuar a produzir excesso de ácido, o que conduz a uma acidose grave e ao coma. A gasometria arterial é essencial para o seu diagnóstico. O pH está baixo (menor que 7,35) e os níveis de bicarbonato estão diminuídos (<24 mmol/l). Devido à compensação respiratória (hiperventilação), o dióxido de carbono está diminuído e o oxigênio está aumentado.
5 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
6 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
7 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
8 Láctica: Diz-se de ou ácido usado como acidulante e intermediário químico; lática.
9 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
10 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
11 Lactato: Sal ou éster do ácido láctico ou ânion dele derivado.
12 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
13 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
14 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
15 Lática: Diz-se de ou ácido usado como acidulante e intermediário químico; láctica.
16 Hipóxia: Estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos que pode ocorrer por diversos fatores, tais como mudança repentina para um ambiente com ar rarefeito (locais de grande altitude) ou por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde as vias respiratórias superiores até os tecidos orgânicos.
17 Mmol/L: Milimols por litro, unidade de medida que mostra a concentração de uma substância em uma quantidade específica de fluido.
18 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
19 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
20 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
21 Imunodeficiência: Distúrbio do sistema imunológico que se caracteriza por um defeito congênito ou adquirido em um ou vários mecanismos que interferem na defesa normal de um indivíduo perante infecções ou doenças tumorais.
22 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
23 Insuficiência hepática: Deterioração grave da função hepática. Pode ser decorrente de hepatite viral, cirrose e hepatopatia alcoólica (lesão hepática devido ao consumo de álcool) ou medicamentosa (causada por medicamentos como, por exemplo, o acetaminofeno). Para que uma insuficiência hepática ocorra, deve haver uma lesão de grande porção do fígado.
24 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
25 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
26 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
27 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
28 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
29 Sudorese: Suor excessivo
30 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
31 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
32 Tonturas: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
33 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
34 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
35 Sintomático: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
36 Diálise peritoneal: Ao invés de utilizar um filtro artificial para “limpar“ o sangue, é utilizado o peritônio, que é uma membrana localizada dentro do abdômen e que reveste os órgãos internos. Através da colocação de um catéter flexível no abdômen, é feita a infusão de um líquido semelhante a um soro na cavidade abdominal. Este líquido, que chamamos de banho de diálise, vai entrar em contato com o peritônio, e por ele será feita a retirada das substâncias tóxicas do sangue. Após um período de permanência do banho de diálise na cavidade abdominal, este fica saturado de substâncias tóxicas e é então retirado, sendo feita em seguida a infusão de novo banho de diálise. Esse processo é realizado de uma forma contínua e é conhecido por CAPD, sigla em inglês que significa diálise peritoneal ambulatorial contínua. A diálise peritoneal é uma forma segura de tratamento realizada atualmente por mais de 100.000 pacientes no mundo todo.
37 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
38 Coma: 1. Alteração do estado normal de consciência caracterizado pela falta de abertura ocular e diminuição ou ausência de resposta a estímulos externos. Pode ser reversível ou evoluir para a morte. 2. Presente do subjuntivo ou imperativo do verbo “comer.“
39 Alcalose: Desequilíbrio do meio interno, produzido por uma diminuição na concentração de íons hidrogênio ou aumento da concentração de bases orgânicas nos líquidos corporais.
40 Arritmia: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
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