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Neuroma acústico

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O que é neuroma1 acústico?

O neuroma1 acústico (ou neurinoma acústico ou schwannoma vestibular2) é um tumor3 benigno incomum, geralmente de crescimento lento, que afeta o nervo acústico (oitavo par craniano), também denominado nervo vestibulococlear, que conduz os estímulos auditivos desde o ouvido interno4 até o cérebro5.

Existem dois tipos de neuroma1 do acústico: uma forma esporádica e outra associada à neurofibromatose tipo 2, uma desordem herdada e caracterizada pelo crescimento de tumores não cancerosos no sistema nervoso6.

Quais são as causas do neuroma1 acústico?

A causa do neuroma1 do acústico parece ser um defeito no cromossomo7 22. Normalmente, o gene que contém esse cromossomo7 produz uma proteína que ajuda a controlar o crescimento das células de Schwann8, que formam a bainha dos nervos. Atualmente ainda não é claro o que causaria a alteração no cromossomo7, nem são conhecidos todos os fatores de risco para a eclosão de um neuroma1 acústico. Um dos fatores de risco conhecido é ter um dos pais com neurofibromatose tipo 2. Esta doença é autossômica9 dominante, o que significa que a mutação10 pode ser transmitida por apenas um dos pais. Outro fator de risco11 possível é a exposição à radiação da cabeça12 e pescoço13, na infância.

Quais são as principais características clínicas do neuroma1 acústico?

Os diversos ramos do nervo acústico influenciam diretamente o equilíbrio e a audição e por isso a pressão de um neuroma1 desse nervo pode causar perda de audição, zumbido no ouvido14 e instabilidade no equilíbrio. Normalmente, o neuroma1 acústico cresce lentamente, mas em alguns casos pode crescer rapidamente e se tornar grande o suficiente para pressionar o cérebro5 e interferir com funções vitais.

Os primeiros sintomas15 gerados pelo neuroma1 acústico são muito sutis e as pessoas costumam atribuí-los às mudanças normais do envelhecimento. Os sinais16 e sintomas15 mais típicos podem partir das repercussões diretas sobre o nervo acústico ou do fato de o tumor3 pressionar outros nervos ou estruturas cerebrais adjacentes. À medida que o tumor3 cresce, ele se torna mais propenso a causar sinais16 e sintomas15, embora o tamanho nem sempre seja paralelo aos seus efeitos, sendo que mesmo um pequeno tumor3 pode causar sinais16 e sintomas15 importantes.

Os sinais16 e sintomas15 mais significativos do neuroma1 acústico são perda auditiva gradual (embora em alguns raros casos possa ser súbita), zumbido ou tinnitus17, perda de equilíbrio, tonturas18, dormência19 facial e, muito raramente, fraqueza. Outros sintomas15 que podem ocorrer são problemas de peso, vertigem20, alterações do paladar21, dificuldade para engolir, rouquidão, dores de cabeça12 e confusão mental. Em casos raros, um neuroma1 acústico pode crescer o suficiente para comprimir o tronco cerebral22 e ameaçar a vida.

Como o médico diagnostica o neuroma1 acústico?

O diagnóstico23 do neuroma1 acústico começa por uma boa história clínica. Depois de pesquisar sobre os sintomas15, o médico realizará um exame auditivo e pode pedir uma audiometria24, tomografia computadorizada25 ou ressonância magnética26 da cabeça12 que confirmem ou não a presença do tumor3. Como os sinais16 e sintomas15 se desenvolvem gradualmente, eles podem também ser indicadores de outros problemas e o diagnóstico23 diferencial pode não ser fácil.

Como o médico trata o neuroma1 acústico?

O tratamento do neuroma1 acústico pode variar, dependendo do tamanho do tumor3, se há ou não sintomas15 e quais são eles. Os tratamentos para o neuroma1 acústico incluem o monitoramento regular, a irradiação e a remoção cirúrgica.

O monitoramento pode ser feito se o neuroma1 é pequeno e não está crescendo ou só cresce lentamente e causa poucos ou nenhum sinal27 ou sintoma28. Uma radiocirurgia estereotáxica também pode ser uma opção para tratar o neuroma1 acústico. O objetivo da radiocirurgia é estancar o crescimento do tumor3, preservando a função do nervo. O neuroma1 acústico pode ser removido por meio de uma cirurgia. Dependendo do tamanho do tumor3 o cirurgião pode utilizar uma de várias técnicas disponíveis para a remoção do neuroma1.

Quais são as complicações possíveis do neuroma1 acústico?

As complicações da cirurgia podem incluir vazamento de líquido cefalorraquidiano29, perda da audição, fraqueza e/ou dormência19 facial, zumbido no ouvido14, problemas de equilíbrio, dor de cabeça12 persistente, infecção30 do líquido cefalorraquidiano29 e sangramento. Estes riscos são devidos, muitas vezes, ao tamanho do tumor3 e à abordagem cirúrgica utilizada. Os riscos da radiocirurgia incluem falha do tratamento, quando o tumor3 continua a crescer. Muito raramente, a radiação pode causar um câncer31 na área abordada, num tempo futuro.

 

ABCMED, 2016. Neuroma acústico. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1264094/neuroma+acustico.htm>. Acesso em: 11 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Neuroma: Tumor formado por células nervosas.
2 Vestibular: 1. O sistema vestibular é um dos sistemas que participam do equilíbrio do corpo. Ele contribui para três funções principais: controle do equilíbrio, orientação espacial e estabilização da imagem. Sintomas vestibulares são aqueles que mostram alterações neste sistema. 2. Exame que aprova e classifica os estudantes a serem admitidos nos cursos superiores.
3 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
4 Ouvido interno: Atualmente denominado orelha interna está localizado na porção petrosa do osso temporal, recebe terminações nervosas do nervo coclear e vestibular, sendo parte essencial dos órgãos da audição e equilíbrio. É constituído de três estruturas: labirinto membranoso (endolinfático), labirinto ósseo (perilinfático) e cápsula ótica.
5 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
6 Sistema nervoso: O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e a porção periférica está constituída pelos nervos cranianos e espinhais, pelos gânglios e pelas terminações nervosas.
7 Cromossomo: Cromossomos (Kroma=cor, soma=corpo) são filamentos espiralados de cromatina, existente no suco nuclear de todas as células, composto por DNA e proteínas, sendo observável à microscopia de luz durante a divisão celular.
8 Células de Schwann: Células da neuroglia do sistema nervoso periférico as quais formam as bainhas isolantes de mielina dos axônios periféricos.
9 Autossômica: 1. Referente a autossomo, ou seja, ao cromossomo que não participa da determinação do sexo; eucromossomo. 2. Cujo gene está localizado em um dos autossomos (diz-se da herança de características). As doenças gênicas podem ser classificadas segundo o seu padrão de herança genética em: autossômica dominante (só basta um alelo afetado para que se manifeste a afecção), autossômica recessiva (são necessários dois alelos com mutação para que se manifeste a afecção), ligada ao cromossomo sexual X e as de herança mitocondrial (necessariamente herdadas da mãe).
10 Mutação: 1. Ato ou efeito de mudar ou mudar-se. Alteração, modificação, inconstância. Tendência, facilidade para mudar de ideia, atitude etc. 2. Em genética, é uma alteração súbita no genótipo de um indivíduo, sem relação com os ascendentes, mas passível de ser herdada pelos descendentes.
11 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
12 Cabeça:
13 Pescoço:
14 Zumbido no ouvido: Pode ser descrito como um som parecido com campainhas no ouvido ou outros barulhos dentro da cabeça que são percebidos na ausência de qualquer fonte de barulho externa.
15 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
17 Tinnitus: Pode ser descrito como um som parecido com campainhas no ouvido ou outros barulhos dentro da cabeça que são percebidos na ausência de qualquer fonte de barulho externa.
18 Tonturas: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
19 Dormência: 1. Estado ou característica de quem ou do que dorme. 2. No sentido figurado, inércia com relação a se fazer alguma coisa, a se tomar uma atitude, etc., resultando numa abulia ou falta de ação; entorpecimento, estagnação, marasmo. 3. Situação de total repouso; quietação. 4. No sentido figurado, insensibilidade espiritual de um ser diante do mundo. Sensação desagradável caracterizada por perda da sensibilidade e sensação de formigamento, e que geralmente ocorre nas extremidades dos membros. 5. Em biologia, é um período longo de inatividade, com metabolismo reduzido ou suspenso, geralmente associado a condições ambientais desfavoráveis; estivação.
20 Vertigem: Alucinação de movimento. Pode ser devido à doença do sistema de equilíbrio, reação a drogas, etc.
21 Paladar: Paladar ou sabor. Em fisiologia, é a função sensorial que permite a percepção dos sabores pela língua e sua transmissão, através do nervo gustativo ao cérebro, onde são recebidos e analisados.
22 Tronco Cerebral: Parte do encéfalo que conecta os hemisférios cerebrais à medula espinhal. É formado por MESENCÉFALO, PONTE e MEDULA OBLONGA.
23 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
24 Audiometria: Método utilizado para estudar a capacidade e acuidade auditivas perante diferentes freqüências sonoras.
25 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
26 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
27 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
28 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
29 Líquido cefalorraquidiano: Líquido cefalorraquidiano (LCR), também conhecido como líquor ou fluido cérebro espinhal, é definido como um fluido corporal estéril, incolor, encontrado no espaço subaracnoideo no cérebro e na medula espinhal (entre as meninges aracnoide e pia-máter). Caracteriza-se por ser uma solução salina pura, com baixo teor de proteínas e células, atuando como um amortecedor para o córtex cerebral e a medula espinhal. Possui também a função de fornecer nutrientes para o tecido nervoso e remover resíduos metabólicos do mesmo. É sintetizado pelos plexos coroidais, epitélio ventricular e espaço subaracnoideo em uma taxa de aproximadamente 20 mL/hora. Em recém-nascidos, este líquido é encontrado em um volume que varia entre 10 a 60 mL, enquanto que no adulto fica entre 100 a 150 mL.
30 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
31 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
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