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Quando uma criança começa a falar?

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Começando a falar

O momento em que a criança começa a falar é um dos marcos mais importantes do seu desenvolvimento. No entanto, a função da fala se instala gradativamente e com o seu desenvolvimento e aquisição de diferentes palavras a criança vai ganhando maior autonomia e vai deixando aos poucos de ser um bebê.

A fala é precedida pelo choro, como a primeira forma de comunicação tematizada do bebê. A mãe geralmente sabe quando ele chora por estar com fome, com frio ou com dor, sendo que, em cada caso, seu choro é diferente. Aos 3 meses, ocorrem os primeiros balbucios de sons, como ”aah!” e “ooh!”, seguidos por sílabas como “da-da”, “ma-ma”, que prenunciam as primeiras palavras e que são um enorme passo a caminho da socialização e da independência.

Por volta dos 7 meses, a criança já começa a articular “baba”, “papa” ou “mama”. A articulação1 de palavras integrais, propriamente, começa um pouco antes ou um pouco depois do primeiro aniversário. Ao fim de 12 meses, o bebê já pode estar articulando pelo menos quatro palavras, já compreende e responde uma ordem.

Ao término do segundo ano, é capaz de formar uma frase com duas ou três palavras e tem um vocabulário de cerca de 50 palavras. Aos 3 anos de idade, esse estoque verbal aumenta para 200 palavras e a criança já é capaz de manter uma conversação básica. Contudo, esses são apenas números médios e num caso particular podem ser um pouco maiores ou um pouco menores, sem que isso signifique problema. Muitas crianças normais falam um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde.

É importante estimular o bebê nas suas tentativas de falar, mas é igualmente importante não ser apressado. A fala ocorrerá naturalmente, sob o comando da natureza de cada criança. Depois de algum tempo, as crianças se igualam nessa função e falarão igualmente, quer tenham começado mais cedo ou mais tarde. Paralelamente, outras funções estão se desenvolvendo e colaboram com a fala, como a coordenação motora, a aquisição de força e equilíbrio, a apuração da sensibilidade e das percepções, etc.

Saiba mais sobre "Quando uma criança começa a andar", "Amamentação2" e "Calendário de Vacinação".

Os atrasos na fala

Os atrasos na fala do bebê podem se dever apenas à falta de estímulo pelos pais e cuidadores, como costuma acontecer em orfanatos e outras instituições de abrigo de crianças ou como resultado de uma doença, tais como surdez ou autismo, por exemplo. É comum também ver pais atendendo muito prontamente aos pedidos da criança, sem dar-lhes tempo suficiente para colocarem em palavras o que desejam.

No entanto, demorar para falar pode significar que a criança tenha algum transtorno neste processo. Pode haver também: causas genéticas ou cognitivas; dificuldades na motricidade oral em crianças que respiram mal ou que tem adenoides aumentadas, por exemplo; autismo; mutismo3 seletivo; distúrbio específico de linguagem; apraxia da fala, etc.

Nestes casos, é importante observar se o bebê apresenta apenas pouco desenvolvimento da fala ou se tem outros sintomas4, correspondentes àquelas condições.

Leia sobre "Surdez", "Autismo" e "Adenoidite".

Como a criança pode ser ajudada a falar corretamente?

Além do atraso, pode ocorrer também dificuldades ou defeitos na fala, mesmo sem uma doença subjacente, como uma dificuldade na aquisição do próprio processo. É, pois, tão importante estimular o bebê a falar como ajudá-lo a falar bem e corretamente.

Os pais podem ajudar a criança a falar bem adotando alguns comportamentos como:

(1) Comunicar-se com o bebê desde cedo, falando e cantando para ele. Os pais devem fazer perguntas, explicar o que estão fazendo, cantando ou apontando para os objetos dizendo o seu nome, por exemplo.

(2) Ler para o bebê é uma ótima forma de aumentar o vocabulário dele e ajudá-lo a entender o sentido das palavras.

(3) Responder ao que o bebê fala, pois isso faz com que ele fique mais estimulado para continuar conversando.

(4) Usar uma linguagem correta ao falar com o bebê, evitando diminutivos ou palavras ditas ou repetidas ao modo infantil como, por exemplo, “papato” no lugar se sapato, “aca” no lugar de água, etc.

Veja também sobre "Disartria5", "Afasia6", "Gagueira", "Dislalia" e "Engatinhar ajuda no desenvolvimento da motricidade, da fala e da escrita".

 

ABCMED, 2017. Quando uma criança começa a falar?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/1293123/quando+uma+crianca+comeca+a+falar.htm>. Acesso em: 21 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Articulação: 1. Ponto de contato, de junção de duas partes do corpo ou de dois ou mais ossos. 2. Ponto de conexão entre dois órgãos ou segmentos de um mesmo órgão ou estrutura, que geralmente dá flexibilidade e facilita a separação das partes. 3. Ato ou efeito de articular-se. 4. Conjunto dos movimentos dos órgãos fonadores (articuladores) para a produção dos sons da linguagem.
2 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
3 Mutismo: Estado de não reatividade e de imobilidade, com uma especial ausência da necessidade de falar e de impulso verbal, que está presente em alguns casos de esquizofrenia e de histeria.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Disartria: Distúrbio neurológico caracterizado pela incapacidade de articular as palavras de maneira correta (dificuldade na produção de fonemas). Entre as suas principais causas estão as lesões nos nervos centrais e as doenças neuromusculares.
6 Afasia: Sintoma neurológico caracterizado pela incapacidade de expressar-se ou interpretar a linguagem falada ou escrita. Pode ser produzida quando certas áreas do córtex cerebral sofrem uma lesão (tumores, hemorragias, infecções, etc.). Pode ser classificada em afasia de expressão ou afasia de compreensão.
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