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Costocondrite: saiba mais sobre essa “dor no peito”

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O que é costocondrite?

Costocondrite é uma condição dolorosa da parede torácica1 causada por inflamação2 nas cartilagens3 que ligam as costelas4 ao osso esterno5. O prefixo "costo" significa relacionado com as costelas4, "condr" se relaciona à cartilagem6 e "ite" é o sufixo médico que se refere a inflamação2. Muitas vezes a costocondrite é tomada (incorretamente) como igual à síndrome7 de Tietze. Embora ambas as condições possam ter sintomas8 semelhantes, devido à inflamação2, a síndrome7 de Tietze tende a causar inchaço9 das articulações10 e, enquanto a costocondrite ocorre mais frequentemente em mulheres e em pessoas com mais de 40 anos, a síndrome7 de Tietze ocorre mais em adolescentes e adultos jovens e com igual frequência em homens e mulheres. Mesmo sendo dolorosa, esta doença não é grave.

Quais são as causas da costocondrite?

Não se conhece a causa determinante da costocondrite e, em muitos casos, a condição é dita idiopática11. Às vezes, ela pode seguir-se a um trauma ou pressão no peito12 ou a atividades menores repetitivas a que a pessoa não esteja acostumada. Pessoas com problemas específicos, tais como osteoartrite13, artrite reumatoide14, espondilite anquilosante ou fibromialgia15 podem apresentar também costocondrite. Da mesma forma, pessoas submetidas a grande tensão física, como levantamento de peso, exercício extenuante e tosse severa. Também as infecções16 por vírus17, bactérias e fungos podem infectar a junção das costelas4 e, bem assim como os tumores cancerosos e não cancerosos, podem causar costocondrite.

Qual é a fisiopatologia18 da costocondrite?

Um pouco sobre a anatomia do tórax19: a caixa torácica é uma estrutura formada por ossos rígidos que protegem os pulmões20. No entanto, os nossos pulmões20 precisam de espaço para expandir para que possamos respirar. Para que nosso peito12 se expanda, as cartilagens3 das costelas4, que são de um material mais macio e flexível, precisam permitir esse movimento. As cartilagens3 ligam as costelas4 ao osso esterno5 e este à clavícula21. As articulações10 entre as costelas4 e as cartilagens3 são chamadas de articulações10 costocondrais, daí o nome costocondrite. Nos casos em que elas se inflamam, produzem dores que se exacerbam com a movimentação.

Quais são os principais sinais22 e sintomas8 da costocondrite?

Nenhuma pessoa específica está em maior risco de ter costocondrite que outra, mas ela tende a afetar especialmente os adultos, embora possa também afetar crianças. Ao que parece, as mulheres são afetadas com mais frequência do que os homens. O sintoma23 mais chamativo da costocondrite é uma dor aguda e penetrante, sentida na frente do peito12 ao nível da 4ª, 5ª e 6ª costelas4 e que é agravada pelo movimento, esforço, respiração profunda e pressão sobre o peito12. A pressão sobre a área afetada também provoca uma exacerbação aguda da dor. A dor é normalmente limitada a uma pequena área, mas pode ser propagada para uma zona mais ampla. A dor tende a aumentar e diminuir com uma mudança de posição ou na dependência da forma de respirar.

Como o médico diagnostica a costocondrite?

A costocondrite é diagnosticada com base nos relatos dos pacientes sobre seus sintomas8 e no exame físico. Nenhum exame de laboratório é usado para confirmar o diagnóstico24 de costocondrite. No entanto, investigações podem ser realizadas para descartar outras causas de dor no peito12, como eletrocardiograma25, radiografia de tórax19, tomografia computadorizada26 ou ressonância magnética27. As dores no peito12 são os sintomas8 mais preocupantes da costocondrite e as que impõem um diagnóstico24 diferencial mais cuidadoso, porque existem muitas causas de dor no peito12 e algumas são graves.

Como o médico trata a costocondrite?

Analgésicos28 e anti-inflamatórios podem ser utilizados em casos de costocondrite para aliviar os sintomas8. Para os casos graves, que não respondem a essas medicações, podem ser utilizadas injeções de corticoides ou anestésicos locais. Em casos extremos, pode ser realizado um bloqueio do nervo intercostal29. Em casos ainda mais graves e recorrentes, pode ser administrada uma série de injeções para destruir de forma permanente o nervo causador da dor. Outras medidas, não-medicamentosas, podem ser tentadas para alívio da dor, tais como o uso de almofadas térmicas, aplicação de gelo, estimulação elétrica transcutânea, acupuntura, exercícios de alongamento e prevenção de esportes ou atividades que agravam a dor.

Como evolui a costocondrite?

O prognóstico30 da costocondrite é muito bom. A maioria dos casos melhora em 6 a 8 semanas, com ou sem medicamentos. A costocondrite pode recidivar, mas isso é uma eventualidade improvável.

ABCMED, 2015. Costocondrite: saiba mais sobre essa “dor no peito”. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/ortopedia-e-saude/809834/costocondrite-saiba-mais-sobre-essa-dor-no-peito.htm>. Acesso em: 8 abr. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Parede torácica: A parede torácica abrange a caixa torácica óssea, os músculos da caixa torácica e o diafragma. Ela abriga órgãos como o coração, pulmões e á atravessada pelo esôfago no seu trajeto em direção ao abdome.
2 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
3 Cartilagens: Tecido resistente e flexível, de cor branca ou cinzenta, formado de grandes células inclusas em substância que apresenta tendência à calcificação e à ossificação.
4 Costelas:
5 Esterno: Osso longo e achatado, situado na parte vertebral do tórax dos vertebrados (com exceção dos peixes), e que no homem se articula com as primeiras sete costelas e com a clavícula. Ele é composto de três partes: corpo, manúbrio e apêndice xifoide. Nos artrópodes, é uma placa quitinosa ventral do tórax.
6 Cartilagem: Tecido resistente e flexível, de cor branca ou cinzenta, formado de grandes células inclusas em substância que apresenta tendência à calcificação e à ossificação.
7 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
8 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
9 Inchaço: Inchação, edema.
10 Articulações:
11 Idiopática: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
12 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
13 Osteoartrite: Termo geral que se emprega para referir-se ao processo degenerativo da cartilagem articular, manifestado por dor ao movimento, derrame articular, etc. Também denominado artrose.
14 Artrite reumatóide: Doença auto-imune de etiologia desconhecida, caracterizada por poliartrite periférica, simétrica, que leva à deformidade e à destruição das articulações por erosão do osso e cartilagem. Afeta mulheres duas vezes mais do que os homens e sua incidência aumenta com a idade. Em geral, acomete grandes e pequenas articulações em associação com manifestações sistêmicas como rigidez matinal, fadiga e perda de peso. Quando envolve outros órgãos, a morbidade e a gravidade da doença são maiores, podendo diminuir a expectativa de vida em cinco a dez anos.
15 Fibromialgia:
16 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
17 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
18 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
19 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
20 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
21 Clavícula:
22 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
23 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
24 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
25 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
26 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
27 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
28 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
29 Intercostal: Localizado entre as costelas.
30 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
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