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Incompetência istmo-cervical

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O que é incompetência istmo-cervical?

Incompetência istmo-cervical ou insuficiência1 istmo-cervical é um defeito congênito2 ou posteriormente adquirido do canal uterino que não mais tem a capacidade de suportar o peso do concepto da gravidez3 sem dilatar-se. Segundo a literatura, a incidência4 da incompetência istmo-cervical é de 1 em cada 1000 nascimentos.

Geralmente a mulher só descobre que possui incompetência uterina após um ou mais abortos espontâneos, sem motivo aparente.

Quais são as causas da incompetência istmo-cervical?

A incompetência istmo-cervical decorre de defeitos anatômicos ou funcionais que, como dito, podem ser congênitos5 ou adquiridos. As causas congênitas6 são aquelas que levam a uma malformação7 do canal istmo-cervical e as adquiridas são aquelas que levam a uma deformidade deste canal como consequência de fatos como partos com utilização de fórceps, partos traumáticos, dilatação forçada do colo uterino8, conização, tumoração istmo-cervical etc. Entre os principais fatores de risco para essa alteração estão: mulheres que já fizeram curetagem9 uterina, mulheres que já fizeram cirurgias uterinas anteriormente, gravidez3 gemelar, mulheres que já sofreram aborto espontâneo no segundo trimestre da gestação sem causa aparente e pacientes submetidas a um procedimento para retirada de lesões10 do útero11.

Outros assuntos relacionados em "Abortos", "Curetagem9 uterina", "Histerossalpingografia", "Ultrassonografia12 na gravidez3", "Parto a termo" e "Parto prematuro".

Qual é o mecanismo fisiológico13 da incompetência istmo-cervical?

O colo do útero14 faz a ligação deste órgão com a vagina15. Quando a mulher não está grávida, ele é atravessado pelo canal cervical, uma pequena abertura pela qual passam o fluxo menstrual para o exterior do útero11 e o esperma16 para o interior do útero11. Durante uma gravidez3 normal, um tampão de muco e secreção fecha essa abertura, protegendo o útero11 de infecções17. O colo do útero14 permanece firme e fechado até as últimas semanas da gestação. Só então começa a amolecer, afinar e dilatar, preparando-se para dar passagem ao bebê no parto vaginal. Ter incompetência istmo-cervical quer dizer que o colo do útero14 é fraco ou curto e tende a dilatar e afinar só pelo peso do bebê, sem que haja contrações.

Quais são as características clínicas da incompetência istmo-cervical?

A incompetência istmo-cervical leva a perdas gestacionais precoces (a partir da décima oitava semana), quando o bebê ainda não está pronto para viver fora do útero11 materno. As perdas geralmente são inevitáveis, se a gravidez3 não for adequadamente monitorada, pois o colo do útero14 se dilata sem dor ou outros sintomas18. Por vezes a bolsa estoura precocemente, sem aviso prévio. Outros sintomas18, mais frequentes no segundo trimestre da gravidez3, são: dilatação prematura e indolor do colo do útero14, sangramento vaginal, sensação de peso no canal vaginal e ruptura prematura da bolsa com perda de líquido amniótico19 pelo canal vaginal.

Como o médico diagnostica a incompetência istmo-cervical?

O diagnóstico20 da incompetência istmo-cervical pode ser feito por uma ultrassonografia12 transvaginal realizada durante a gravidez3, fazendo a medida do canal cervical, que mostrará encurtamento, o qual será também notado no toque vaginal. (É considerado anormal o canal cervical menor que 3 centímetros). A incompetência istmo-cervical deve ser suspeitada naquelas gestantes com história de abortamento21 de repetição. Outros exames possíveis são a histerossalpingografia, que serve para avaliar a anatomia do útero11 e das tubas uterinas, e a prova da vela de Hegar (dilatador uterino).

Como o médico trata a incompetência istmo-cervical?

Não há um tratamento definitivo para a enfermidade, mas há tratamentos que podem evitar as suas complicações, dentre elas, principalmente, a prematuridade. O procedimento mais utilizado atualmente é a cerclagem uterina, que consiste em um procedimento cirúrgico realizado durante a gravidez3 e tem como finalidade costurar o colo do útero14 a fim de mantê-lo fechado até que a gravidez3 se complete. A gestante deve manter a cerclagem até a 37ª semana de gravidez3, quando serão retirados os pontos. A partir daí, deve-se aguardar o início do trabalho de parto espontâneo. Apesar de não ser comprovado que manter-se na posição horizontal impeça o rompimento do colo do útero14, essa conduta é muitas vezes indicada para aliviar a pressão exercida pelo bebê sobre o colo uterino8.

Como evolui a incompetência istmo-cervical?

Se não tratada adequadamente, a incompetência istmo-cervical leva ao abortamento21 em fases avançadas da gestação, porém ainda antes que o bebê tenha condições de sobreviver fora do útero11.

Como prevenir as consequências da incompetência istmo-cervical?

Nos casos de risco, o obstetra deve realizar o acompanhamento ultrassonográfico da medida do colo uterino8 para poder predizer a ocorrência da incompetência istmo-cervical e possibilitar uma intervenção precoce no sentido de evitar desfechos desfavoráveis.

Veja também "A gravidez3 e suas etapas na mãe e no bebê", "Entendendo a prematuridade e os cuidados necessários com os prematuros" e "Gravidez3 de risco: quando pode ocorrer?".
ABCMED, 2017. Incompetência istmo-cervical. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/gravidez/1300708/incompetencia+istmo+cervical.htm>. Acesso em: 19 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
2 Congênito: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
3 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
4 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
5 Congênitos: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
6 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
7 Malformação: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
8 Colo Uterino: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
9 Curetagem: Operação ou cirurgia que consiste em esvaziar o interior de uma cavidade natural ou patológica com o auxílio de uma cureta; raspagem.
10 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
11 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
12 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
13 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
14 Colo do útero: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
15 Vagina: Canal genital, na mulher, que se estende do ÚTERO à VULVA. (Tradução livre do original
16 Esperma: Esperma ou sêmen. Líquido denso, gelatinoso, branco acinzentado e opaco, que contém espermatozoides e que serve para conduzi-los até o óvulo. O esperma é o líquido da ejaculação. Ele é composto de plasma seminal e espermatozoides. Este plasma contém nutrientes que alimentam e protegem os espermatozoides.
17 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
18 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
19 Líquido amniótico: Fluido viscoso, incolor ou levemente esbranquiçado, que preenche a bolsa amniótica e envolve o embrião durante toda a gestação, protegendo-o contra infecções e choques mecânicos e térmicos.
20 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
21 Abortamento: Interrupção precoce da gravidez, espontânea ou induzida, seguida pela expulsão do produto gestacional pelo canal vaginal (Aborto). Pode ser precedido por perdas sangüíneas através da vagina.
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