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Avaliação da função renal

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O que é a avaliação da função renal1?

A avaliação renal1 é um estudo do estado funcional dos rins2. Essa avaliação é a chave para um diagnóstico3 correto, monitorização e manejo das doenças renais, bem como para o cálculo4 adequado de doses das drogas que são excretadas pelos rins2. O exame mais solicitado para essa avaliação é a dosagem da creatinina5 sérica, considerando-se as características próprias do indivíduo, como sexo, idade, peso, etc.

Como é feita a avaliação da função renal1?

A avaliação da função renal1 é feita por meio de exames laboratoriais. O teste padrão ouro para avaliar a função renal1 é a taxa de filtração glomerular, mas a avaliação da função renal1 pode também ser feita por meio de outros exames laboratoriais (dosagem de marcadores indiretos como a creatinina5 e cistatina C no sangue6, por exemplo).

Um marcador substituto útil e prático para a taxa de filtração glomerular é a depuração da creatinina5. A depuração da creatinina5 mede a capacidade dos rins2 de remover a creatinina5 do sangue6 para a urina7 durante um período de 24 horas. Esta é uma medida muito mais acessível da função renal1, mas como a concentração sérica de creatinina5 é influenciada pela massa muscular e idade (aumenta com a massa muscular e diminui com a idade), as taxas de depuração de creatinina5 devem ser interpretadas para cada paciente individual.

A maioria dos médicos usa também as concentrações plasmáticas de ureia8 e de eletrólitos9 para determinar a função renal1. Essas medidas são adequadas para determinar se um paciente está sofrendo de doença renal1. Os níveis elevados de proteína na urina7 (sobretudo a albumina10) também marcam alguma doença renal1.

No entanto, as taxas de ureia8 e de creatinina5 no sangue6 só se elevam quando a função renal1 está comprometida em mais de 60% do normal. Por isso, a taxa de filtração glomerular e de depuração de creatinina5 são mais precisas.

Leia sobre "Depuração da creatinina5", "Rim11 policístico", "Displasia12 renal1", "Ectopia renal1" e "Biópsia13 renal1".

Quais são os valores de referência das avaliações da função renal1?

Ureia8 no sangue6:

A taxa normal de ureia8 no sangue6 varia entre 15 e 45 mg/dL14 (miligramas por decilitro). Valores maiores que estes são considerados altos e o quadro clínico é chamado de hiperuremia. Valores abaixo desses são considerados baixos e o quadro clínico é chamado hipouremia. Além dos fatores renais, os níveis sanguíneos de ureia8 dependem dos padrões alimentares, da hidratação corporal, do sedentarismo15 e da velocidade do metabolismo16.

Creatinina5:

A creatinina5 é uma substância inerte no sangue6, sendo produzida e eliminada constantemente pelo organismo. Ela é um dos marcadores das funções dos rins2. Um aumento de creatinina5 no sangue6 é um indício de insuficiência renal17. Os níveis normais de creatinina5 variam entre 0,5 e 1,1 mg/dl14 para mulheres e entre 0,6 e 1,2 mg/dl14 para homens.

Depuração da creatinina5:

Depuração da creatinina5 é a remoção da creatinina5 do corpo. Ela mede o volume de plasma sanguíneo18 que é depurado (eliminado) de creatinina5 por unidade de tempo e ajuda a estimar a taxa de filtração glomerular dos rins2. A medida da depuração da creatinina5 é estimada por meio de cálculos laboratoriais complexos, pela obtenção de urina7 de 24 horas e por uma amostra de sangue6 coletada dentro do período de coleta de urina7. Os valores de referência da depuração da creatinina5 são:

  • Crianças: de 70 a 130 mL/min/1,73 m².
  • Mulheres: de 85 a 125 mL/min/1,73 m².
  • Homens: de 75 a 115 mL/min/1,73 m².
Cistatina C:

A cistatina C é uma proteína não glicosilada de baixo peso molecular, livremente filtrada pelos glomérulos renais19 e a seguir quase que totalmente reabsorvida e metabolizada nos túbulos proximais20. A quantidade dessa substância produzida pelo organismo é constante e a concentração dela depende exclusivamente do ritmo de filtração glomerular. Os valores de referência da cistatina são:

  • Cistatina sérica fetal: de 0,64 a 2,30 mg/l.
  • Ao nascimento: de 1,17 a 3,06 mg/l.
  • A partir dos 12 meses de idade: de 0,7 a 1,38 mg/l.
  • De 1 a 19 anos: 0,75 +/- 0,089 mg/l.
  • Na faixa etária entre 20 e 59 anos: 0,65 +/- 0,085 mg/l, para o sexo masculino; e 0,74 +/- 0,10 mg/l para o sexo feminino.
  • A partir de 60 anos: 0,83 +/- 0,103 mg/l.

Vários outros testes mais sofisticados podem ainda ser usados para avaliar a função renal1, mas os listados acima são os mais comumente solicitados pelos nefrologistas.

Veja também sobre "Cálculos renais", "Sangue6 na urina7", "Uremia21" e "Cistos renais".

 

ABCMED, 2018. Avaliação da função renal. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1326733/avaliacao+da+funcao+renal.htm>. Acesso em: 15 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
2 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
3 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
4 Cálculo: Formação sólida, produto da precipitação de diferentes substâncias dissolvidas nos líquidos corporais, podendo variar em sua composição segundo diferentes condições biológicas. Podem ser produzidos no sistema biliar (cálculos biliares) e nos rins (cálculos renais) e serem formados de colesterol, ácido úrico, oxalato de cálcio, pigmentos biliares, etc.
5 Creatinina: Produto residual das proteínas da dieta e dos músculos do corpo. É excretada do organismo pelos rins. Uma vez que as doenças renais progridem, o nível de creatinina aumenta no sangue.
6 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
7 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
8 Ureia: 1. Resíduo tóxico produzido pelo organismo, resulta da quebra de proteínas pelo fígado. É normalmente removida do organismo pelos rins e excretada na urina. 2. Substância azotada. Composto orgânico cristalino, incolor, de fórmula CO(NH2)2 (ou CH4N2O), com um ponto de fusão de 132,7 °C.
9 Eletrólitos: Em eletricidade, é um condutor elétrico de natureza líquida ou sólida, no qual cargas são transportadas por meio de íons. Em química, é uma substância que dissolvida em água se torna condutora de corrente elétrica.
10 Albumina: Proteína encontrada no plasma, com importantes funções, como equilíbrio osmótico, transporte de substâncias, etc.
11 Rim: Os rins são órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
12 Displasia: Desenvolvimento ou crescimento anormal de um tecido ou órgão.
13 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
14 Mg/dL: Miligramas por decilitro, unidade de medida que mostra a concentração de uma substância em uma quantidade específica de fluido.
15 Sedentarismo: Qualidade de quem ou do que é sedentário, ou de quem tem vida e/ou hábitos sedentários. Sedentário é aquele que se exercita pouco, que não se movimenta muito.
16 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
17 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
18 Plasma Sanguíneo: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
19 Glomérulos Renais: Grupo de capilares enovelados (sustentados pelo tecido conjuntivo) que se iniciam em cada túbulo renal. Taxa de Filtração Glomerular; Fluxo Sanguíneo Renal Efetivo; Fluxo Plasmático Renal Efetivo;
20 Proximais: 1. Que se localiza próximo do centro, do ponto de origem ou do ponto de união. 2. Em anatomia geral, significa o mais próximo do tronco (no caso dos membros) ou do ponto de origem (no caso de vasos e nervos). Ou também o que fica voltado para a cabeça (diz-se de qualquer formação). 3. Em botânica, o que fica próximo ao ponto de origem ou à base. 4. Em odontologia, é o mais próximo do ponto médio do arco dental.
21 Uremia: Doença causada pelo armazenamento de uréia no organismo devido ao mal funcionamento renal. Os sintomas incluem náuseas, vômitos, perda de apetite, fraqueza e confusão mental.
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