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Pneumotórax: você sabe o que é e como ele acontece?

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O que é pneumotórax1?

O pneumotórax1 é caracterizado pela presença de ar na cavidade pleural2, o que em geral ocorre como resultado de uma doença ou lesão3 dos pulmões4. Alguns pneumotóraces constituem uma emergência5 médica, outros não. Para entender-se melhor o que é o pneumotórax1, é necessário conhecer, pelo menos em parte, algo sobre a anatomia dos pulmões4. Os pulmões4 são órgãos aerados e expansíveis que ficam localizados dentro da caixa torácica. Eles são revestidos pela pleura6, um “saco” constituído por duas membranas justapostas uma à outra. Uma delas é aderida aos pulmões4 (pleura6 visceral) e a outra à parede torácica7 interna (pleura6 parietal), formando entre elas um espaço virtual, chamado cavidade plural, preenchido apenas por uma fina camada de líquido lubrificante (líquido pleural). Quando, por qualquer razão, o ar penetra e preenche parcialmente essa cavidade, tem-se um pneumotórax1 (pneuma=ar).

Quais são os tipos de pneumotórax1?

  • Pneumotórax1 espontâneo: surge de repente, de modo súbito, às vezes em repouso, sem causa aparente. Muitas vezes pode-se constatar que precedentemente havia “bolhas” nas folhas pleurais, semelhantes às que ocorrem, por exemplo, em um pneu velho, as quais se rompem para dar origem ao pneumotórax1.
  • Pneumotórax1 secundário: surge em decorrência de alguma doença pulmonar.
  • Pneumotórax1 traumático: surge em decorrência de acidentes ou traumas torácicos.
  • Pneumotórax1 hipertensivo: ocorre quando o orifício na pleura6 exerce um papel de válvula unidirecional, ou seja, cada vez que a pessoa inspira entra mais ar na cavidade pleural2, o qual não consegue sair. É o tipo mais grave de pneumotórax1 e precisa ser reconhecido e tratado rapidamente, porque comprime e compromete progressivamente as estruturas anatômicas do tórax8 (pulmões4, traqueia9, esôfago10, mediastino11, coração12, etc.), podendo levar à morte.

Quais são as causas do pneumotórax1?

A pressão no interior da cavidade pleural2 é normalmente negativa e isso ajuda os pulmões4 a se expandirem, mas perfurações acidentais, pequenos orifícios no diafragma13, empiema14 pleural (acúmulo de pus15 na cavidade pleural2), outras enfermidades pulmonares e mesmo perfurações espontâneas na pleura6 podem tornar positiva essa pressão e permitir a entrada de gases no seu interior, os quais passam a comprimir os pulmões4 e demais órgãos torácicos. O ar que normalmente fazia os pulmões4 se expandirem, agora os comprime e os faz “murcharem”, o que dificulta ou mesmo impede a expansibilidade desses órgãos e causa sérios problemas respiratórios.

Quais são os principais sinais16 e sintomas17 do pneumotórax1?

Os sintomas17 principais do pneumotórax1 são:

  • Dor torácica abrupta e intensa, que se agrava com a inspiração18.
  • Grande dificuldade de respirar, proporcional à área pulmonar afetada.

Os gases colecionados na cavidade pleural2 comprimem os pulmões4 (e demais órgãos do mediastino11) causando o colapso19 deles, desvio do mediastino11, compressão venosa, queda do débito cardíaco20 e hipotensão arterial21.

No pneumotórax1 hipertensivo o ar não é capaz de deixar o espaço entre a pleura6 e o pulmão22 e tende a se acumular cada vez mais, provocando um colapso19 pulmonar cada vez maior e o agravamento dos sintomas17. Com a evolução do quadro clínico, o mediastino11, o esôfago10, a traqueia9 e o coração12 passam a ser pressionados, causando dispneia23, diminuição do retorno venoso24 e hipóxia25.

Como o médico diagnostica o pneumotórax1?

O diagnóstico26 de suspeita do pneumotórax1 pode ser feito através do histórico clínico e do exame físico, todavia, a confirmação depende de uma radiografia de tórax8, a qual mostrará certa quantidade de ar entre os pulmões4 e a parede torácica7. Dados mais precisos podem ainda ser obtidos por meio de uma tomografia computadorizada27, útil sobretudo nos casos de pneumotórax1 espontâneo e de pequeno volume.

Como o médico trata o pneumotórax1?

Basicamente, o tratamento do pneumotórax1 consiste na remoção do ar existente entre as membranas pleurais, por meio de uma aspiração (punção pleural). Os pneumotóraces pequenos (de dois ou três centímetros) costumam regredir por si mesmos. Nos mais volumosos, o médico colocará um tubo através da parede do tórax8 para aspiração do ar. Depois da cicatrização da pleura6, esse tubo pode ser retirado.

No atendimento de urgência28 do pneumotórax1 hipertensivo, se o tubo adequado não estiver disponível no momento, o médico pode usar uma agulha de grosso calibre para perfurar o tórax8. Isso não cura o pneumotórax1, mas o transforma em um tipo não hipertensivo, permitindo maior tempo para o tratamento adequado.

Como evolui o pneumotórax1?

O pneumotórax1 hipertensivo constitui uma urgência28/emergência5 médica e deve ser solucionado rapidamente porque coloca em grande risco a vida do paciente.

Depois do primeiro episódio de um pneumotórax1 espontâneo, a pessoa tem de 40 a 50% de chance de ter um pneumotórax1 novamente.

Como prevenir o pneumotórax1?

  • Evite o cigarro, principalmente após cirurgias e anestesias gerais.
  • Evite situações que ocasionem grandes pressões intrapulmonares (tosses violentas, grandes espirros, gritos muito altos, etc.).
  • Evite bruscas variações de pressão intrapulmonar, como mergulhos profundos, saltos de grandes altitudes e respiração muito forçada, por exemplo.
ABCMED, 2013. Pneumotórax: você sabe o que é e como ele acontece?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/346209/pneumotorax+voce+sabe+o+que+e+e+como+ele+acontece.htm>. Acesso em: 20 jul. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Pneumotórax: Presença de ar na cavidade pleural. Como o pulmão mantém sua forma em virtude da pressão negativa existente entre a parede torácica e a pleura, a presença de pneumotórax produz o colapso pulmonar, podendo levar à insuficiência respiratória aguda. Suas causas são traumáticas (ferida perfurante no tórax, aumento brusco da pressão nas vias aéreas), pós-operatórias ou, em certas ocasiões, pode ser espontâneo.
2 Cavidade pleural: Cavidade dupla (porém, separada) dentro da CAVIDADE TORÁCICA. Consiste em um espaço entre as PLEURAS visceral e parietal e contém normalmente uma camada capilar de um líquido seroso que lubrifica as superfícies da pleura.
3 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
5 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
6 Pleura: Membrana serosa que recobre internamente a parede torácica e a superfície pulmonar.
7 Parede torácica: A parede torácica abrange a caixa torácica óssea, os músculos da caixa torácica e o diafragma. Ela abriga órgãos como o coração, pulmões e á atravessada pelo esôfago no seu trajeto em direção ao abdome.
8 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
9 Traqueia: Conduto músculo-membranoso com cerca de 22 centímetros no homem e de 18 centímetros na mulher. Da traqueia distingue-se uma parte que faz continuação direta à laringe (porção cervical) e uma parte que está situada no tórax (porção torácica). Possui anéis cartilaginosos em número variável de 12 a 16, unidos entre si por tecido fibroso. Destina-se à passagem do ar. A traqueia é revestida com epitélio ciliar que auxilia a filtração do ar inalado.
10 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
11 Mediastino: Região anatômica do tórax onde se localizam diversas estruturas, dentre elas o coração.
12 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
13 Diafragma: 1. Na anatomia geral, é um feixe muscular e tendinoso que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. 2. Qualquer membrana ou placa que divide duas cavidades ou duas partes da mesma cavidade. 3. Em engenharia mecânica, em um veículo automotor, é uma membrana da bomba injetora de combustível. 4. Na física, é qualquer anteparo com um orifício ou fenda, ajustável ou não, que regule o fluxo de uma substância ou de um feixe de radiação. 5. Em ginecologia, é um método contraceptivo formado por uma membrana de material elástico que envolve um anel flexível, usado no fundo da vagina de modo a obstruir o colo do útero. 6. Em um sistema óptico, é uma abertura que controla a seção reta de um feixe luminoso que passa através desta, com a finalidade de regular a intensidade luminosa, reduzir a aberração ou aumentar a profundidade focal.
14 Empiema: Coleção de pus na cavidade pleural.
15 Pus: Secreção amarelada, freqüentemente mal cheirosa, produzida como conseqüência de uma infecção bacteriana e formada por leucócitos em processo de degeneração, plasma, bactérias, proteínas, etc.
16 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
17 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
18 Inspiração: 1. Ato ou efeito de inspirar(-se). 2. Entrada de ar nos pulmões através das vias respiratórias. 3. Conselho, sugestão, influência. 4. No sentido figurado, significa criatividade, entusiasmo. Pessoa ou coisa que inspira, estimula a capacidade criativa. 5. Ideia súbita e espontânea, geralmente brilhante e/ou oportuna.
19 Colapso: 1. Em patologia, é um estado semelhante ao choque, caracterizado por prostração extrema, grande perda de líquido, acompanhado geralmente de insuficiência cardíaca. 2. Em medicina, é o achatamento conjunto das paredes de uma estrutura. 3. No sentido figurado, é uma diminuição súbita de eficiência, de poder. Derrocada, desmoronamento, ruína. 4. Em botânica, é a perda da turgescência de tecido vegetal.
20 Débito cardíaco: Quantidade de sangue bombeada pelo coração para a aorta a cada minuto.
21 Hipotensão arterial: Diminuição da pressão arterial abaixo dos valores normais. Estes valores normais são 90 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 50 milímetros de pressão diastólica.
22 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
23 Dispnéia: Falta de ar ou dificuldade para respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente está associada a alguma doença cardíaca ou pulmonar.
24 Retorno venoso: Quantidade de sangue que chega ao coração por minuto. Somos capazes de manter o débito cardíaco se, proporcionalmente, tivermos retorno venoso adequado. Ele só é possível devido à contração dos músculos esqueléticos que ajudam a comprimir as veias impulsionando o sangue e devido às válvulas existentes nas paredes das veias que impedem o refluxo do sangue. Outro mecanismo que favorece o retorno venoso é a respiração. Durante a inspiração, pela contração da musculatura inspiratória, faz-se um “vácuo” dentro da cavidade torácica, favorecendo o retorno venoso.
25 Hipóxia: Estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos que pode ocorrer por diversos fatores, tais como mudança repentina para um ambiente com ar rarefeito (locais de grande altitude) ou por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde as vias respiratórias superiores até os tecidos orgânicos.
26 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
27 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
28 Urgência: 1. Necessidade que requer solução imediata; pressa. 2. Situação crítica ou muito grave que tem prioridade sobre outras; emergência.
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Comentários

10/07/2014 - Comentário feito por vitor
Olá, tive um pneumotorax em 2000 e surgi...
Olá, tive um pneumotorax em 2000 e surgiu outro no passado mês de Abril. Devido a uma negligência médica no primeiro fui obrigado a fazer uma talcagem há 15 dias. Tenho ainda dores quando encho o pulmão. Podia-me informar se é normal essa dor? Uma parte do meu peito está sem sensibilidade, porque será? Tenho umas marcas no corpo no local do coração que dá a noção de que levei choque com desfibrilador, será essa a razão para a perda da sensibilidade ou foi dos cortes que efectuaram para colocar o dreno e fazer a cirurgia? Agradecia a informação se for possível. Obrigada

13/12/2013 - Comentário feito por larissa
Re: Pneumotórax: você sabe o que é e como ele acontece?
a 1 mês e meio tive Pneumotórax mas estou sentindo umas pontadas do lado onde fiz a drenagem isso é normal ? estou preocupada

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