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O que devemos saber sobre a Terapia de Reposição Hormonal ou TRH?

Tuesday, January 20, 2015
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O que devemos saber sobre a Terapia de Reposição Hormonal ou TRH?

O que é reposição hormonal?

Durante o climatério e a menopausa, o corpo das mulheres sofre um acentuado decréscimo de produção de estrógenos e de progesterona, o que causa a elas muitos sintomas desagradáveis. Denomina-se reposição hormonal a suplementação desses hormônios com o objetivo de corrigir tais sintomas. No homem também acontece um decréscimo da produção de hormônios masculinos, principalmente a testosterona, num período chamado climatério masculino ou andropausa, os quais também podem ser repostos. No entanto, quando se fala em “reposição hormonal” quase sempre se está referindo às mulheres. Existem importantes controvérsias entre os médicos quanto à adesão ou não da reposição hormonal. Alguns argumentam que os riscos associados, inclusive o aumento do risco de desenvolvimento do câncer da mama, são muito grandes em relação aos benefícios esperados e outros alegam que como a menopausa não é uma doença, mas um estado fisiológico, ela não precisa ser “tratada”. Os que defendem a reposição hormonal alegam que a mulher não precisa suportar os sintomas nem os riscos causados pela falta de estrogênio. Os que se posicionam em contrário alegam que com a reposição hormonal há um aumento do número de câncer da mama, coisa que outros contestam, alegando que nenhuma pesquisa séria aponta neste sentido.

Quais são os sinais e sintomas do climatério e da menopausa?

No climatério e na menopausa ocorre, além da cessação da capacidade reprodutiva, a perda das curvas femininas características, como nádegas e seios, aumento de gordura corpórea, aumento de pelos, engrossamento da voz, sintomas depressivos, desinteresse sexual, perda de memória e distúrbios do sono. Um dos sintomas que mais incomodam as mulheres são os “fogachos”, as ondas de calor, vermelhidão e suores que episodicamente correm-lhes no corpo. Nos homens, pode ocorrer perda do tônus muscular, sintomas depressivos, desinteresse sexual, perda da agressividade e da memória. Tudo isso não é uma patologia, mas uma resposta natural do organismo a esta fase da vida. No entanto, a reposição hormonal tem o efeito de corrigir esses sintomas.

Como é feita a reposição hormonal?

A reposição hormonal pode ser feita na forma de suplementação por comprimidos ou por meio de adesivos afixados à pele, contendo os hormônios a serem repostos. A duração deste tipo de tratamento é diferente de mulher para mulher, mas deve variar entre dois e cinco anos, no máximo, em virtude do risco de câncer de mama e doenças cardiovasculares, que aumentam acima desse tempo de uso. Uma reposição hormonal natural pode ser feita com o consumo de soja, linhaça, inhame e amora ou suplemento alimentar de lecitina, mas sempre sob orientação médica. As mulheres devem fazer a reposição do estrogênio associado à progesterona, pois o uso isolado do estrogênio parece aumentar ainda mais o risco de câncer de endométrio.

A principal recomendação a ser observada é que a terapia de reposição hormonal deve ser feita com a menor dose hormonal necessária ao alívio dos sintomas de cada indivíduo e pelo menor tempo possível.

Quem deve fazer reposição hormonal?

A reposição hormonal pode ser feita a partir do momento em que a mulher entra na menopausa (por volta dos 50 anos de idade), usando hormônios para substituir o estrogênio e a progesterona que os ovários deixaram de produzir. No homem, como os sintomas são bem mais discretos e às vezes nem chegam a ser notados, a reposição é bem mais rara e habitualmente só é feita à luz de sintomas muito evidentes.

Quem não deve fazer reposição hormonal?

Algumas condições clínicas contraindicam a reposição hormonal nas mulheres: câncer de mama e de endométrio, porfiria, lúpus eritematoso sistêmico, histórico de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral, trombose venosa profunda, distúrbios da coagulação sanguínea, anemia falciforme, hipertensão arterial, doenças cardíacas e vasculares, diabetes mellitus, epilepsia, cefaleia ou enxaqueca, tabagismo e sangramento genital de causa ainda não conhecida.

Quais são as vantagens e desvantagens da reposição hormonal?

Os especialistas que apontam as vantagens da reposição hormonal alegam que, além de corrigir os sintomas do climatério e da menopausa, a reposição estimula a produção de hemácias e gera um fortalecimento do sistema imunológico, ajudando a prevenir doenças que aparecem no período de envelhecimento. Também eleva a produtividade diária, potencializa os níveis energéticos, aumenta a satisfação na vida sexual, amorosa, profissional e social. Além disso, estimula a produção da fração HDL do colesterol, comumente conhecido como "colesterol bom". Os especialistas que são contra a reposição hormonal apontam seus efeitos colaterais desvantajosos, além da maior possibilidade de câncer de mama, câncer de endométrio, incremento na gordura corporal, retenção de sal e de fluidos, depressão, dores de cabeça, prejuízos no controle de açúcar no sangue, perda de zinco e retenção de cobre, redução nos níveis de oxigênio em todas as células, espessamento da bile e surgimento de doenças da vesícula biliar, aumento da possibilidade de fibrocistos nos seios e de fibrose uterina, interferência na atividade da tireoide, diminuição do desejo sexual, aumento da coagulabilidade sanguínea, redução do tônus vascular, endometriose, cólica uterina e infertilidade. Enfim, diante de tais controvérsias ainda não solucionadas, a reposição hormonal é algo a ser decidido entre a paciente e seu médico, pesando riscos e benefícios conhecidos.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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