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Climatério e menopausa: como são?

Monday, January 19, 2015
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Climatério e menopausa: como são?

O que é climatério e menopausa?

Climatério e menopausa são eventos diferentes. A palavra climatério descreve um período fisiologicamente conturbado da vida feminina que começa por volta dos 40 anos e se estende até a pós-menopausa, aos 65 anos. Embora exista também um climatério nos homens, marcado pela andropausa, quando se fala simplesmente em climatério está-se referindo às mulheres. Nesse período, nas mulheres, está ocorrendo o esgotamento da função ovariana e consequentemente a transição entre a fase reprodutiva e não-reprodutiva da mulher.

O climatério abrange a menopausa, período nitidamente marcado pela última menstruação espontânea. Portanto, pode-se descrever as seguintes fases do climatério:

  1. Climatério pré-menopausa: dos 35 aos 48 anos.
  2. Climatério peri-menopausa: dos 45 aos 50 anos.
  3. Menopausa: por volta dos 48 anos.
  4. Climatério pós-menopausa: dos 48 aos 65 anos, mais ou menos.

Na primeira fase é comum haver irregularidades menstruais, alongamento dos períodos intermenstruais e mesmo ocasionais falhas de menstruações, além de sintomas semelhantes aos de uma tensão pré-menstrual, só que mais acentuados e prolongados: sensação de inchaço no corpo e nas mamas, dores fortes de cabeça ou enxaquecas, alterações de humor, etc. É na peri-menopausa que se manifesta com mais intensidade o furacão de sintomas. É nela que a vagina perde a umidade e surgem os fogachos, ondas de calor que levam a mulher a se abanar mesmo nos dias frios.

Nas mulheres, os sinais mais desagradáveis do climatério chegam ao seu apogeu na menopausa, mas continuam a se manifestar até um ano depois. Nelas, esse período é marcado pela última menstruação, após o que as “regras” cessam inteiramente. Algumas mulheres nada sentem durante a menopausa, mas outras experimentam sintomas muito incomodativos, tais como fogachos, com vermelhidão, uma sensação intensa de calor no corpo e transpirações excessivas, suores noturnos, insônia, baixa do desejo sexual, irritabilidade, depressão, osteoporose, aumento do risco de doenças cardiovasculares, ressecamento vaginal, dor durante o ato sexual e diminuição da atenção e memória.

Esses sintomas são causados pela diminuição da produção do estrogênio, hormônio que desde a adolescência da mulher responde pelo crescimento das mamas e dos pêlos pubianos, alargamento dos quadris, distribuição feminina da gordura e textura da pele, entre outros. O estrogênio é ainda responsável pela fixação do cálcio nos ossos e, por isso, após a menopausa, grande parte das mulheres passará a perder massa óssea, doença chamada de osteoporose, a qual torna os ossos mais frágeis e mais sujeitos a fraturas. Sem o estrogênio, o brilho da pele feminina diminui, a gordura passa a concentrar-se na barriga, a mulher passa a sentir secura vaginal e dor no ato sexual, o colesterol e o HDL-colesterol se elevam, o que aumenta a chance de ataques cardíacos e doenças cardiovasculares. A menopausa varia entre 48 e 55 anos. Se ocorrer antes dos 40 anos é chamada menopausa precoce.

Qual é a fisiopatologia do climatério e da menopausa?

O roteiro fisiológico que a mulher cumprirá durante a sua vida já está previsto desde o seu nascimento. Um feto feminino de vinte semanas possui cerca de sete milhões de folículos ovarianos, mas ao nascer só restam na menina de um a dois milhões de folículos e quando ela ingressa na puberdade, iniciando a fase reprodutiva e a produção intensa de hormônios, não terá mais do que 300 ou 400 mil. Cada ciclo menstrual mobiliza cerca de mil folículos, dos quais apenas um se transforma em óvulo e os demais morrem. A eliminação desses folículos termina com o advento da menopausa, por conta da falta de estrogênio.

A cada ciclo de 28 dias um óvulo é liberado pelo ovário e desde que não ocorra uma gravidez é eliminado juntamente com a menstruação. A partir dos 40 anos diminui progressivamente a produção dos estrogênios, ocasionando a escassez dos óvulos e mesmo alguns ciclos anovulatórios. A insuficiência ovariana é secundária ao esgotamento dos folículos primordiais que cada mulher porta ao nascer, o que decreta o fim da produção do estrógeno. Os folículos desaparecem porque, como todas as células do corpo humano, eles estão programados para morrer, mas enquanto toda célula morta é substituída por uma nova, no caso das células germinativas femininas, isso não acontece: a mulher nasce com uma quota fixa de folículos e quando um deles morre, não é substituído. Quando essa quota acaba, acabou mesmo.

Mesmo depois de desaparecem os folículos, a parte central do ovário e as glândulas suprarrenais continuam a produzir uma pequena quantidade de estrógenos, para as outras necessidades orgânicas. O climatério e a menopausa são a segunda revolução provocada pelos hormônios femininos. A primeira delas aconteceu na puberdade e a mulher teve que se aclimatar com a enxurrada de novas substâncias e aprender a viver com altas doses delas; agora, na maturidade, deve reaprender a viver sem elas.

Quais são os principais sinais e sintomas do climatério e da menopausa?

A diminuição dos hormônios sexuais femininos repercute em vários locais do organismo e gera sinais e sintomas conhecidos pelo nome de síndrome do climatério ou da menopausa. Dentre esses sinais e sintomas os mais frequentes são, além dos fogachos ou ondas de calor, alterações urogenitais, atrofia e estreitamento da vagina, perda de elasticidade e secura vaginal, vaginites, dificuldade de esvaziamento da bexiga, perda involuntária de urina, sensação de micção iminente, alterações do humor, ansiedade, depressão, fadiga, irritabilidade, perda de memória e insônia, diminuição do desejo sexual, osteoporose.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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