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Aneurisma cerebral: o que devemos saber sobre ele?

Monday, July 30, 2012
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Aneurisma cerebral: o que devemos saber sobre ele?

O que é aneurisma cerebral?

Aneurisma cerebral é uma dilatação anormal de um vaso sanguíneo cerebral (geralmente uma artéria do Polígono de Willis; mais raramente uma veia) causada por um enfraquecimento muscular de um segmento da parede do mesmo. Essa dilatação pode ter diversos formatos (saculares, fusiformes ou irregulares) e tamanhos (indo desde poucos milímetros a vários centímetros).

A maioria dos aneurismas vai crescendo paulatinamente e permanece silenciosa durante muitos anos ou por toda a vida e só se manifesta quando se rompe, gerando um quadro clínico de hemorragia cerebral.

Aproximadamente 85% dos aneurismas cerebrais se desenvolvem nas artérias carótidas internas e nos seus ramos maiores que irrigam as porções anterior e média do cérebro. Em 20% dos casos o paciente apresenta mais de um aneurisma.

Quais são as causas do aneurisma cerebral?

Em geral, os aneurismas são defeitos musculares congênitos das paredes dos vasos, aos quais se associam condições facilitadoras como pressão alta, arteriosclerose, traumas físicos na cabeça, uso não moderado de álcool, tabaco ou cocaína.

Eles são encontrados com maior frequência nas pessoas com algumas alterações genéticas, como rins policísticos, doenças circulatórias e malformações arteriovenosas, associadas a fatores desencadeantes.

Os aneurismas cerebrais podem ocorrer em qualquer idade, mas sua maior incidência se dá entre os 40 e 50 anos de idade, um pouco mais em mulheres do que em homens. Os aneurismas congênitos são raros, mas a pessoa pode nascer com tendência à fragilidade dos vasos e à formação de aneurismas.

Quais são os sinais e sintomas do aneurisma cerebral?

Um aneurisma pequeno, que não tenha se rompido, geralmente não produz sintomas. Os aneurismas maiores podem gerar sintomas, de acordo com a sua localização. O mais chamativo deles é a dor de cabeça, mas ela só acontece raramente. A primeira e mais dramática manifestação de um aneurisma costuma ser o seu rompimento em uma pessoa que não sabia portá-lo.

A ruptura de um aneurisma é sempre uma ocorrência grave. Ela faz aumentar a pressão dentro da caixa cerebral inextensível, devido ao derramamento de sangue em seu interior, com consequências potencialmente fatais. Esta ruptura é geralmente um fenômeno súbito, que provoca uma fortíssima dor de cabeça (a pior que a pessoa já teve), náuseas e vômitos. Os pacientes também podem apresentar visão dupla, aversão à luz, queda palpebral, rigidez da nuca, paralisias e crises convulsivas. O rompimento de um aneurisma pode causar morte, devido ao comprometimento de áreas vitais como as de controle da respiração ou da pressão arterial. 

Como o médico diagnostica o aneurisma cerebral?

Além da história clínica sugestiva e do exame físico compatível, certos testes instrumentais, como a punção lombar, por exemplo, podem demonstrar a presença de sangue no líquido cefalorraquidiano, em caso de rompimento. Os exames de imagem (tomografia computadorizada e angiorressonância magnética) também podem ajudar a firmar o diagnóstico de aneurismas.

Como é o tratamento do aneurisma cerebral?

Até há pouco, o único tratamento para os aneurismas exigia cirurgia, para grampeamento do aneurisma. Atualmente essa técnica ainda continua disponível, mas desenvolveu-se também uma nova técnica, endovascular, que consiste na introdução de um cateter na artéria da virilha do paciente e através dele leva-se uma micromola de platina até o aneurisma, promovendo o bloqueio do aneurisma. Se houver rompimento do aneurisma e derramamento de uma quantidade significativa de sangue no cérebro, a cirurgia deve ser feita urgentemente.

Dependendo da localização do aneurisma, a cirurgia pode ser mais ou menos arriscada, devido às necessidades de não lesar mais o cérebro e manter íntegra a circulação sanguínea da parte irrigada pela artéria comprometida. Cabe ao médico (ou à equipe médica) que assiste o paciente decidir o momento e a técnica mais indicada para a intervenção. Alguns aneurismas, dadas suas características ou localizações, não são operáveis. Quando o aneurisma é descoberto antes do rompimento, técnicas preventivas podem e devem ser utilizadas.

Recomendações importantes:

Se um aneurisma não tiver sido ou não puder ser operado, os seguintes cuidados são de muita importância:

  • Evitar exercícios excessivos.
  • Manter a pressão arterial normal ou nos menores níveis possíveis.
  • Controlar o colesterol e os triglicérides.
  • Evitar álcool e cigarro.
  • Procurar assistência médica imediatamente se sentir dor de cabeça forte e repentina, seguida de enjoos e vômitos.

Como evolui o aneurisma cerebral?

O risco maior do aneurisma cerebral é o seu rompimento. Todo aneurisma cerebral tem potencial para romper e ele é tanto maior quanto maior for a bolsa aneurismática e se já houve sangramento prévio. A recorrência de um aneurisma cerebral após uma primeira ruptura é bastante frequente.

O prognóstico do paciente depende do tamanho, do formato, da posição e das complicações do aneurisma. Depende também de fatores ligados aos cuidados com a saúde e à higidez do paciente. Seja como for, a mortalidade das pessoas que sofreram hemorragias consequentes a rompimentos de aneurismas é bastante alta.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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