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Pedras nos Rins ou nos Ureteres

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Sinônimos:

Cálculos Renais, Nefrolitíase, Urolitíase, Litíase1 Renal2

O que são?

Os cálculos são formações endurecidas nos rins3 ou nas vias urinárias, resultantes do acúmulo de cristais existentes em urina4 que se tornou muito concentrada.

Eles podem não produzir sintomas5 até que comecem a se mover na direção do ureter6, quando causam dor forte, descrita como "a pior dor já experimentada".

Quais são as causas da formação de pedras nos rins3?

Como causa principal está uma herança genética associada a hábitos de vida pouco saudáveis, como o excesso de ingestão de sódio, de alimentos ricos em proteína animal e uma baixa ingestão de líquidos.

Mas as causas variam e podem ser descritas como:

  • Volume insuficiente de urina4 ou urina4 supersaturada de sais
  • Grande quantidade de cálcio, fosfatos, oxalatos, cistina ou baixos níveis de citrato na urina4
  • Distúrbios metabólicos do ácido úrico ou das glândulas7 tireóide e paratireóides
  • História familiar de cálculos renais
  • Infecções8 urinárias
  • Obstrução das vias urinárias
  • Acidose9 tubular renal2
  • Nefrocalcinose
  • Doenças do intestino delgado10
  • Alterações anatômicas
  • Sedentarismo11
  • Obesidade12
  • Osteoporose13
  • Uso crônico14 de medicamentos como corticóides, diuréticos15 como a furosemida e indinavir (anti-retroviral)

Cerca de 5% das mulheres e 10% dos homens terão pelo menos um episódio de litíase1 renal2 até chegar aos 70 anos de idade. A recorrência16 é comum e seu risco é maior quando ocorrerem dois ou mais episódios de cálculos renais.


O que sentem as pessoas com pedras nos rins3?

Elas podem não ter sintomas5 ou apresentar:

  • Dor intensa que começa nas costas17 e irradia para o abdome18 em direção à região inguinal. É uma dor que se manifesta em cólicas19, ou seja, com um pico de dor intensa seguido de um período de alívio. Em geral, essas crises são acompanhadas por náuseas20 e vômitos21
  • Alteração da cor da urina4 pela presença de sangue22. Ela pode se tornar avermelhada ou escurecida, seguida ou não de dificuldade para urinar
  • Suspensão ou diminuição do fluxo urinário

Sessenta e cinco por cento dos cálculos ureterais são eliminados espontaneamente em quatro semanas, após o início dos sintomas5. Aproximadamente de 10 a 20% de todos os cálculos renais necessitam de remoção, que é determinada pela presença de sintomas5 (dor persistente, infecção23, obstrução, perda de função), pelo tamanho e pela localização dos cálculos.

Como o médico faz o diagnóstico24?

Além das evidências clínicas e do exame físico, os cálculos renais podem ser diagnosticados por exames de urina4, radiografia de abdome18, ultrassonografia25 de abdome18, urografia26 excretora ou tomografia computadorizada27.

Quais os tratamentos disponíveis?

Ao contrário do que se recomendava no passado, durante as crises deve ser evitada a ingestão exagerada de líquidos. Líquido em excesso pode aumentar a pressão da urina4 no rim28 e, conseqüentemente, aumentar as dores.

Durante as crises, é indicado o uso de analgésicos29, anti-inflamatórios e anti-espasmódicos para aliviar a dor, que é muito forte. Estes medicamentos devem ser prescritos por um médico.

O tratamento pode ser clínico, através de orientações dietéticas e medicamentos e/ou cirúrgico, para remoção do cálculo30 renal2 através de cirurgias endoscópicas pelo canal da uretra31 e também através da litotripsia extracorpórea.

  • Litotripsia extracorpórea por ondas de choque32: bombardeamento das pedras por ondas de choque32 visando à fragmentação do cálculo30, o que torna sua eliminação pela urina4 mais fácil.
  • Cirurgia percutânea ou endoscópica: por meio do endoscópio e através de pequenos orifícios, o cálculo30 pode ser retirado dos rins3 após sua fragmentação.
  • Ureteroscopia33: por via endoscópica, permite retirar os cálculos localizados no ureter6.

O que posso fazer para evitar pedras nos rins3?

  • Beba cerca de dois litros de água por dia (30 ml/kg/dia). Essa é a medida mais importante para prevenir cálculos renais.
  • Controle a ingestão de alimentos ricos em proteína animal, cálcio e sal. Chocolate amargo também deve ser ingerido com moderação.
  • No passado, a recomendação era de não ingerir derivados do leite. Hoje em dia esta recomendação não é mais válida, pois o excesso de cálcio na urina4 acontece por um defeito genético e não pela ingestão excessiva de cálcio através da alimentação. A baixa ingestão de cálcio pode aumentar o risco de descalcificação óssea, causando danos à saúde34.
  • Não se automedique, nem faça o próprio diagnóstico24. Evite usar medicamentos como corticóides, alguns diuréticos15 como a furosemida ou antiretrovirais, pois eles podem precipitar a formação de cálculos.
  • Procure atendimento médico, especialmente se tiver dores intensas nas costas17 ou no abdome18 e sinais35 de sangue22 na urina4.
  • Existem medicamentos específicos para evitar os cálculos. Eles devem ser de uso individual e prescritos somente por um Nefrologista36.
  • Utilize um filtro de papel quando houver a possibilidade de eliminar um cálculo30. A análise de sua composição pode ajudar o médico na escolha do tratamento mais adequado e nas orientações sobre o quê deve ser feito para evitar a formação de um novo cálculo30.


Quais são as complicações da nefrolitíase?

Podem ocorrer complicações como:

  • Obstrução ou infecção23 do trato urinário37
  • Insuficiência renal38 aguda precipitada por obstrução em paciente com rim28 único
  • Obstrução bilateral por cálculo30 (raramente)


Fontes:
Jornal Brasileiro de Nefrologia
Sociedade Brasileira de Nefrologia

ABCMED, 2008. Pedras nos Rins ou nos Ureteres. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/26020/pedras-nos-rins-ou-nos-ureteres.htm>. Acesso em: 22 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Litíase: Estado caracterizado pela formação de cálculos em diferentes regiões do organismo. A composição destes cálculos e os sintomas que provocam variam de acordo com sua localização no organismo (vesícula biliar, ureter, etc.).
2 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
3 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
4 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
5 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Ureter: Estrutura tubular que transporta a urina dos rins até a bexiga.
7 Glândulas: Grupo de células que secreta substâncias. As glândulas endócrinas secretam hormônios e as glândulas exócrinas secretam saliva, enzimas e água.
8 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
9 Acidose: Desequilíbrio do meio interno caracterizado por uma maior concentração de íons hidrogênio no organismo. Pode ser produzida pelo ganho de substâncias ácidas ou perda de substâncias alcalinas (básicas).
10 Intestino delgado: O intestino delgado é constituído por três partes: duodeno, jejuno e íleo. A partir do intestino delgado, o bolo alimentar é transformado em um líquido pastoso chamado quimo. Com os movimentos desta porção do intestino e com a ação dos sucos pancreático e intestinal, o quimo é transformado em quilo, que é o produto final da digestão. Depois do alimento estar transformado em quilo, os produtos úteis para o nosso organismo são absorvidos pelas vilosidades intestinais, passando para os vasos sanguíneos.
11 Sedentarismo: Qualidade de quem ou do que é sedentário, ou de quem tem vida e/ou hábitos sedentários. Sedentário é aquele que se exercita pouco, que não se movimenta muito.
12 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
13 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
14 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
15 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
16 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
17 Costas:
18 Abdome: Região do corpo que se localiza entre o TÓRAX e a PELVE.
19 Cólicas: Dor aguda, produzida pela dilatação ou contração de uma víscera oca (intestino, vesícula biliar, ureter, etc.). Pode ser de início súbito, com exacerbações e períodos de melhora parcial ou total, nos quais o paciente pode estar sentindo-se bem ou apresentar dor leve.
20 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
21 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
22 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
23 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
24 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
25 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
26 Urografia: Método de diagnóstico radiológico que utiliza uma substância de contraste para visualizar a anatomia interna das vias excretoras do rim.
27 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
28 Rim: Os rins são órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
29 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
30 Cálculo: Formação sólida, produto da precipitação de diferentes substâncias dissolvidas nos líquidos corporais, podendo variar em sua composição segundo diferentes condições biológicas. Podem ser produzidos no sistema biliar (cálculos biliares) e nos rins (cálculos renais) e serem formados de colesterol, ácido úrico, oxalato de cálcio, pigmentos biliares, etc.
31 Uretra: É um órgão túbulo-muscular que serve para eliminação da urina.
32 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
33 Ureteroscopia: Exame do trato urinário superior, geralmente realizada por um endoscópio que é passado através da uretra, bexiga urinária e então diretamente no ureter. É um procedimento útil no diagnóstico e tratamento de doenças urológicas, como por exemplo, os cálculos renais.
34 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
35 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
36 Nefrologista: Médico especialista em tratar pessoas com doenças ou problemas renais.
37 Trato Urinário:
38 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
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Comentários

05/09/2013 - Comentário feito por Marcio
Re: Pedras nos Rins ou nos Ureteres
Eu li e reli e a nota é alta porque acredito que pelo menos alguém esta se preocupando em informar e isso já é plausível. Porem gostaria de mais detalhes se possível.
Descobri que tenho esta doença hoje e confesso que me apavorei na real ainda estou apavorado, porque nunca tive doença alguma assim que pode trazer complicações.
Estou tomando todas as dicas como soluções e vi que muitas são validas como ingerir líquidos e mudar para uma dieta mais saudável com frutas e menos carnes.

01/07/2012 - Comentário feito por ines
Re: Pedras nos Rins ou nos Ureteres
tenho pedra na ureter ja vou para terceira cirurgia ja perdi 73% por cento do rin direito quase nao bebo agua todo mes tenho infecçao urinaria .li todas estas espliçoes na verdade nao queri ater esse tipo de problema queria sader mas sobre pedras na ureter

07/05/2012 - Comentário feito por André
Re: Pedras nos Rins ou nos Ureteres
Muito bom, estava pesquisando e só encontrei materiais pouco esclarecedores falam muita estatística das incidencias e ñ esclarecem o assunto...

08/07/2011 - Comentário feito por marai
Re: Pedras nos Rins ou nos Ureteres
nossa eu entendi mais que complicado, adorei a explicação.

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