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Considerações sobre a aposentadoria

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Algumas considerações sobre aposentadoria

A aposentadoria costuma ser uma das situações vitais em que as pessoas reagem com muita intensidade e às vezes com doenças. Ela é o direito que têm as pessoas empregadas de retirar-se do serviço depois de certo número de anos de atividade (ou a qualquer momento, por invalidez), recebendo uma mensalidade. No Brasil, esse tempo é de cerca de trinta anos de trabalho, variando em algumas atividades profissionais e sendo menor para as mulheres que para os homens. Ele é calculado em referência à expectativa de vida1 das pessoas e, como esta vem aumentando ao longo do tempo, a aposentadoria também tende a ser postergada. Ela tanto tem a função de conceder ao indivíduo já idoso um período de repouso como é uma versão social do velho hábito ainda existente em algumas culturas de que os filhos devem sustentar os pais idosos. Entre nós são as gerações mais novas (“filhas”), produtivas, que sustentam as mais velhas (“paternas”), que não mais produzem. Por outro lado, ainda, incide sobre os indivíduos num período da vida em que já não têm as mesmas capacidades físicas e psíquicas de antes. A aposentadoria por decorrência de tempo de trabalho quase sempre coincide com o envelhecimento, um período da vida em que pela queda natural da vitalidade dos indivíduos sua produtividade normalmente acha-se muito decaída. Contudo, como as pessoas estão vivendo com saúde2 por mais longo tempo, muitas delas têm voltado ao trabalho, na mesma atividade de antes ou em outras diferentes.

Aposentadoria: prêmio e castigo

Enquanto para uns a aposentadoria parece ser um prêmio almejado, outros a veem como um castigo temido. O prêmio é representado pelas características positivas de que ela pode se revestir: a pessoa passa a ter uma renda garantida; em cada momento, pode escolher o que fazer e dedicar-se a atividades de que goste, como ler, ouvir música, viajar, praticar algum hobby, realizar alguma forma de voluntariado ou, inclusive, iniciar outro trabalho que lhe dê prazer, etc., libertando-se de horários e compromissos impositivos. O castigo consiste em sentir-se descartado pela sociedade; não mais ter o que fazer no dia seguinte; perder as prerrogativas que o trabalho lhe proporcionava e ver outros assumirem o lugar que foi seu durante anos. O peso relativo de um ou do outro desses fatores depende de como cada pessoa encara a aposentadoria, de qual era sua relação anterior com o trabalho e da maneira como tenha se preparado para ela. Muitas pessoas têm tal dificuldade de parar de trabalhar que continuam trabalhando mesmo depois de terem atingido o tempo em que poderiam aposentar-se. Outras são tão apressadas em fazê-lo que se aposentam na primeira oportunidade que surge, mesmo que isso implique prejuízos financeiros.

Concomitâncias com a aposentadoria

Alguns eventos significativos podem acontecer juntamente com a aposentadoria, fazendo com que este seja um período psicologicamente especial. A família sofre modificações importantes: os filhos deixam a casa paterna; alguns parentes próximos falecem; muitas vezes marido ou mulher ficam viúvos; os netos representam uma novidade que exige novas adaptações. As doenças e as deficiências físicas e psicológicas rondam as pessoas, limitando suas atividades e autonomias: as pessoas já não andam como antes, por vezes deixam de dirigir ou de viajar, as capacidades mentais e de memória já não são as mesmas, etc. Do lado psicológico as falhas de memória são o problema mais frequente. As pessoas podem também ficar mais desatentas e deprimidas. Mas a aposentadoria também acarreta a possibilidade de eventos positivos: você adquire uma maturidade e uma sabedoria que lhe confere respeitabilidade; suas ambições se arrefecem, poupando-o de batalhas exaustivas; você adquire a sua estabilização econômica e pode conservar ainda energia e saúde2 que lhe permitam viver confortavelmente.

Preparando a aposentadoria

Como a aposentadoria é uma realidade com que quase todas as pessoas têm de contar, é importante preparar-se para ela. O pior dos cenários é aquele das pessoas que até hoje estão trabalhando e amanhã já não têm mais o que fazer ou aonde ir. Não pense em não fazer nada porque ninguém suporta essa realidade. Se possível, vá deixando aos poucos o seu trabalho. Se você estiver ativo e sadio planeje o que fazer depois de aposentado, mesmo que seja outro trabalho. Não volte ao mesmo trabalho. Aproveite a oportunidade para fazer mudanças.

ABCMED, 2013. Considerações sobre a aposentadoria. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-do-idoso/500909/consideracoes+sobre+a+aposentadoria.htm>. Acesso em: 16 jan. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Expectativa de vida: A expectativa de vida ao nascer é o número de anos que se calcula que um recém-nascido pode viver caso as taxas de mortalidade registradas da população residente, no ano de seu nascimento, permaneçam as mesmas ao longo de sua vida.
2 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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