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O que saber sobre a queilite actínica?

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O que é a queilite actínica1?

A queilite actínica1 é uma alteração pré-maligna dos lábios, que acomete principalmente o lábio2 inferior. Afeta principalmente indivíduos do sexo masculino com média de 50 anos de idade.

Quais são as causas da queilite actínica1?

A queilite actínica1 tem como principal fator etiológico3 os raios ultravioletas do sol, em especial os raios UVB, os quais também são o principal agente etiológico3 do carcinoma4 epidermoide do lábio2. O fumo também é um fator relacionado à etiopatogenia deste último. A menor frequência entre os negros ocorre pelo efeito protetor da melanina5 e acredita-se que, entre as mulheres, pelo uso do batom, que atuaria como fator de proteção.

Qual é a fisiopatologia6 da queilite actínica1?

Histologicamente, a queilite actínica1 se caracteriza por alterações crônicas e lesões7 epiteliais irreversíveis que vão desde atrofia8 epitelial ou hiperqueratose (excesso de queratina) em estágios iniciais, até displasias que podem ser classificadas como leve, moderada ou severa. Normalmente se caracteriza, ainda, por um epitélio9 escamoso10, estratificado e atrófico.

As transformações sofridas pelas células11 resultam na infiltração de células11 neoplásicas12 ou paraneoplásicas para o tecido conjuntivo13, gerando um tumor14. O tecido conjuntivo13 subepitelial apresenta degeneração hialina15 e nele há desidratação16 das fibras elásticas17, formação de material amorfo, acelular e basofílico, além da presença de um infiltrado linfoplasmocitário.

Quais são as principais características clínicas da queilite actínica1?

A queilite actínica1 é mais comum em indivíduos idosos de pele18 clara e que mantêm hábitos que os expõe mais à radiação actínica1. Começa com áreas leucoplásicas (lesões7 brancas), presença de fissuras19, ressecamento, aspereza e descamação20 ou áreas atróficas21 ou vesiculares, o que torna o diagnóstico22 clínico relativamente fácil e característico.

Nos casos agudos, o lábio2 fica inchado, formam-se bolhas e a pessoa sente queimação, mas a cicatrização é espontânea. Já no tipo crônico23, as lesões7 permanecem na pele18 e pioram com a exposição ao sol. Em geral, o problema começa com uma pequena descamação20 e em seguida aparecem feridas que não cicatrizam. Contudo, a biópsia24 incisional é que dará o diagnóstico22 definitivo e o grau de modificações celulares.

Como o médico diagnostica a queilite actínica1?

O diagnóstico22 da queilite actínica1 é feito por meio da observação, levando em conta a história médica da pessoa.

Como o médico trata a queilite actínica1?

O grau, o tempo de evolução e o tipo de queilite é que indicam qual tratamento deve ser adotado, desde a aplicação local de pomadas até cirurgias. A queilite actínica1 pode também ser tratada com ablação25 com laser, além da remoção cirúrgica da vermelhidão do lábio2 inferior. Os pacientes devem ser acompanhados por longos períodos quaisquer que tenham sido as medidas terapêuticas utilizadas, para monitorar a possibilidade de malignização.

Como evolui a queilite actínica1?

A malignização da queilite actínica1 chega a 17% dos casos, ocasionando carcinomas de progressão lenta e metástases26 tardias. As lesões7 passíveis de malignização podem manter-se estáveis, regredir ou ainda sofrer transformações neoplásicas12.

Como prevenir a queilite actínica1?

São recomendáveis medidas preventivas que visam atenuar exposições solares como o uso de protetores labiais, uso de bonés e diminuição no tempo de exposição ao sol em horários críticos.

Quais são as complicações possíveis da queilite actínica1?

A complicação mais temível da queilite actínica1 é a sua malignização. Em alguns casos, pode haver incômodo ao comer ou beber.

 

ABCMED, 2016. O que saber sobre a queilite actínica?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-bucal/822269/o+que+saber+sobre+a+queilite+actinica.htm>. Acesso em: 13 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Actínica: Referente às radiações capazes de ativar transformações químicas em certas substâncias (por exemplo, a luz do sol ao incidir sobre o tecido humano ou vegetal).
2 Lábio: Cada uma das duas margens carnudas e altamente irrigadas da boca.
3 Etiológico: Relativo à etiologia; que investiga a causa e origem de algo.
4 Carcinoma: Tumor maligno ou câncer, derivado do tecido epitelial.
5 Melanina: Cada uma das diversas proteínas de cor marrom ou preta, encontrada como pigmento em vegetais e animais.
6 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
7 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
8 Atrofia: 1. Em biologia, é a falta de desenvolvimento de corpo, órgão, tecido ou membro. 2. Em patologia, é a diminuição de peso e volume de órgão, tecido ou membro por nutrição insuficiente das células ou imobilização. 3. No sentido figurado, é uma debilitação ou perda de alguma faculdade mental ou de um dos sentidos, por exemplo, da memória em idosos.
9 Epitélio: Epitélio ou tecido epitelial é um tecido constituído por células justapostas, ou seja, intimamente unidas entre si. Sua principal função é revestir a superfície externa do corpo, os órgãos e as cavidades corporais internas. Os epitélios são eficientes barreiras contra a entrada de agentes invasores e a perda de líquidos corporais. Eles têm também funções secretoras, sensoriais e de absorção. O tecido epitelial é um dos quatro tipos de tecidos básicos do nosso organismo, juntamente com os tecidos conjuntivo, muscular e nervoso.
10 Escamoso: Cheio ou coberto de escamas, ou seja, de pequenas lâminas epidérmicas que se desprendem espontaneamente da pele.
11 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
12 Neoplásicas: Que apresentam neoplasias, ou seja, que apresentam processo patológico que resulta no desenvolvimento de neoplasma ou tumor. Um neoplasma é uma neoformação de crescimento anormal, incontrolado e progressivo de tecido, mediante proliferação celular.
13 Tecido conjuntivo: Tecido que sustenta e conecta outros tecidos. Consiste de CÉLULAS DO TECIDO CONJUNTIVO inseridas em uma grande quantidade de MATRIZ EXTRACELULAR.
14 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
15 Degeneração hialina: Caracterizada por um acúmulo de proteínas, podendo ser epitelial (dentro da célula, substância com forma de pequenos grânulos acidófilos ou aglomerados irregulares) ou conjuntiva (fora da célula, atingindo o tecido conjuntivo fibroso e a parede dos vasos). Com aspecto homogêneo de certa transparência, brilho e corado de róseo, podemos dizer que o nome provém dessas características. Há vários tipos de degeneração hialina, entre eles, degeneração hialina goticular, Corpúsculo de Russel e degeneração hialina de Mallory.
16 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
17 Fibras Elásticas: Tecido conectivo constituído principalmente por fibras elásticas. Estas, têm dois components
18 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
19 Fissuras: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
20 Descamação: 1. Ato ou efeito de descamar(-se); escamação. 2. Na dermatologia, fala-se da eliminação normal ou patológica da camada córnea da pele ou das mucosas. 3. Formação de cascas ou escamas, devido ao intemperismo, sobre uma rocha; esfoliação térmica.
21 Atróficas: Relativas à atrofia, atrofiada. Que atrofiam; que minguam, atrofiadoras, atrofiantes. Que se tornam mais debilitadas e menos intensas.
22 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
23 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
24 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
25 Ablação: Extirpação de qualquer órgão do corpo.
26 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
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