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Periodontite: tem como evitar?

Thursday, March 10, 2016
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Periodontite: tem como evitar?

O que é periodontite?

A periodontite (do grego: peri = em volta de + odonto = dente + ite = inflamação) é uma inflamação e/ou infecção grave do periodonto, estrutura anatômica que envolve os dentes, constituída por ligamentos e ossos e que dá suporte a eles.

Quais são as causas da periodontite?

A periodontite ocorre quando uma gengivite (inflamação da gengiva) não é tratada adequadamente ou quando o seu tratamento é retardado e os quadros infecciosos e inflamatórios passam das gengivas para os ligamentos e ossos que dão suporte aos dentes. A perda deste suporte faz com que os dentes fiquem soltos e acabem caindo. Como a placa bacteriana contém bactérias, é provável que haja infecção também, o que pode levar ao desenvolvimento de um abscesso dentário e aumentar a taxa de destruição óssea. Alguns fatores que podem aumentar as chances de periodontite incluem gengivite, predisposição genética, maus hábitos de saúde bucal, fumo, diabetes, idade avançada, diminuição da imunidade, má nutrição, medicamentos, alterações hormonais, abuso de álcool ou drogas e vários problemas dentários.

Qual é a fisiopatologia da periodontite?

A periodontite começa com a placa bacteriana, uma película pegajosa composta principalmente por bactérias, a qual se forma sobre os dentes quando amidos e açúcares dos alimentos interagem com as bactérias normalmente encontradas na boca. Mesmo quando removidas pela escovação, essas placas se formam novamente, dentro de 24 horas. As placas que permanecem dois ou três dias endurecem e se transformam em tártaro. O tártaro faz com que a placa seja mais difícil de remover. O tempo pelo qual a placa e o tártaro permanecem nos dentes aumenta o dano que podem causar.

Quais são as principais características clínicas da periodontite?

A periodontite é caracterizada por inflamação das gengivas, reabsorção do alvéolo dentário, degeneração membranosa, migração dos dentes e formação de abscessos peridentários. Os principais sinais da periodontite são mau hálito, mau gosto na boca, gengivas avermelhadas ou arroxeadas, com aspecto brilhante, inchadas e sensíveis ao toque, que sangram com facilidade, e dentes soltos.

Como o médico ou o dentista diagnostica a periodontite?

O diagnóstico de periodontite geralmente é simples. Ele se baseia na descrição dos sintomas e no exame da boca do paciente. O médico/dentista examinará a boca em busca da presença de placas bacterianas e de tártaro, além de verificar se há sangramento fácil. O profissional médico deverá encaminhar o paciente com um diagnóstico sugestivo de periodontite ao profissional Cirurgião-Dentista, que é o profissional da saúde que se responsabilizará pelo diagnóstico final e a, consequente, execução da terapêutica cirúrgica-farmacológica que o caso possa exigir. Para determinar a gravidade da periodontite, o dentista pode usar um instrumento dental para medir a profundidade da bolsa do sulco entre a gengiva e os dentes. Pode também tirar radiografias dentais para verificar se há perda óssea em áreas onde se observa profundidades maiores desses sulcos.

Como o dentista trata a periodontite?

Os principais objetivos do tratamento são reduzir a inflamação, eliminar os abscessos, se houver, e tratar as causas subjacentes. As superfícies ásperas dos dentes devem ser corrigidas e os aparelhos odontológicos devem ser readaptados, se houver a suspeita de que possam estar facilitando a ocorrência da infecção. Outras causas subjacentes e outros distúrbios envolvidos devem ser tratados.

É importante fazer a limpeza profissional e caseira dos dentes, com escovação e fio dental, de modo a evitar o acúmulo de placas bacterianas e tártaro. O dentista removerá o tártaro e as bactérias das superfícies dos dentes e abaixo da gengiva. Os antibióticos podem ser usados topicamente, para inserção no espaço entre os dentes e a gengiva, após uma limpeza profunda. Os antibióticos orais podem também ser necessários para eliminar completamente as bactérias.

Também pode ser necessária cirurgia para tratar o problema, pois abscessos muito profundos nas gengivas podem precisar ser abertos e drenados. Além disso, dentes soltos às vezes necessitam de um suporte artificial. Eventualmente, o dentista precisará remover um ou mais dentes para que a periodontite não piore e se espalhe para os dentes vizinhos.

Se a periodontite é avançada, o tecido da gengiva pode não responder a tratamentos não cirúrgicos e uma cirurgia dentária pode ser realizada. Quando se perde o tecido da gengiva, a gengiva recua e há necessidade de enxerto em alguns casos. Este procedimento ajuda a reduzir a recessão gengival, cobrir as raízes expostas e dar aos dentes uma aparência mais agradável.

Quando o osso é destruído, torna-se necessário um enxerto ósseo. Além disso, pode ser feita uma regeneração tecidual guiada ou a aplicação de um gel especial, o qual contém as mesmas proteínas encontradas no desenvolvimento do esmalte normal do dente para estimular o crescimento de tecidos saudáveis.

Como evolui a periodontite?

A periodontite pode evoluir para problemas mais graves de saúde, como infecções ou abscessos dos tecidos moles circunvizinhos (celulite facial, por exemplo), infecção dos maxilares (osteomielite), reaparecimento da periodontite, abscesso dentário, perda ou deslocamento dos dentes.

Como prevenir a periodontite?

A periodontite é uma doença simples e comum, porém perfeitamente possível de ser prevenida. É recomendável que as pessoas susceptíveis façam limpeza dentária profissional com intervalos menores de seis meses. Algumas medidas caseiras podem ajudar a prevenir a periodontite, tais como realizar limpezas dentais regulares, usar uma escova macia, escovar os dentes três vezes por dia, usar fio dental diariamente e usar um enxaguatório bucal.

Quais são as complicações possíveis da periodontite?

A periodontite, quando não tratada, pode causar perda de dentes, aumento do risco de ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais e outros problemas de saúde graves, como o nascimento de bebês prematuros, diabetes mal controlada, problemas respiratórios e artrite reumatoide.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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