Atalho: 61H45Y4
Gostou do artigo? Compartilhe!

Depressões. O que são?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que são depressões?

Depressões são quadros clínicos de rebaixamento do estado de ânimo, vivenciados com tristeza, desânimo extremo e inibição das funções psicofísicas. Há diversos tipos de depressões, que vão desde aquelas que são reações a acontecimentos traumatizantes até outras extremamente graves, verdadeiras doenças depressivas, chamadas depressões maiores, ou endógenas, em virtude de sua causação interna. A diferença entre elas não é apenas de intensidade, mas também de natureza. Enquanto as depressões reativas passam-se apenas no plano psíquico, as últimas afetam também o corpo. Além do sentimento de tristeza elas também alteram negativamente o brilho dos olhos1, o tom da voz, a agilidade dos movimentos, os ritmos fisiológicos, etc.

Nas depressões-doença parece não haver acontecimentos externos desencadeantes e elas sobrevêm mesmo “quando tudo está azul”, à diferença das reações depressivas, nas quais é possível reconhecer um evento desencadeador. As causas delas parecem ser transtornos bioquímicos dos neurotransmissores cerebrais, geneticamente transmitidos. As depressões reativas são devidas a eventos desairosos da vida, como morte de pessoa querida, separações conjugais, fracassos econômicos, etc.

Em quem ocorrem as depressões?

Estima-se que cerca de 15 a 20% da população sofra pelo menos uma experiência depressiva em algum momento da vida. Em alguns países (como a Austrália, por exemplo), uma em cada quatro mulheres e cerca de um em cada oito homens de meia idade já sofreram de depressão.

A depressão é mais frequente em pessoas com idade entre 25 e 45 anos. Também pode acontecer em crianças e adolescentes, em situações como separação dos pais, problemas na escola e rejeição. Os sintomas2 da depressão nas crianças são diferentes daqueles dos adultos e incluem tristeza, incapacidade de se divertir, irritabilidade, dores de cabeça3, cólicas4 abdominais, mau desempenho escolar, desânimo, dificuldades de concentração ou alterações do sono e da alimentação.

As mulheres são mais afetadas pelas depressões, na proporção de 2 para 1. Esta diferença, contudo, não existe em crianças ou a partir dos 50-55 anos, o que sugere que ela se deva também a fatores hormonais.

Quais as causas da depressão?

As depressões têm causas múltiplas. Acredita-se que nas depressões endógenas haja uma grande participação hereditária, via transtorno dos neurohormônios cerebrais. As outras depressões são causadas por fatores estressantes, como estilo inadequado de vida, separação dos pais, rejeição, drogas, problemas na escola, etc.

Quais os sintomas2 mais comuns das depressões?

Três sintomas2 estão inevitavelmente presentes nas depressões graves, geralmente endógenas:

  1. Profundo sentimento de tristeza, desesperança e pessimismo. Geralmente esse sintoma5 se acompanha também de ansiedade e sensação de vazio afetivo.
  2. Inibição psicomotora6, que implica em diminuição e lentidão das atividades motoras e dos ritmos fisiológicos.
  3. Lentidão do curso do pensamento, fala escassa e lenta, dificuldades de concentração, raciocínio e memorização.

Outros sintomas2 comuns são: ansiedade, isolamento, falta de vontade de realizar qualquer tarefa, choro imotivado, maus resultados no trabalho ou na escola, vontade de ficar só, intolerância a barulhos, tristeza persistente, baixa auto-confiança e auto-estima, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa, desesperança, desamparo, solidão, diminuição do peso, pensamentos de suicídio, inquietação, irritabilidade, auto-agressividade, desleixo no vestir, falta de apetite e perda de peso, incapacidade de sentir prazer, perda de interesses, cansaço desproporcional ao esforço.

Os pensamentos dos depressivos têm sempre um tom pessimista e eles se sentem sem valor, culpam-se injustificadamente por acontecimentos atuais ou passados, sentem-se fracassados. Nos casos mais graves crêem-se irremediavelmente arruinados. Muitas vezes esses deprimidos têm pensamentos de suicídio, que podem levar a efeito. A morte às vezes é vista por eles como “a única saída”. A taxa de suicídio entre depressivos é trinta vezes maior do que a média da população geral. Todo deprimido endógeno deve ser tratado como um suicida em potencial, mesmo que não mencione essa possibilidade. Mais grave ainda é quando esses pacientes, crendo que seus familiares também estão arruinados, os matam, num chamado “suicídio altruísta”.

As depressões endógenas menos intensas, ou as reativas, frequentemente são relatadas pelos pacientes como estando "na fossa" ou com "baixo-astral" e às vezes aparecem como sentimentos de raiva7 persistente ou tentativa constante de culpar os outros, dores pelo corpo e outros sintomas2 vagos e indefinidos, etc. Quando se manifestam sob a forma de outros sintomas2 que não os classicamente depressivos, costuma-se chamar a elas de “depressões mascaradas”.

Diferentemente das duas formas citadas, há aquelas depressões das pessoas cronicamente tristes e pessimistas, em formas mais leves e de causa constitucional ou adquirida, às quais se denominam distimias, transtornos depressivos da personalidade ou depressões neuróticas. Costuma-se também chamar “endo-reativas” a algumas dessas depressões, por entender-se que na causação delas há a conjunção de fatores internos e reacionais. As pessoas distímicas cometem suicídio na mesma proporção que os deprimidos graves e devem, pois, serem objetos do mesmos cuidados que elas.

Qual o tratamento das depressões?

As depressões são doenças reversíveis e, se tratadas adequadamente, curam-se completamente. O tratamento básico das depressões endógenas é feito com medicamentos antidepressivos. Os antidepressivos são medicações que, em geral, não causam dependência e são bem tolerados e seguros, se prescritos de maneira correta e devidamente monitorados pelo médico.

A principal atuação dos antidepressivos é no aumento das monoaminas nas fendas sinápticas cerebrais. Eles também são usados com sucesso no tratamento de diversos outros transtornos como transtornos de ansiedade e fobias8 e constituem um dos grandes avanços terapêuticos da psiquiatria. Atuam mais eficazmente nas depressões endógenas do que nas reativas. Esse campo da terapêutica9 psiquiátrica continua em franco progresso e a cada momento surgem novas medicações, mais eficazes e com menores efeitos colaterais10.

Nas depressões endógenas podem ocorrer sintomas2 ostensivamente psicóticos (como delírios e alucinações11). Nesse caso, o tratamento medicamentoso é mandatório, além do acompanhamento psicoterápico, coadjuvante12.

Em alguns casos, dependendo do conjunto de sintomas2, faz-se necessário associar outras medicações, como ansiolíticos ou antipsicóticos. A eletroconvulsoterapia, também conhecida como eletrochoque, pode ser utilizada nas depressões graves, que não tenham obtido resposta satisfatória com os medicamentos.

Nas depressões reativas, a psicoterapia é o tratamento básico mas as medicações são um complemento necessário. Por vezes, ela é o tratamento exclusivo.

ABCMED, 2011. Depressões. O que são?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/226970/depressoes+o+que+sao.htm>. Acesso em: 16 jul. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Olhos:
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Cabeça:
4 Cólicas: Dor aguda, produzida pela dilatação ou contração de uma víscera oca (intestino, vesícula biliar, ureter, etc.). Pode ser de início súbito, com exacerbações e períodos de melhora parcial ou total, nos quais o paciente pode estar sentindo-se bem ou apresentar dor leve.
5 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Psicomotora: Própria ou referente a qualquer resposta que envolva aspectos motores e psíquicos, tais como os movimentos corporais governados pela mente.
7 Raiva: 1. Doença infecciosa freqüentemente mortal, transmitida ao homem através da mordida de animais domésticos e selvagens infectados e que produz uma paralisia progressiva juntamente com um aumento de sensibilidade perante estímulos visuais ou sonoros mínimos. 2. Fúria, ódio.
8 Fobias: Medo exagerado, falta de tolerância, aversão.
9 Terapêutica: Terapia, tratamento de doentes.
10 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
11 Alucinações: Perturbações mentais que se caracterizam pelo aparecimento de sensações (visuais, auditivas, etc.) atribuídas a causas objetivas que, na realidade, inexistem; sensações sem objeto. Impressões ou noções falsas, sem fundamento na realidade; devaneios, delírios, enganos, ilusões.
12 Coadjuvante: Que ou o que coadjuva, auxilia ou concorre para um objetivo comum.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Psiquiatria?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.

Comentários

06/11/2012 - Comentário feito por sandra
Re: Depressões. O que são?
ola eu axo que tenho uma depressao desde que uma amiga minha que para mim rea como uma irma,foi-se embora para luxamburgo eu fiquei sem paxorra de nada de me vestir pintar-me de fazer os trabalhos de casa as x sinto uma enorme solidao e tristeza ,sei pensei em acabar com a minha vida mas depois penso tenho um excelente marido e 2 filhos ,mas nao sei se vou aguentar tanta dor e tristeza e saudades so me apetece chorar todo o dia .para quem era tao devertida e feliz ao ponto que xeguei .

09/04/2012 - Comentário feito por maria
Re: Depressões. O que são?
tristeza constante, auta estima baixa, esquecimento...

10/11/2011 - Comentário feito por josiana
Re: Depressões. O que são?
assim que minha mãe faleceu tudo acabou pra mim,continuo tendo crises e muito desanimada não saio mas pra mi divertir apenas trabalho mas todos os dias acordo desanimada,pra fazer qualquer coisa.

23/10/2011 - Comentário feito por Viviane
Re: Depressões. O que são?
Agradeço ao artigo muito bem explicado que me esclareceu sobre depressão e outros temas relacionados. Desde criança sofria com tiques nervosos e crises de depressão sem saber realmente o que estava acontecendo. Há um ano tive algumas crises de surto e alucinações, achei que estava ficando louca, sem noção da realidade. Atualmente faço tratamento psicológico e procurei um homeopata para me tratar.

29/09/2011 - Comentário feito por keily
Re: Depressões. O que são?
vivo com esses sintomas de depressao a 11ano e muito dificil tem momentos que estou bem em outros a ate a morte desejo pra mim mas to lutando

19/08/2011 - Comentário feito por Susi
Depressões. O que são?
Matéria bem informativa, eu não entendia o que é uma depressão endógina. Faço tratamento de THB e TDPM, sempre passo por mudanças radicais de humor e comportamento, quando me sinto bem paro o tratamento e acabo tendo outra crise. Agora estou tomando meus medicamentos e vou começar acompanhamento psicológico. Para quem tem algum problema emocional, não desista do tratamento! Mesmo que consiga ficar sem medicamento vá sempre ao médico, ele vai perceber se uma crise esiver começando.

14/08/2011 - Comentário feito por sheila
Re: Depressões. O que são?
olá, nem sei direito se o que tenho é depressão, mas gostaria de saber se algum de voces conhece o remédio sulpan (sulpirida com bromazepan). E, se já tomaram sabem me dizer se é bom? Muito obrigada, Sheila

04/08/2011 - Comentário feito por lourdes
Re: Depressões. O que são?
tenho depressão há mais 40anos.Na minha infância tudo correu normal.eu era uma menina experta,inteligente,fui bem na escola,era alegre,esforçada e mesmo quando fiquei moça,ainda era assim,era feliz,trabalhava.aos 17 anos tive um surto de stress muito forte,por conta de uns problemas que me revoltava muito,e ai tudo começou.Meu casamento quase inteiro com depressão.parece que perdi vários anos de minha vida por conta desta doença.estou numa fase boa agora,mas não posso bobear que volta.

  • Entrar
  • Assinar