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Você machuca a sua pele? Pode ser Dermatilomania ou Skin Picking

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O que é dermatilomania?

A dermatilomania, também conhecida como desordem de escoriação1 da pele2, Picking ou Skin Picking, é caracterizada pela escoriação1 compulsiva da própria pele2. As pessoas que lutam com este transtorno espremem, coçam, esfregam, arranham, picam, futucam, mordem ou cavam a pele2, tentando melhorar as imperfeições percebidas, muitas vezes resultando em danos aos tecidos, descoloração ou cicatrizes3 definitivas.

Esse distúrbio faz parte de um grupo de comportamentos conhecidos como comportamentos repetitivos focados no corpo, entre os quais estão espremer uma espinha ou tirar a casquinha de um ferimento, por exemplo. 

Quais são as dermatilomanias mais comuns?

Entre as dermatilomanias mais comuns estão o roer unhas4 (onicofagia), arrancar fios de cabelo5 (tricotilomania), espremer espinhas, tirar casquinhas de ferimentos e tirar pelinhas. A onicofagia e a tricotilomania são dois comportamento tão típicos que muitas vezes são considerados em separado. Os alvos mais visados são cutículas6, acnes, cravos, descamações, sardas, pintas, calos, casquinhas de cicatrização e outras irregularidades da pele2.

As pessoas que se envolvem em escarificar7 a pele2 tendem a escolher entre múltiplos locais do corpo, visando a pele2 previamente sadia ou danificada. Essas áreas podem mudar ao longo do tempo. Em grau leve, este é um comportamento humano muito comum.

Saiba mais sobre "Cicatrização", "Tricotilomania" e "O hábito de roer unhas4".

Quais são as causas da dermatilomania?

Ainda não se conhece com precisão as causas da dermatilomania, porém, a ansiedade parece ser um fator propulsor. O início mais frequente na adolescência talvez se deva a que o adolescente é especialmente ansioso e inseguro em vários assuntos, além de que é nesta época que se dá o aparecimento de cravos e espinhas, principalmente no rosto. A dermatilomania é um transtorno obsessivo-compulsivo e o ritual executado costuma ser uma maneira encontrada pela pessoa para diminuir a ansiedade.

Quais são as principais características clínicas da dermatilomania?

O comportamento da dermatilomania geralmente começa no início da adolescência, embora possa começar mais tarde. Cerca de 75% das pessoas afetadas são mulheres. Para executar a dermatilomania, a pessoa usa objetos pontiagudos, dentes e unhas4. Após a execução do comportamento escolhido, ocorre redução do desejo, sensação de alívio ou prazer, dificuldades psicossociais, constrangimento, esconderijo dos resultados, sequelas8 emocionais, como ansiedade ou depressão, infecções9 cutâneas10, cicatrizes3, lesões11 ou desfigurações.

Muitas pessoas apresentam danos na pele2 visíveis, que tentam camuflar com maquiagem, roupas ou outros meios de ocultar as áreas afetadas, devido à vergonha e ao constrangimento. Os indivíduos também podem se envolver em comportamentos de evasão, evitando certas situações que podem levá-los a serem "descobertos".

Leia sobre "Ansiedade", "Ansiedade não patológica", "Depressão" e "Transtorno Obsessivo Compulsivo".

Como o médico diagnostica a dermatilomania?

O diagnóstico12 da dermatilomania é clínico. O DSM-5 (Manual de Diagnóstico12 e Estatística de Distúrbios Mentais em sua 5ª Edição) exige, para o diagnóstico12, os seguintes critérios:

  • Cutucação cutânea13 recorrente que resulta em lesões11.
  • Repetidas tentativas mal sucedidas de interromper o comportamento.
  • Os sintomas14 causam angústia ou outro comprometimento clinicamente significativo.
  • Os sintomas14 não são causados por uma substância, condição médica ou dermatológica.
  • Os sintomas14 não são melhor explicados por outro distúrbio psiquiátrico.

Como o médico trata a dermatilomania?

O tratamento básico da dermatilomania deve ser a psicoterapia, mas como ela pode também ser um problema psicossomático, em algumas situações necessitará ser tratada com o auxílio de medicamentos como, por exemplo, os ansiolíticos.

Algumas medidas podem ajudar a pessoa que sofre com a dermatilomania a descondicionar a mente desse comportamento, tais como o uso de luvas finas ou de esparadrapo nas pontas dos dedos, que dificultarão a prática do hábito que precisa ser desfeito. Além disso, o paciente necessita ser motivado a se tratar, pois quem sofre com o Skin Picking sente um grande prazer em se cutucar, arranhar, etc.

Como evolui a dermatilomania?

Sem interrupção do hábito ou sem tratamento, a dermatilomania tende a ser uma condição crônica, embora possa experimentar uma desaceleração ao longo do tempo.

Veja também sobre "Tranquilizantes", "Neurose15" e "Estresse".

 

ABCMED, 2017. Você machuca a sua pele? Pode ser Dermatilomania ou Skin Picking. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1307038/voce-machuca-a-sua-pele-pode-ser-dermatilomania-ou-skin-picking.htm>. Acesso em: 17 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Escoriação: Ato ou efeito de escoriar-se; esfolar-se, ferir-se.
2 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
3 Cicatrizes: Formação de um novo tecido durante o processo de cicatrização de um ferimento.
4 Unhas: São anexos cutâneos formados por células corneificadas (queratina) que formam lâminas de consistência endurecida. Esta consistência dura, confere proteção à extremidade dos dedos das mãos e dos pés. As unhas têm também função estética. Apresentam crescimento contínuo e recebem estímulos hormonais e nutricionais diversos.
5 Cabelo: Estrutura filamentosa formada por uma haste que se projeta para a superfície da PELE a partir de uma raiz (mais macia que a haste) e se aloja na cavidade de um FOLÍCULO PILOSO. É encontrado em muitas áreas do corpo.
6 Cutículas: 1. Na anatomia geral, é uma pequena porção de pele enrijecida, como a que está presente no contorno das unhas; pele da unha, pelinha. 2. Na anatomia botânica, é a camada de material graxo, cutina, mais ou menos impermeável, presente na parede externa das células epidérmicas das partes aéreas das plantas. 3. Na anatomia zoológica, é a camada externa, não celular, que recobre o corpo dos artrópodes.
7 Escarificar: Arranhar ou praticar cortes mais ou menos leves em uma superfície.
8 Sequelas: 1. Na medicina, é a anomalia consequente a uma moléstia, da qual deriva direta ou indiretamente. 2. Ato ou efeito de seguir. 3. Grupo de pessoas que seguem o interesse de alguém; bando. 4. Efeito de uma causa; consequência, resultado. 5. Ato ou efeito de dar seguimento a algo que foi iniciado; sequência, continuação. 6. Sequência ou cadeia de fatos, coisas, objetos; série, sucessão. 7. Possibilidade de acompanhar a coisa onerada nas mãos de qualquer detentor e exercer sobre ela as prerrogativas de seu direito.
9 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Cutâneas: Que dizem respeito à pele, à cútis.
11 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
12 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
13 Cutânea: Que diz respeito à pele, à cútis.
14 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
15 Neurose: Doença psiquiátrica na qual existe consciência da doença. Caracteriza-se por ansiedade, angústia e transtornos na relação interpessoal. Apresenta diversas variantes segundo o tipo de neurose. Os tipos mais freqüentes são a neurose obsessiva, depressiva, maníaca, etc., podendo apresentar-se em combinação.
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