Usos e abusos dos tranquilizantes

O que são benzodiazepínicos?
Os benzodiazepínicos são um grupo de fármacos ansiolíticos (que combatem a ansiedade) utilizados como sedativos, hipnóticos, relaxantes musculares, bem como contra a amnésia anterógrada e atividade convulsionante. A capacidade deste grupo de fármacos de causar depressão no sistema nervoso central é limitada, embora, em doses altas eles possam levar ao coma.
Os benzodiazepínicos não possuem capacidade de induzir anestesia, caso sejam utilizados isoladamente, mas muitas vezes fazem parte da sedação pré-anestésica. O primeiro fármaco do grupo foi o clordiazepóxido, sintetizado e comercializado em 1954. Após, surgiu um grande número de derivados com maior potência e especificidade de ação e menores efeitos colaterais.
Quais são as razões para se usar benzodiazepínicos?
Os benzodiazepínicos substituíram os barbitúricos nas suas utilizações. Não têm a mesma ação depressora sobre o centro respiratório que os barbitúricos, sendo por isso de uso mais seguro, além de terem maior especificidade sobre a sintomatologia ansiosa.
Em geral, eles são usados sozinhos ou em co-terapia em ansiedades, insônias, convulsões (somente algumas benzodiazepinas possuem propriedades antiepiléticas), indução da hipnose, delirium tremens, indução da anestesia geral, para acalmar o doente em procedimentos médicos invasivos e como relaxante muscular.
Eles também são indicados como indutores do sono e para modificar a percepção da dor e do perigo, sem afetar a condução dos estímulos, mas relativizando-os emocionalmente, porque a pessoa percebe a dor ou o perigo, mas já não se incomoda mais com eles.
Saiba mais sobre "Ansiedade", "Amnésias", "Depressão", "Insônia", "Anestesia geral" e "Convulsões".
Quais são as razões para não se usar (ou só usar moderadamente) os benzodiazepínicos?
Os benzodiazepínicos produzem sedação e relaxamento muscular. Quando esses efeitos são desejados, tudo bem, mas muitas vezes só são efeitos colaterais. Além deles, ainda há sonolência, tontura, diminuição do estado de alerta e atenção, perturbações da memória, dificuldades de concentração e alteração da função muscular, efeitos que afetam negativamente a capacidade de conduzir as atividades diárias, como dirigir veículos automotores ou utilizar máquinas perigosas. Em idosos, particularmente, a diminuição da coordenação motora pode resultar em quedas e ferimentos.
Outros efeitos colaterais comuns são diminuição da libido e problemas de ereção. Também podem ocorrer depressão, hipotensão arterial e depressão respiratória (em administração intravenosa). Menos comumente podem surgir náuseas e alterações no apetite, visão turva, confusão mental, euforia, despersonalização e pesadelos. Casos de toxicidade no fígado foram relatados, mas são muito raros.
Além desses efeitos secundários podem ocorrer reações paradoxais, como o aumento de crises epilépticas, agressão, violência, impulsividade, irritabilidade e comportamento suicida. Esses efeitos paradoxais ocorrem em menos de 1% da população. Eles podem ser explicados como decorrentes da perda de controle sobre comportamentos socialmente inaceitáveis. Os principais fatores de risco para essas reações paradoxais são transtorno de personalidade borderline, crianças, pacientes com problema no controle dos impulsos, alta dosagem, dificuldades de aprendizagem, desordens neurológicas e uso crônico de benzodiazepínicos.
Leia sobre "Tontura", "Perda de memória", "Queda da libido", "Hipotensão arterial" e "Pesadelos".
O sono induzido pelas benzodiazepinas é mais "normal" e de melhor qualidade que o sono induzido por outros hipnóticos. O sono REM (rapid eyes moviments) é menos afetado. Contudo, usado por longos tempos, os benzodiazepínicos alteram muito a arquitetura fisiológica do sono e podem levar à insônia persistente.
O uso crônico dos benzodiazepínicos cria tolerância, obrigando o usuário a aumentar a dose para obter os mesmos efeitos. Por esse motivo, sua administração deve ser de no máximo 3 semanas. Após 6 semanas de uso ininterrupto, os benzodiazepínicos causam dependência psicológica e física, mesmo que usados moderadamente.
Os problemas da abstinência são comparáveis aos de outras substâncias que também causam dependência, os quais somente agora começam a ser reconhecidos na sua verdadeira escala. A síndrome de abstinência inicia-se logo em seguida à suspensão da administração e caracteriza-se por tremores, tonturas, ansiedade, insônias, perda do apetite, delirium tremens, ilusões, suores e, por vezes, convulsões ou psicoses.
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