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Tricotilomania: você tem mania de puxar os seus cabelos e arrancá-los?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
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Tricotilomania: você tem mania de puxar os seus cabelos e arrancá-los?

O que é tricotilomania?

A tricotilomania (do grego: thrix = cabelo + tíllein = puxar e mania = loucura, frenesi) é um distúrbio crônico caracterizado pela falta de controle dos impulsos para arrancar fios de cabelos. Assim, a tricotilomania leva a uma perda auto-induzida e recorrente de cabelo, podendo conduzir à calvície. As crianças também podem exibir esse comportamento arrancando os pelos dos seus animais de estimação. É um transtorno comportamental, sendo muitas vezes crônico e difícil de tratar.

Quais são as causas da tricotilomania?

Ainda não se conseguiu determinar precisamente as causas do transtorno, mas sabe-se que ele pode ser desencadeado por depressão ou estresse e pode ser agravado pelo sedentarismo. Nessa última condição, as mãos geralmente estão livres e podem passar a ser ocupadas nessa atividade. Mesmo os indivíduos que apresentam o transtorno em outras situações, o exacerbam quando ociosos.

Existem várias teorias sobre as possíveis causas da tricotilomania, nenhuma delas, no entanto, definitiva: desequilíbrio químico, problema genético ou hereditário (taxas de tricotilomania entre parentes de pacientes com transtorno obsessivo compulsivo ou TOC é maior do que o esperado ao acaso) e alergia devido a dieta inapropriada.

Qual é a “fisiopatologia” da tricotilomania?

Muitos pacientes relatam haver um sentimento crescente de tensão antes de puxar o cabelo e de gratificação ou alívio quando ele é arrancado. No entanto, algumas pessoas com tricotilomania não endossam essa ideia, já que muitos indivíduos com tricotilomania não chegam a perceber que estão arrancando os cabelos. De fato, a tricotilomania muitas vezes não é um ato consciente, mas ocorre em um estado semi-inconsciente de "transe". Dessa forma, ela pode ser subdividida em dois tipos: (1) consciente e (2) "automática".

A tricotilomania geralmente está associada a outros transtornos do espectro obsessivo-compulsivo, a transtorno dismórfico corporal, a roer as unhas e escarificar a pele, aos transtornos de tiques e a transtornos alimentares. Essas compulsões podem ser contínuas ou sofrerem remissões periódicas em que a pessoa passa dias sem senti-las. As pessoas que sofrem de tricotilomania costumam brincar com os cabelos que arrancam, passando-os nos seus lábios, mordendo e até mesmo ingerindo-os (tricotilofagia).

Quais são as principais características clínicas da tricotilomania?

A tricotilomania pode restringir-se a uma determinada área do corpo ou se estender a várias delas. O couro cabeludo é o local mais comumente envolvido, seguido pelas sobrancelhas, cílios, rosto, braços e pernas. Algumas áreas menos comuns incluem a região pubiana, axilas, barba e peito.

Como o médico diagnostica a tricotilomania?

Se o paciente admite que puxa e arranca os cabelos, o diagnóstico se torna evidente. No entanto, se o paciente disfarçar seus sintomas, pode dificultar o diagnóstico. Nesses casos um diferencial deve ser feito com a alopécia areata, a deficiência de ferro, hipotireoidismo, tinea capitis, alopecia de tração, alopecia mucinosa e envenenamento por tálio, condições que também levam à perda de cabelo. Uma biópsia pode ser útil, ao revelar folículos pilosos com hemorragia, cabelos fragmentados na derme, folículos vazios e fios de cabelo deformados. Uma técnica alternativa para a biópsia, especialmente para as crianças, é raspar uma parte da área envolvida e observar a rebrotagem de cabelos normais.

Quais são os efeitos negativos da tricotilomania?

A tricotilomania pode levar o indivíduo a depilar extensas áreas do corpo, alterando em muito a sua aparência normal. Isso cria um significativo problema estético, com o efeito adicional de baixar a autoestima, provocando vergonha e acanhamento. Algumas pessoas com tricotilomania procuram esconder seu problema usando chapéus, perucas, cílios postiços, lápis de sobrancelha ou mudando seu estilo de pentear o cabelo.

Outras complicações podem incluir infecções, perda permanente de cabelo, lesão por esforço repetitivo, síndrome do túnel do carpo e obstrução gastrointestinal (se a pessoa ingere os pelos arrancados, o que acontece frequentemente).

Como o médico trata a tricotilomania?

Os medicamentos habitualmente utilizados, como os antidepressivos e os tranquilizantes, têm se mostrado pouco efetivos. A terapia comportamental, com sua técnica de Reversão de Hábitos tem provado ser mais eficaz, quando comparada aos medicamentos. O tratamento duplo (medicação + terapia) pode proporcionar uma ajuda em alguns casos. A hipnose também pode melhorar os sintomas. Os grupos de apoio podem ser úteis no sentido de superar o problema.

Como evolui a tricotilomania?

A tricotilomania pode se iniciar já em lactentes, porém mais frequentemente ela começa entre os 9 e 13 anos de idade e pode perdurar por toda a vida. Quando se inicia antes de cinco anos de idade, a condição geralmente é autolimitada. Em adultos, o aparecimento de tricotilomania pode ser secundário a distúrbios psiquiátricos e a evolução dos sintomas passa a depender da evolução dessa condição subjacente.

Quais são as complicações possíveis da tricotilomania?

Podem ocorrer infecções secundárias pelo arrancar dos pelos e ao coçar a região correspondente, mas outras complicações são raras.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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