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Síndrome congênita do Zika

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
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Síndrome congênita do Zika

Quais são as alterações orgânicas provocadas pelo vírus Zika?

Ainda não se conhece inteiramente todas as alterações orgânicas causadas pelo vírus Zika, mas sabe-se que elas são de natureza congênita, transmitidas aos fetos através da placenta da gestante. As primeiras delas a chamarem a atenção dos médicos foram a maior incidência de microcefalia (diminuição do tamanho do cérebro do feto/bebê) e a síndrome de Guillain-Barré, uma síndrome constante de sinais e sintomas neurológicos.

Posteriormente verificou-se que mesmo em crianças com cérebro de tamanho normal poderia haver outras alterações neurológicas e mesmo em outros órgãos que não o sistema nervoso, embora o vírus demonstre uma predileção por esse sistema.

Considera-se que há microcefalia quando a criança nasce com menos de 32 centímetros de perímetro cefálico. O crânio não cresce porque o cérebro fica pequeno. Entretanto, às vezes o crânio pode crescer e adquirir dimensões normais, se dentro dos ventrículos cerebrais houver mais líquido que o comum, apesar da atrofia cerebral.

A síndrome congênita do Zika independe, pois, do tamanho da cabeça. Então, passou-se a designar a situação como “Síndrome Congênita do Zika”.

Em que consiste a síndrome congênita do Zika?

A síndrome congênita do Zika é um conjunto de sinais e sintomas presentes desde o nascimento que abarcam, além da microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré, dilatação dos ventrículos cerebrais (cavidades por onde circulam o líquido cerebral), calcificações intracranianas, problemas visuais e auditivos, atraso no desenvolvimento, crises epiléticas, alterações musculares, contração das articulações, deformações das mãos, punhos e joelhos e vários tipos de alterações cerebrais, entre outras manifestações.

Embora se tenha espalhado inicialmente a ideia da associação Zika-micocefalia, a microcefalia nunca está sozinha. A síndrome é provocada pelo vírus Zika, transmitido pelo mesmo mosquito que transmite a Dengue e a Chikungunya, o Aedes Aegypti, e se manifesta desde o nascimento. Por isso é dita “congênita”.

Como em outras síndromes, é possível que a criança apresente somente alguns dos sintomas possíveis e, raramente, todos eles. Mesmo crianças com perímetro cerebral normal podem apresentar outras alterações orgânicas. Esse fato está fazendo com que o problema da atrofia cerebral e outras alterações sejam aparentemente escondidos. Na verdade, ventrículos cerebrais dilatados devem-se a uma atrofia do tecido cerebral, ainda que o perímetro cefálico seja normal.

Não se sabe em que período da gestação o vírus é mais perigoso, se no início, no meio, no final ou se em todos eles. É possível que dependendo do momento em que a agressão ocorra, o vírus possa alterar o desenvolvimento de uma ou outra área do cérebro, provocando sintomas diferentes. É isso que faz com que a síndrome congênita do Zika não seja sempre a mesma coisa em todas as pessoas.

Como tratar a síndrome congênita do Zika?

Em geral, as crianças já nascem com um quadro bastante grave e completo e as perspectivas de reabilitação delas são muito limitadas. Os tratamentos são apenas sintomáticos e variam de caso para caso, mas exigem uma equipe multiprofissional composta, pelo menos, por neurologista, pediatra, fisioterapeuta, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, etc.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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