domingo, 5 de fevereiro de 2012

abc.med.br - quinta-feira, 02 de julho de 2009 - Atualizado em sexta-feira, 26 de agosto de 2011
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Úlcera Péptica. Conheça a doença, ajude a preveni-la.

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Sinônimos:

Úlcera gástrica1
Úlcera duodenal2
Ferida no estômago3


O que é úlcera péptica4?

Úlcera5 é o termo usado para designar lesões abertas com perda de tecido6. A úlcera péptica4 é uma lesão (ferida) que ocorre na mucosa7 do trato gastrointestinal, principalmente no estômago3 e no duodeno (porção inicial do intestino). Acredita-se que até 10% da população apresentará uma úlcera péptica4 em algum momento da vida.


Como a úlcera gástrica1 aparece?

Ela surge quando há um desequilíbrio entre os fatores agressores e os protetores da mucosa7 gastroduodenal.

O estômago3 produz ácido clorídrico e outras substâncias para fazer a digestão8 dos alimentos, mas essas mesmas substâncias podem ser as responsáveis por iniciar o processo de lesão à mucosa7 quando não existe a predominância dos mecanismos de proteção. O muco produzido pelas células do estômago3, a secreção de bicarbonato (que neutraliza o ácido) e a descamação constante da mucosa7 gástrica são alguns dos fatores de proteção. Estes mecanismos protetores são controlados pela produção de prostaglandinas.

O uso de alguns medicamentos, como os anti-inflamatórios, inibe a produção das prostaglandinas, comprometendo a proteção do estômago3 e do duodeno. A infecção9 por uma bactéria10, conhecida como Helicobacter pylori, é uma das principais causas de úlcera5.

Mais de 90% das úlceras11 do duodeno e cerca de 70% das úlceras11 do estômago3 estão associadas ao Helicobacter pylori.

Os anti-inflamatórios não hormonais (AINHs) estão associados a menos de 5% das úlceras11 do duodeno e a cerca de 30% das úlceras11 do estômago3. Menos de 1% das úlceras11 pépticas estão relacionadas a causas raras como a síndrome12 de Zolliger-Ellison, a doença de Crohn e a tuberculose13, ou têm causa desconhecida.

Não existe comprovação científica de que alimentos como café, refrigerantes, leite, álcool e condimentos favoreçam o desenvolvimento de úlcera péptica4. Da mesma forma, o fator psicológico, que acredita-se estar envolvido, também não foi confirmado.


Quais são os fatores de risco?

  • Uso de aspirina (ácido acetilsalicíclico) e AINHs
  • Infecção9 pelo Helicobacter pylori
  • Gastrite14 crônica
  • Fumo
  • Aumento da idade
  • Ventilação mecânica (uso de aparelho para respirar artificialmente, por exemplo os usados por pacientes em estado grave em unidades de terapia intensiva15)
  • História familiar de úlcera péptica4


O que sente uma pessoa com úlcera péptica4?

Uma úlcera5 pode ser assintomática ou apresentar como sintoma16 principal uma dor abdominal em queimação, principalmente na região central superior do abdome ("boca do estômago3"). Esta dor pode:

  • Acordar a pessoa durante a noite
  • Ser aliviada com anti-ácidos ou alimentos não irritantes ao estômago3
  • Ser mais intensa se a pessoa está de estômago3 vazio

Ela é pior antes das refeições e algumas horas (2 ou 3) após a alimentação.

Outros sintomas17 que podem estar presentes são:

  • Azia
  • Náuseas18
  • Indigestão
  • Vômitos19. Caso uma pessoa com úlcera5 apresente vômitos19 com sangue20, ela deve procurar assistência médica imediata, pois isso pode ser um sinal21 de sangramento da úlcera5.
  • Perda de peso não intencional
  • Fadiga


Como é feito o diagnóstico22 da úlcera5 do estômago3?

Um clínico geral ou um gastroenterologista, deve revisar os sintomas17, perguntar sobre o seu histórico de saúde e sobre alguns dados de doenças gastrointestinais na sua família, além de fazer um exame físico. Provavelmente deve ser solicitada uma endoscopia23 digestiva alta com biópsia24.

A endoscopia23 usa um tubo flexível (endoscópio) inserido através da boca que vai até o estômago3 e permite a visualização da úlcera5. Durante o exame pode ser feita uma biópsia24, que retira um pedaço de tecido6 durante a endoscopia23 e manda este material para um laboratório para ser examinado. Verifica-se se existem células cancerosas ou se há uma infecção9 por Helicobacter pylori.

Outro exame que pode ser realizado é uma radiografia contrastada do tudo digestivo.


Como é o tratamento da úlcera gástrica1?

Os objetivos do tratamento são o alívio da dor, a cicatrização da úlcera5 e a prevenção das complicações. O tratamento também pode evitar a recorrência da doença.

Para pessoas com infecção9 pelo Helicobacter pylori, o tratamento geralmente inclui dois antibióticos por 7 a 10 dias (os mais usados são a claritromicina e a amoxicilina). Muitas vezes o antibiótico é associado a um bloqueador H2 ou a um inibidor da bomba de prótons como o omeprazol, o lansoprazol ou o pantoprazol. Estes medicamentos irão suprimir a secreção ácida.

Aqueles que não têm infecção9 por Helicobacter pylori podem receber prescrições de antiácidos25, bloqueador H2 ou inibidores da bomba de prótons. O tratamento geralmente dura de 6 a 8 semanas, mas um tratamento de longo prazo pode ser necessário em alguns casos.

Quando há sangramento da úlcera5, uma endoscopia23 digestiva alta pode controlar o sangramento na maioria das vezes.

Para pessoas que não respondam ao tratamento com medicamentos ou endoscopia23, uma cirurgia pode ser recomendada.


E quanto ao prognóstico26?

A maioria das úlceras11 são curadas com o uso de medicação em 6 a 8 semanas. Elas respondem bem ao tratamento. A recorrência é comum, mas é menos provável se a infecção9 pelo Helicobacter pylori é tratada e as medicações que bloqueiam a secreção ácida são usadas de forma continuada.

Você pode ajudar a reduzir a chance de recorrência usando todas as medicações que seu médico prescrever de maneira correta.


Existem complicações da úlcera gástrica1?

As possíveis complicações são:

  • Sangramento: hemorragia27 que pode manifestar-se por vômitos19 com sangue20 ou sangue20 nas fezes
  • Perfuração no estômago3: buraco no estômago3 causado pela úlcera5
  • Obstrução: cicatrização da úlcera5 que pode impedir a passagem de alimentos
  • Malignização: a úlcera5 no duodeno apresenta uma incidência28 muito pequena de malignidade. No entanto, 5% das úlceras11 no estômago3 com aparência benigna revelaram-se maligna. Cerca de 2-3% das úlceras11 gástricas podem originar um câncer29 de estômago3, por isso devem ser corretamente tratadas e acompanhadas.

Essas complicações podem ser tratadas com medicação, endoscopia23 ou (em raros casos) com cirurgia.


O que fazer para prevenir uma úlcera5 de estômago3?

  • Caso você apresente fatores de risco para desenvolver úlcera5 no estômago3, tenha cuidado ao usar aspirina (ácido acetilsalicílico) ou AINHs. Pergunte ao seu médico se você precisa evitar medicamentos que agridam o estômago3.
  • Todas as vezes que for necessário usar  AINHs, tome-os após a ingestão de algum alimento para evitar a irritação no estômago3. Pergunte ao médico se você pode substitui-los por acetaminofeno ou paracetamol.
  • Evite o fumo e o álcool. O fumo dificulta o tratamento da gastrite14 e a cicatrização da úlcera5. E o álcool estimula a secreção de ácidos.

Pode ser importante fazer outras modificações no seu estilo de vida:

  • Ter uma dieta equilibrada fazendo 4 a 6 refeições ao dia com intervalos regulares, seguindo os alimentos orientados por seu médico.
  • Evite café, refrigerante, comidas ácidas como frutas cítricas, alimentos condimentados, frituras ou bebidas alcóolicas, pois eles podem agredir a mucosa7 do estômago3.
  • Prefira alimentos com pouco açúcar30, pois doces aumentam a secreção ácida.
  • Alimentos e líquidos muito quentes irritam toda a mucosa7 do sistema digestivo31. Antes de comer, espere que eles esfriem um pouco.
  • Coma32 devagar e mastigue bem os alimentos. A digestão8 começa na boca. Assim você estará ajudando o estômago3 a fazer o seu trabalho.
  • Procure ter boas noites de sono.
  • Exercite-se como recomendado por seu médico.
  • Caso você continue tendo sintomas17 ou eles comecem a incomodar mais, fale com um médico.


Fontes:

National Institutes of Health – United States National Library of Medicine
University of Michigan Health System

ABC.MED.BR, 2009. Úlcera Péptica. Conheça a doença, ajude a preveni-la.. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/36903/ulcera+peptica+conheca+a+doenca+aju.htm>. Acesso em: 5 fev. 2012.

Comentários

14/11/2010 - Comentário feito por Romário Romeiro
Re: Úlcera Péptica. Conheça a doença, ajude a preveni-la.
é filée a explicaçãooo, o meu pré projetoo é sobre Produção de Secreção ácida.

Glossário

1 Úlcera gástrica: Lesão na mucosa do estômago. Pode ser provocada por excesso de ácido clorídrico produzido pelo próprio estômago ou por medicamentos como antiinflamatórios ou aspirina. É uma doença infecciosa, causada pela bactéria Helicobacter pylori em quase 100 % dos casos.
2 Úlcera duodenal: Lesão na mucosa do duodeno – parte inicial do intestino delgado.
3 Estômago:

Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.

4 Úlcera péptica: Lesão na mucosa do esôfago, estômago ou duodeno. Também chamada de úlcera gástrica ou duodenal. Pode ser provocada por excesso de ácido clorídrico produzido pelo próprio estômago ou por medicamentos como antiinflamatórios ou aspirina. É uma doença infecciosa, causada pela bactéria Helicobacter pylori em quase 100% dos casos. Os principais sintomas são: dor, má digestão, enjôo, queimação (azia), sensação de estômago vazio.
5 Úlcera: Ferida superficial em tecido cutâneo ou mucoso que pode ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
6 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
7 Mucosa: Nome dado ao conjunto de tecidos que formam a cobertura superficial das diferentes cavidades do corpo que se comunicam com o meio externo. P.ex. mucosa respiratória, mucosa da cavidade oral, etc.
8 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
9 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Bactéria: Organismo unicelular, capaz de auto-reproduzir-se. Existem diferentes tipos de bactérias, classificadas segundo suas características de crescimento (aeróbicas ou anaeróbicas, etc.), sua capacidade de absorver corantes especiais (Gram positivas, Gram negativas), segundo sua forma (bacilos, cocos, espiroquetas, etc.). Algumas produzem infecções no ser humano, que podem ser bastante graves.
11 Úlceras: Feridas superficiais em tecido cutâneo ou mucoso que podem ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
12 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
13 Tuberculose: Doença infecciosa crônica produzida pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Produz doença pulmonar, podendo disseminar-se para qualquer outro órgão. Os sintomas de tuberculose pulmonar consistem em febre, tosse, expectoração, hemoptise, acompanhada de perda de peso e queda do estado geral. Em países em desenvolvimento (como o Brasil) aconselha-se a vacinação com uma cepa atenuada desta bactéria (vacina BCG).
14 Gastrite: Inflamação aguda ou crônica da mucosa do estômago. Manifesta-se por dor na região superior do abdome, acidez, ardor, náuseas, vômitos, etc. Pode ser produzida por infecções, consumo de medicamentos (aspirina), estresse, etc.
15 Terapia intensiva: Tratamento para diabetes no qual os níveis de glicose são mantidos o mais próximo do normal possível através de injeções freqüentes ou uso de bomba de insulina, planejamento das refeições, ajuste em medicamentos hipoglicemiantes e exercícios baseados nos resultados de testes de glicose além de contatos freqüentes entre o diabético e o profissional de saúde.
16 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
17 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
18 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
19 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial.
Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
20 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
21 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
2. Som ou gesto que indica algo, indício.
3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
22 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
23 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
24 Biópsia: Obtenção de uma amostra de tecido de um organismo vivo para fins diagnósticos.
25 Antiácidos: É uma substância que neutraliza o excesso de ácido, contrariando o seu efeito. É uma base que aumenta os valores de pH de uma solução ácida.
26 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença.
2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto.
27 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
28 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
29 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
30 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose.
2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
31 Sistema digestivo: O sistema digestivo ou digestório realiza a digestão, processo que transforma os alimentos em substâncias passíveis de serem absorvidas pelo organismo. Os materiais não absorvidos são eliminados por este sistema. Ele é composto pelo tubo digestivo e por glândulas anexas.
32 Coma: 1. Alteração do estado normal de consciência caracterizado pela falta de abertura ocular e diminuição ou ausência de resposta a estímulos externos. Pode ser reversível ou evoluir para a morte.

2. Presente do subjuntivo ou imperativo do verbo "comer."
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