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Nódulo no testículo? Entenda os sinais, o diagnóstico e o tratamento do seminoma

sexta-feira, 5 de junho de 2026
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Nódulo no testículo? Entenda os sinais, o diagnóstico e o tratamento do seminoma

O seminoma é o tipo mais comum de tumor germinativo testicular e afeta principalmente homens entre 30 e 45 anos. Costuma manifestar-se como aumento indolor de um dos testículos, sendo diagnosticado por ultrassonografia, marcadores tumorais e orquiectomia radical inguinal. Apresenta elevada sensibilidade à quimioterapia e excelente prognóstico, com taxas de cura superiores a 95% na maioria dos casos. O diagnóstico precoce é fundamental para maximizar as chances de cura e minimizar as complicações do tratamento.

O que é seminoma?

O seminoma é um tipo de tumor maligno originado nas células germinativas dos testículos. As células germinativas são responsáveis pela produção dos espermatozoides e, quando sofrem alterações genéticas, podem transformar-se em células tumorais.

Esse tumor faz parte do grupo dos tumores germinativos testiculares, que também inclui outros tipos, como carcinoma embrionário, teratoma, tumor do saco vitelino e coriocarcinoma. O seminoma é o subtipo mais comum dos tumores germinativos testiculares puros e é mais frequentemente diagnosticado em homens jovens, geralmente entre 30 e 45 anos, embora possa ocorrer em outras faixas etárias.

Confira no infográfico abaixo um resumo sobre o seminoma (clique sobre a imagem para visualizá-la ampliada). Continue lendo o artigo para tirar todas as suas dúvidas sobre esse tumor testicular.

Infográfico - Seminoma

Quais são as causas do seminoma?

As causas exatas do seminoma ainda não são completamente conhecidas. Entretanto, diversos fatores de risco foram identificados e parecem aumentar a probabilidade de desenvolvimento dessa neoplasia. Um dos principais fatores de risco é o criptorquidismo, condição em que o testículo não desce adequadamente do abdome para o escroto durante o desenvolvimento fetal. Homens que tiveram essa alteração apresentam risco significativamente maior de desenvolver câncer testicular, incluindo seminoma, mesmo após correção cirúrgica, embora a orquidopexia precoce reduza esse risco e facilite o diagnóstico precoce.

Outro fator importante é a história familiar de câncer testicular. Indivíduos que possuem parentes de primeiro grau com essa doença podem apresentar predisposição genética aumentada. Alterações genéticas específicas também têm sido associadas ao desenvolvimento do seminoma, especialmente a presença de isocromossomo do braço curto do cromossomo 12 [i(12p)], alteração frequentemente observada nos tumores germinativos testiculares.

Outros fatores associados incluem infertilidade masculina, síndrome de disgenesia gonadal, síndrome de Klinefelter em alguns contextos relacionados aos tumores germinativos, exposição a determinados agentes ambientais e alterações hormonais durante o desenvolvimento fetal.

Qual é a fisiopatologia do seminoma?

A fisiopatologia do seminoma está relacionada à transformação maligna das células germinativas do testículo. Esse processo geralmente se inicia a partir de uma lesão pré-invasiva denominada neoplasia germinativa de células in situ (GCNIS, do inglês germ cell neoplasia in situ), anteriormente chamada de neoplasia germinativa intratubular. Nessa condição, as células germinativas passam a apresentar alterações genéticas e morfológicas que favorecem o crescimento descontrolado.

Com o tempo, essas células anormais proliferam dentro dos túbulos seminíferos e acabam invadindo o tecido testicular adjacente, formando o tumor propriamente dito. As células do seminoma são geralmente grandes, com citoplasma claro rico em glicogênio, membranas celulares bem definidas e núcleos proeminentes. Ao exame histológico, costuma haver infiltrado linfocitário associado e, ocasionalmente, granulomas.

Em estágios mais avançados, o tumor pode invadir estruturas vizinhas e disseminar-se para outras partes do corpo. A disseminação ocorre principalmente por via linfática, atingindo inicialmente os linfonodos retroperitoneais. Em casos mais avançados, podem ocorrer metástases para pulmões, fígado, ossos e outros órgãos.

Quais são as características clínicas do seminoma?

O sintoma mais comum do seminoma é o aumento indolor de um dos testículos. O paciente percebe uma massa ou nódulo testicular durante o autoexame ou ao realizar sua higiene pessoal. Em muitos casos, o testículo afetado apresenta aumento de volume e consistência endurecida. Apesar disso, a dor nem sempre está presente, o que pode atrasar a procura por atendimento médico.

Alguns pacientes podem apresentar sensação de peso, desconforto ou aumento do volume escrotal. Menos frequentemente, pode ocorrer dor testicular, especialmente quando há sangramento intratumoral ou crescimento rápido da lesão. Em estágios mais avançados, podem surgir sintomas relacionados à disseminação da doença, como dor lombar causada pelo comprometimento de linfonodos retroperitoneais.

Embora seja mais comum em tumores germinativos não seminomatosos, alguns pacientes podem apresentar elevação do beta-hCG, o que ocasionalmente pode estar associado a ginecomastia. Mais raramente, podem ocorrer manifestações sistêmicas, como perda de peso, fadiga ou sintomas respiratórios caso haja metástases pulmonares.

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Como o médico diagnostica o seminoma?

O diagnóstico do seminoma envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem. Inicialmente, o médico realiza o exame físico, avaliando a presença de aumento, endurecimento ou massa testicular. Em seguida, costuma solicitar uma ultrassonografia escrotal, que é o principal exame de imagem para avaliação de lesões testiculares. Esse exame permite identificar massas suspeitas e diferenciar tumores sólidos de outras alterações, como cistos ou hidrocele.

Exames laboratoriais também são importantes. Alguns marcadores tumorais podem ser avaliados no sangue, como a gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG), a alfafetoproteína (AFP) e a desidrogenase láctica (LDH). No seminoma clássico, a AFP permanece normal. A elevação da AFP sugere a presença de componente não seminomatoso e deve levar à reconsideração do diagnóstico de seminoma puro. O beta-hCG pode estar discretamente elevado em parte dos pacientes, enquanto a LDH pode refletir maior carga tumoral.

A biópsia testicular por via escrotal não é recomendada devido ao risco de disseminação tumoral e alteração da drenagem linfática. O diagnóstico definitivo ocorre após a remoção cirúrgica do testículo afetado por meio da orquiectomia radical inguinal. O material removido é analisado por exame anatomopatológico, que confirma o tipo de tumor.

Após o diagnóstico, são realizados exames de estadiamento, principalmente tomografia computadorizada de abdome e pelve, frequentemente associada à tomografia de tórax, para avaliar a extensão da doença e a presença de metástases.

Como o médico trata o seminoma?

O primeiro passo terapêutico é a orquiectomia radical inguinal, que consiste na remoção cirúrgica do testículo afetado por acesso inguinal. Esse procedimento é fundamental tanto para o diagnóstico definitivo quanto para o tratamento inicial.

Após a cirurgia, o médico define a conduta de acordo com o estágio da doença. Nos casos de seminoma estágio I, a vigilância ativa é atualmente uma das estratégias preferidas para muitos pacientes, devido às elevadas taxas de cura e ao baixo risco de mortalidade específica pela doença. Em situações selecionadas, pode ser utilizada quimioterapia adjuvante, geralmente com carboplatina, para reduzir o risco de recidiva.

A radioterapia foi amplamente utilizada no passado devido à elevada radiossensibilidade do seminoma. Entretanto, seu uso tornou-se mais restrito em razão do potencial aumento do risco de neoplasias secundárias e de efeitos cardiovasculares tardios, sendo atualmente menos empregada em comparação com estratégias de vigilância ativa e quimioterapia.

Nos estágios mais avançados, quando há disseminação da doença, a quimioterapia sistêmica é o tratamento principal. Os esquemas mais utilizados incluem medicamentos à base de platina, como bleomicina, etoposídeo e cisplatina (BEP) ou regimes alternativos conforme o perfil clínico do paciente. Esse tratamento apresenta elevadas taxas de resposta, mesmo em doença metastática.

Antes do início da quimioterapia, recomenda-se discutir preservação da fertilidade por meio de criopreservação de sêmen quando apropriado.

Como evolui o seminoma?

O seminoma costuma apresentar crescimento relativamente lento e, quando diagnosticado precocemente, possui altas taxas de cura. Em comparação com muitos outros tumores malignos, apresenta comportamento biológico favorável e excelente resposta ao tratamento.

A evolução depende principalmente do estágio em que a doença é diagnosticada. Quando identificado precocemente e tratado adequadamente, o prognóstico é extremamente favorável. As taxas de sobrevida específica para a doença ultrapassam 95% e, nos estágios iniciais, aproximam-se de 99%. Mesmo em casos mais avançados, muitos pacientes respondem muito bem à quimioterapia baseada em platina.

Após o tratamento, os pacientes devem ser acompanhados regularmente por meio de avaliações clínicas, marcadores tumorais e exames de imagem, especialmente nos primeiros anos, período em que ocorre a maioria das recidivas.

Quais são as complicações possíveis com o seminoma?

Embora o seminoma apresente excelente prognóstico, algumas complicações podem ocorrer. Uma das principais é a disseminação metastática para linfonodos retroperitoneais, pulmões, fígado, ossos e outros órgãos. Essa disseminação pode causar sintomas adicionais e exigir tratamentos mais intensivos.

Outra possível complicação está relacionada aos efeitos do tratamento. A quimioterapia e a radioterapia podem causar fadiga, náuseas, redução da fertilidade e aumento do risco de complicações tardias. A cisplatina pode estar associada a neuropatia periférica, perda auditiva, disfunção renal e aumento do risco cardiovascular a longo prazo. A radioterapia, quando utilizada, pode aumentar o risco de neoplasias secundárias após muitos anos.

A infertilidade pode ocorrer, especialmente quando há comprometimento prévio da função testicular ou quando os tratamentos afetam a produção de espermatozoides. Por isso, muitos médicos recomendam a preservação de sêmen antes do início da terapia.

Além das repercussões físicas, podem ocorrer complicações psicológicas relacionadas ao diagnóstico de câncer, alterações na imagem corporal após a retirada do testículo e impacto emocional sobre a sexualidade, autoestima e qualidade de vida. Quando necessário, o implante de prótese testicular pode ser discutido para fins estéticos e psicossociais.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Rede D’Or São Luiz e da Sociedade Brasileira de Urologia.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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