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Como acontece uma crise tireotóxica ou tempestade tireoidiana?

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O que é a crise tireotóxica?

A crise tireotóxica ou tempestade tireoidiana é uma rara complicação do hipertireoidismo1 que envolve risco de morte. Geralmente ela é um evento agudo2 que exige tratamento imediato, sendo, pois, uma emergência3 médica.

Quais são as causas da crise tireotóxica?

A crise tireotóxica pode desenvolver-se espontaneamente, porém ocorre mais frequentemente em pessoas com hipertireoidismo1 não tratado ou com tratamento deficitário. O hipertireoidismo1 (doença de Graves, bócio4 multinodular tóxico ou adenoma5 funcionante autônomo, etc.) é a principal causa da crise tireotóxica. As infecções6 são os fatores precipitantes mais importantes, mas outras condições clínicas podem estar associadas com o rápido aumento nos hormônios tireoidianos: cirurgia tireoidiana, suspensão brusca do tratamento do hipertireoidismo1, iodoterapia radioativa, palpação7 vigorosa da tireoide8, traumatismo9 na região cervical e uso excessivo de hormônio10 tireoidiano.

Qual é a fisiopatologia11 da crise tireotóxica?

Os mecanismos pelos quais os fatores que levam à descompensação do hipertireoidismo1 desencadeiam a crise tireotóxica ainda não são bem conhecidos. Parece haver um aumento súbito dos hormônios tireoidianos e diminuição da ligação do T4 com a globulina12. Também há evidências de que na tireotoxicose está aumentado o número de ligações do hormônio10 com as catecolaminas produzidas pelas glândulas13 adrenais. Ela também pode ser explicada pela liberação aguda das citocinas14 (moléculas envolvidas na emissão de sinais15 entre as células16 das respostas imunes) ou distúrbios imunológicos agudos causados pelas condições precipitantes.

Quais são os principais sinais15 e sintomas17 da crise tireotóxica?

Nessa condição clínica os sinais15 e sintomas17 do hipertireoidismo1 estão agudamente exacerbados, com descompensação de múltiplos sistemas orgânicos e elevado risco de morte, caso o diagnóstico18 e o tratamento não sejam precoces. Na maioria das vezes, os episódios ocorrem tanto nos pacientes com hipertireoidismo1 cujo tratamento foi interrompido ou se tornou inefetivo, quanto naqueles com hipertireoidismo1 moderado que desenvolvem uma intercorrência, tal como uma infecção19, por exemplo. A crise tireotóxica se caracteriza por febre20 alta, geralmente acima de 40°C, tremor, sudorese21, taquicardia22, fibrilação atrial, vômitos23, diarreia24 e agitação e exacerbação dos demais sintomas17 do hipertireoidismo1. Pode ocorrer ainda insuficiência cardíaca25 e infarto26 agudo2 do miocárdio27. A liberação de grandes quantidades de hormônios tireoidianos produz os sinais15 de hipermetabolismo que se manifestam durante a crise. Formas atípicas de crises tireoidianas podem exibir coma28, convulsões, apatia29, estupor, infarto26 cerebral, insuficiência30 adrenal ou hepática31 aguda e abdome agudo32.

Como o médico diagnostica a crise tireotóxica?

O diagnóstico18 da crise tireotóxica é basicamente clínico, baseado nos sinais15 e sintomas17, e as taxas de hormônios tireoidianos não se correlacionam com a gravidade do quadro e não permitem diferenciar a tireotoxicose simples de uma crise tireoidiana. A gravidade da tireotoxicose e da tempestade tireoidiana pode ser avaliada pelo escore de Burch-Wartofsky. O médico deve procurar diagnosticar também a causa desencadeante.

Como o médico trata a crise tireotóxica?

A crise tireoidiana é uma emergência3 médica e requer tratamento imediato, mesmo antes que se obtenham os resultados laboratoriais. Frequentemente deve-se fazer uma internação em unidade de tratamento intensivo (UTI). O tratamento é o mesmo que é feito para o hipertireoidismo1 comum, mas as drogas devem ser administradas em doses mais altas e com maior frequência. O iodeto de potássio e as drogas antitireoidianas são usados para reduzir a liberação de hormônios tireoidianos. Muitas manifestações devem ser tratadas sintomaticamente. O controle da temperatura é alcançado com antitérmicos33. A possível desidratação34 pode exigir a reposição venosa de fluidos. A ventilação35 mecânica e a utilização de corticoides podem ser necessárias. Também deve ser tratada a causa desencadeante, se identificada.

Como prevenir a crise tireotóxica?

A crise tireotóxica pode ser prevenida mantendo-se um correto tratamento do hipertireoidismo1 e um adequado controle dos fatores desencadeantes.

Como evolui a crise tireotóxica?

Em geral, a crise tireotóxica é reversível, embora 20 a 30% delas possa terminar em óbito36, principalmente se o paciente já tem outras intercorrências clínicas.

Quais são as complicações possíveis da crise tireotóxica?

Se não for adequadamente tratada, a crise tireotóxica pode levar à isquemia37 miocárdica, insuficiência cardíaca25, colapso38 vascular39, coma28 e morte.

ABCMED, 2014. Como acontece uma crise tireotóxica ou tempestade tireoidiana?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/tireoide/588512/como-acontece-uma-crise-tireotoxica-ou-tempestade-tireoidiana.htm>. Acesso em: 18 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Hipertireoidismo: Doença caracterizada por um aumento anormal da atividade dos hormônios tireoidianos. Pode ser produzido pela administração externa de hormônios tireoidianos (hipertireoidismo iatrogênico) ou pelo aumento de uma produção destes nas glândulas tireóideas. Seus sintomas, entre outros, são taquicardia, tremores finos, perda de peso, hiperatividade, exoftalmia.
2 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
3 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
4 Bócio: Aumento do tamanho da glândula tireóide, que produz um abaulamento na região anterior do pescoço. Em geral está associado ao hipotireoidismo. Quando a causa desta doença é a deficiência de ingestão de iodo, é denominado Bócio Regional Endêmico. Também pode estar associado a outras doenças glandulares como tumores, infecções ou inflamações.
5 Adenoma: Tumor do epitélio glandular de características benignas.
6 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Palpação: Ato ou efeito de palpar. Toque, sensação ou percepção pelo tato. Em medicina, é o exame feito com os dedos ou com a mão inteira para explorar clinicamente os órgãos e determinar certas características, como temperatura, resistência, tamanho etc.
8 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
9 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
10 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
11 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
12 Globulina: Qualquer uma das várias proteínas globulares pouco hidrossolúveis de uma mesma família que inclui os anticorpos e as proteínas envolvidas no transporte de lipídios pelo plasma.
13 Glândulas: Grupo de células que secreta substâncias. As glândulas endócrinas secretam hormônios e as glândulas exócrinas secretam saliva, enzimas e água.
14 Citocinas: Citoquina ou citocina é a designação genérica de certas substâncias segregadas por células do sistema imunitário que controlam as reações imunes do organismo.
15 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
16 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
17 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
18 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
19 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
20 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
21 Sudorese: Suor excessivo
22 Taquicardia: Aumento da frequência cardíaca. Pode ser devido a causas fisiológicas (durante o exercício físico ou gravidez) ou por diversas doenças como sepse, hipertireoidismo e anemia. Pode ser assintomática ou provocar palpitações.
23 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
24 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
25 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
26 Infarto: Morte de um tecido por irrigação sangüínea insuficiente. O exemplo mais conhecido é o infarto do miocárdio, no qual se produz a obstrução das artérias coronárias com conseqüente lesão irreversível do músculo cardíaco.
27 Miocárdio: Tecido muscular do CORAÇÃO. Composto de células musculares estriadas e involuntárias (MIÓCITOS CARDÍACOS) conectadas, que formam a bomba contrátil geradora do fluxo sangüíneo. Sinônimos: Músculo Cardíaco; Músculo do Coração
28 Coma: 1. Alteração do estado normal de consciência caracterizado pela falta de abertura ocular e diminuição ou ausência de resposta a estímulos externos. Pode ser reversível ou evoluir para a morte. 2. Presente do subjuntivo ou imperativo do verbo “comer.“
29 Apatia: 1. Em filosofia, para os céticos e os estoicos, é um estado de insensibilidade emocional ou esmaecimento de todos os sentimentos, alcançado mediante o alargamento da compreensão filosófica. 2. Estado de alma não suscetível de comoção ou interesse; insensibilidade, indiferença. 3. Em psicopatologia, é o estado caracterizado por indiferença, ausência de sentimentos, falta de atividade e de interesse. 4. Por extensão de sentido, é a falta de energia (física e moral), falta de ânimo; abatimento, indolência, moleza.
30 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
31 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
32 Abdome agudo: Dor abdominal, em geral de início súbito, progressiva que costuma associar-se a doenças de resolução cirúrgica. Necessita de avaliação médica urgente. Algumas causas de abdome agudo são apendicite, colecistite, pancreatite, etc.
33 Antitérmicos: Medicamentos que combatem a febre. Também pode ser chamado de febrífugo, antifebril e antipirético.
34 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
35 Ventilação: 1. Ação ou efeito de ventilar, passagem contínua de ar fresco e renovado, num espaço ou recinto. 2. Agitação ou movimentação do ar, natural ou provocada para estabelecer sua circulação dentro de um ambiente. 3. Em fisiologia, é o movimento de ar nos pulmões. Perfusão Em medicina, é a introdução de substância líquida nos tecidos por meio de injeção em vasos sanguíneos.
36 Óbito: Morte de pessoa; passamento, falecimento.
37 Isquemia: Insuficiência absoluta ou relativa de aporte sanguíneo a um ou vários tecidos. Suas manifestações dependem do tecido comprometido, sendo a mais frequente a isquemia cardíaca, capaz de produzir infartos, isquemia cerebral, produtora de acidentes vasculares cerebrais, etc.
38 Colapso: 1. Em patologia, é um estado semelhante ao choque, caracterizado por prostração extrema, grande perda de líquido, acompanhado geralmente de insuficiência cardíaca. 2. Em medicina, é o achatamento conjunto das paredes de uma estrutura. 3. No sentido figurado, é uma diminuição súbita de eficiência, de poder. Derrocada, desmoronamento, ruína. 4. Em botânica, é a perda da turgescência de tecido vegetal.
39 Vascular: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
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