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O que precisamos saber sobre a espasticidade muscular?

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O que é espasticidade1?

Espasticidade1 é uma alteração dos músculos2 esqueléticos que envolve uma combinação de paralisia3, aumento da atividade reflexa dos tendões4 musculares e hipertonia5 muscular. Também é coloquialmente referida como "aperto", “rigidez” ou "repuxão" de músculos2. Na espasticidade1, ocorre sempre um aumento do tônus muscular6.

Quais são as causas da espasticidade1?

A causa da espasticidade1 não é muito conhecida, mas existem várias teorias a respeito. Ela se desenvolve quando há um desequilíbrio excitatório dos neurônios7 motores causado por danos na medula espinhal8 e/ou no sistema nervoso central9. Esse dano provoca uma alteração no equilíbrio de estímulos elétricos entre o sistema nervoso10 e os músculos2, conduzindo a um aumento da excitabilidade muscular.

A espasticidade1 ocorre principalmente em desordens do sistema nervoso central9 que afeta os neurônios7 motores superiores sob a forma de uma lesão11, tal como na diplegia espástica12 ou na síndrome13 do neurônio motor superior, por exemplo, e também pode estar presente em vários tipos de esclerose múltipla14, sendo um sintoma15 dos ataques progressivos.

Qual é a fisiopatologia16 da espasticidade1?

Os reflexos nervosos são de importância na coordenação de movimentos normais em que os músculos2 têm de contrair e relaxar, alternadamente. Embora o resultado final da espasticidade1 leve a problemas com os músculos2, ela é causada por um dano a uma parte do sistema nervoso central9, que controla os movimentos voluntários. Esse dano provoca uma alteração no equilíbrio de estímulos que vão do sistema nervoso10 para os músculos2 e vice-versa. Este desequilíbrio conduz ao aumento da excitabilidade dos músculos2.

Receptores musculares recebem mensagens do sistema nervoso10 que comandam o grau de estiramento que o músculo deve ter e envia de volta sinais17 reguladores para o cérebro18. O cérebro18, por sua vez, responde enviando uma mensagem para regular o estiramento ou o encurtamento muscular. No geral, a espasticidade1 depende do aumento de velocidade do estímulo que regula o tônus muscular6. Assim, ela ocorre em condições em que o cérebro18 e/ou a medula espinhal8 não conseguem manter seu desempenho normal, como na paralisia3 cerebral, esclerose múltipla14, lesão11 medular e lesão11 cerebral adquirida. Os músculos2 afetados desta forma sofrem, além da espasticidade1, fraqueza e diminuição do controle dos movimentos.

Quais são as principais características clínicas da espasticidade1?

A espasticidade1 é um dos distúrbios motores mais frequentes e incapacitantes que ocorre em pacientes com lesões19 no sistema nervoso10. Clinicamente, os resultados são consequência da perda de inibição dos neurônios7 motores, causando a contração muscular excessiva e a hiperreflexia20 dos tendões4 musculares. Os músculos2 espásticos são mais resistentes à extensão e tendem à contração, porém, quando realizado o movimento passivo, tendem a oferecer certa resistência e, mantendo a força constante, do movimento passivo, os músculos2 espásticos tendem a ceder.

Frequentemente ocorrem clônus21 (uma série de contrações musculares involuntárias rápidas) e exagero dos reflexos profundos. O indivíduo afetado pode ter qualquer grau de comprometimento, que vai desde um leve distúrbio do movimento até uma desordem grave. As desordens mais leves podem afetar movimentos como correr ou subir escadas, por exemplo, e as mais graves resultam em perda mais completa das funções musculares.

Como o médico diagnostica a espasticidade1?

A espasticidade1 pode ser avaliada por sentir a resistência do músculo ao alongamento passivo. Um músculo espástico mostrará um aumento muitas vezes bastante forte da resistência ao estiramento passivo, em comparação com os músculos2 não-espásticos da mesma pessoa. Pode haver também várias outras alterações na musculatura e ossos circundantes, tais como desalinhamentos progressivos da estrutura óssea em torno dos músculos2 espásticos, levando, por exemplo, à marcha em tesoura.

Pode haver também vários músculos2 afetados em diferentes graus. Existem várias escalas utilizadas para medir a espasticidade1. Uma avaliação completa deve incluir a análise da postura, movimento ativo, força muscular, controle e coordenação de movimentos e resistência, bem como a constatação da espasticidade1.

Como o médico trata a espasticidade1?

O tratamento da espasticidade1 deve ser baseado na avaliação médica do paciente. Para espasticidades22 ligeiras são úteis os exercícios, os quais devem ser prescritos por um profissional de saúde23 especializado em reabilitação neurológica. Nas mais severas, o paciente pode precisar de ajuda para fazer isso e pode exigir intervenções adicionais. Para os músculos2 que não possuem qualquer controle, como ocorre após uma lesão11 medular completa, o exercício pode ser feito de forma passiva, por meio de instrumentos.

As intervenções médicas podem incluir alguns medicamentos para tentar atenuar os estímulos entre nervos e músculos2. A espasticidade1 é frequentemente tratada com medicamentos que atuam como inibidores da estimulação neuronal, os receptores de GABA24. A eficácia desses medicamentos varia entre indivíduos e, embora sejam eficazes na diminuição da espasticidade1, não têm sido acompanhados por benefícios funcionais. A cirurgia pode ser necessária para a liberação do tendão25 muscular, no caso de um desequilíbrio muscular levando à contratura. A hidroterapia26 pode ajudar no programa de tratamento.

Quais são as complicações possíveis da espasticidade1?

Quando não adequadamente tratada, a espasticidade1 pode levar a complicações como o desenvolvimento de contraturas, deformidades ósseas e musculares, atrofias27 e assimetrias posturais.

 

ABCMED, 2016. O que precisamos saber sobre a espasticidade muscular?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/826704/o-que-precisamos-saber-sobre-a-espasticidade-muscular.htm>. Acesso em: 25 ago. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Espasticidade: Hipertonia exagerada dos músculos esqueléticos com rigidez e hiperreflexia osteotendinosa.
2 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
3 Paralisia: Perda total da força muscular que produz incapacidade para realizar movimentos nos setores afetados. Pode ser produzida por doença neurológica, muscular, tóxica, metabólica ou ser uma combinação das mesmas.
4 Tendões: Tecidos fibrosos pelos quais um músculo se prende a um osso.
5 Hipertonia: 1. Em biologia, é a característica de uma solução que apresenta maior concentração de solutos do que outra. 2. Em medicina, é a tensão excessiva em músculos, artérias ou outros tecidos orgânicos.
6 Tônus muscular: Estado de tensão elástica (contração ligeira) que o músculo apresenta em repouso e que lhe permite iniciar a contração imediatamente depois de receber o impulso dos centros nervosos. Num estado de relaxamento completo (sem tônus), o músculo levaria mais tempo para iniciar a contração.
7 Neurônios: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO. Sinônimos: Células Nervosas
8 Medula Espinhal:
9 Sistema Nervoso Central: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
10 Sistema nervoso: O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e a porção periférica está constituída pelos nervos cranianos e espinhais, pelos gânglios e pelas terminações nervosas.
11 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
12 Diplegia espástica: Ela pode afetar os quatro membros (superiores e inferiores), tendo maior comprometimento dos membros inferiores. Isso ocorre devido à lesão atingir principalmente a porção do trato piramidal responsável pelos movimentos das pernas. A criança que possui essa forma de lesão apresentará distúrbios de movimento causados pela rigidez muscular, evidenciando assim a espasticidade. A hipertonia dos músculos é inerente e contínua, mesmo quando em repouso.
13 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
14 Esclerose múltipla: Doença degenerativa que afeta o sistema nervoso, produzida pela alteração na camada de mielina. Caracteriza-se por alterações sensitivas e de motilidade que evoluem através do tempo produzindo dano neurológico progressivo.
15 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
17 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
18 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
19 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
20 Hiperreflexia: Definida como reflexos muito ativos ou responsivos em excesso. Suas causas mais comuns são lesão na medula espinal e casos de hipocalcemia.
21 Clônus: Clônus ou clono é a sequência de contrações e relaxamentos musculares rápidos e involuntários que pode ocorrer de modo normal e breve em virtude do estiramento de um músculo ou de modo patológico e ininterrupto.
22 Espasticidades: Contração muscular involuntária e permanente que causa dores e posturas anormais.
23 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
24 GABA: GABA ou Ácido gama-aminobutírico é o neurotransmissor inibitório mais comum no sistema nervoso central.
25 Tendão: Tecido fibroso pelo qual um músculo se prende a um osso.
26 Hidroterapia: 1. Uso da água sob formas diversas (banhos, duchas, loções, compressas úmidas, etc.) com fins terapêuticos. 2. Qualquer terapia que faça uso de água.
27 Atrofias: 1. Em biologia, é a falta de desenvolvimento de corpo, órgão, tecido ou membro. 2. Em patologia, é a diminuição de peso e volume de órgão, tecido ou membro por nutrição insuficiente das células ou imobilização. 3. No sentido figurado, é uma debilitação ou perda de alguma faculdade mental ou de um dos sentidos, por exemplo, da memória em idosos.
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