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Membro fantasma: o que é isso?

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O que é membro fantasma?

Quando as pessoas que tenham sofrido amputação1 de um membro continuam a experimentar sensações como se ainda o tivessem, denomina-se a essa situação de membro fantasma. Mas uma situação equivalente ao membro fantasma pode se manifestar também em pessoas não amputadas, mas com lesões2 no plexo braquial3, tetraplegia, retirada da mama4 ou outros apêndices corporais. A expressão foi criada em 1871, pelo médico americano Weir Mitchel, para descrever sintomas5 de soldados mutilados durante a guerra civil americana.

Quais são as causas do membro fantasma?

Não se conhece com precisão as causas do membro fantasma. Ele ocorre em intensidades variáveis, em diferentes pessoas que tenham sofrido amputações e deixa de ocorrer em muitas delas. Conclui-se apenas que a síndrome6 do membro fantasma é baseada em fatores fisiológicos e psíquicos indeterminados.

Qual é a “fisiopatologia” do membro fantasma?

Há inúmeras controvérsias a respeito dos mecanismos neurofisiológicos que induzem ao fenômeno do membro fantasma. Ele é um curioso evento neurológico que parece ter a ver com o Homúnculo e Penfield, uma espécie de mapa neural que o cérebro7 tem do corpo e que, nesse caso, desconhece a inexistência do membro. As pessoas tanto podem experimentar sensações normais como outras anormais, inclusive dores intensas e “reais”. Deve-se levar em conta que o cérebro7 é recheado de memórias persistentes, prévias à amputação1 e a pessoa pode até mesmo sonhar com o membro íntegro. Isso, aliás, acontece não só nas amputações, mas também em todos os casos de mutilações ou paralisias. “O membro sai do corpo, mas não sai do cérebro”, diz o neurologista8 Leandro Teles. O esquema corporal é muito fixo e histórico e depende muito mais de sensações endógenas que do espelho, por exemplo, ou da visão9 direta.

Quais são os principais sinais10 e sintomas5 do membro fantasma?

As impressões experimentadas pelo membro fantasma podem durar meses, anos ou mesmo a vida inteira. Alguns pacientes sentem continuamente como se o membro estivesse lá e outros referem essa experiência apenas de vez em quando. Um membro fantasma pode a princípio reproduzir as sensações de um membro normal ou pode assumir um caráter patológico, tornando-se intruso, ”paralisado”, deformado ou torturantemente doloroso. Outros descrevem sensações de movimentos e sensações estranhas peculiares como “gelado”, “apertado”, “ardido”, etc. Podem ocorrer reflexos como os de retirar o membro inexistente de situações “perigosas” ou mudar de posição. O sintoma11 mais temido do membro fantasma é a dor crônica, por vezes intensa e que deve ser diferenciada da dor eventualmente existente no coto cirúrgico. Algumas pesquisas apontam que a ocorrência do membro fantasma é mais comum nas amputações traumáticas que nas cirúrgicas, mas há também demonstrações em contrário. Estudos recentes mostram que crianças nascidas sem pernas ou braços podem sofrer com sensações fantasmas originadas nas partes de seu corpo que jamais existiram.

Como o médico trata o membro fantasma?

Na medida em que não se conhece a causa real do fenômeno, não há nenhum tratamento específico para ele, embora muitas e várias técnicas têm sido empiricamente utilizadas, mas com resultados precários.

ABCMED, 2014. Membro fantasma: o que é isso?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/582347/membro-fantasma-o-que-e-isso.htm>. Acesso em: 11 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Amputação: 1. Em cirurgia, é a remoção cirúrgica de um membro ou segmento de membro, de parte saliente (por exemplo, da mama) ou do reto e/ou ânus. 2. Em odontologia, é a remoção cirúrgica da raiz de um dente ou da polpa. 3. No sentido figurado, significa diminuição, restrição, corte.
2 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
3 Plexo Braquial: A maior rede de fibras nervosas que inervam a extremidade superior. O plexo braquial estende-se do pescoço até a axila. Em humanos, os nervos deste plexo usualmente se originam dos segmentos inferior cervival e primeiro torácico da medula espinhal (C5-C8 e T1), porém variações não são incomuns.
4 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
5 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
7 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
8 Neurologista: Médico especializado em problemas do sistema nervoso.
9 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
10 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
11 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
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