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Como é a histoplasmose?

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O que é histoplasmose?

A histoplasmose é uma micose1 sistêmica causada por um fungo2 que afeta os órgãos internos. Ocorre com maior frequência ao longo dos rios Mississipi e Ohio, nos Estados Unidos, e também no Brasil, Venezuela, Guiana Francesa e outros países da América do Sul, bem como na África.

Quais são as causas da histoplasmose?

A histoplasmose é causada pelo fungo2 Histoplasma capsulatum, que geralmente é encontrado em cavernas de morcegos, regiões com alto número de pombos ou em galinheiros. Estes fungos alimentam-se de detritos orgânicos desses animais e a infecção3 humana acontece após inalação dos seus esporos4. É, pois, uma zoonose5.

As pessoas adquirem esta infecção3 através da inalação dos esporos4 do fungo2, presentes no meio ambiente. Nos alvéolos6 eles provocam uma resposta inflamatória, se multiplicam dentro dos macrófagos7, alcançam os linfonodos8 e depois a circulação9, instalando-se em vários órgãos, onde causam focos inflamatórios.

Quais são os principais sinais10 e sintomas11 da histoplasmose?

Os esporos4 do Histoplasma capsulatum são absorvidos para os pulmões12, onde se desenvolvem gerando formas de leveduras, as quais são fagocitadas13 por macrófagos7 e neutrófilos14, no interior dos quais sobrevivem e se multiplicam.

Na maioria das vezes, as infecções15 são assintomáticas e não causam problemas. Os sintomas11 da infecção3 pulmonar são os típicos de pneumonia16, com febre17, tosse com expectoração18 e tremores. Como acontece com todos os parasitas intracelulares, surgem granulomas19 que visam impedir a disseminação das leveduras, mas que também são destrutivos por si mesmos. Nos indivíduos imunodeprimidos pode ocorrer aumento no tamanho dos linfonodos8 e infecções15 do fígado20 e do baço21. Nestes casos, a doença pode tornar-se crônica, com febre17, suores e mal-estar.

Em resumo, pode haver uma infecção3 pulmonar aguda que pode ser assintomática. Quando há sintomas11, os mais comuns são: febre17, calafrios22, cefaleia23, dispneia24, mialgias25, hiporexia26, tosse e dor no peito27 ou uma infecção3 pulmonar crônica (às vezes difícil de diferenciar da tuberculose28).

Os sinais10 clínicos mais evidentes são: febre17 baixa vespertina, perda de peso, sudorese29 noturna, dor no peito27 e tosse com expectoração18 hemoptoica (com sangue30). Há também infecções15 que se disseminam no organismo, especialmente para órgãos ricos em macrófagos7, mas que raramente são sintomáticas.

Como o médico diagnostica a histoplasmose?

O diagnóstico31 da histoplasmose é feito identificando ao microscópio as leveduras de amostras de expectoração18 ou por biópsia32. São também de ajuda no diagnóstico31 a cultura microbiana, a sorologia e a radiografia do tórax33, além de outros testes laboratoriais, como imunodifusão, fixação do complemento e técnicas imunoenzimáticas, entre outras.

Como o médico trata a histoplasmose?

O tratamento da histoplasmose deve ser empreendido com medicamentos antifúngicos tais como anfotericina B, cetoconazol, fluconazol e itraconazol, por exemplo, e dependerá da síndrome34 clínica e do estado imunitário do indivíduo. A infecção3 pulmonar aguda, geralmente cura-se por si mesma, sem que seja necessário um tratamento específico. Nos casos de infecção3 crônica, a medicação de escolha deve ser o itraconazol, também recomendado para a forma pulmonar aguda, quando ela requerer tratamento.

Como prevenir a histoplasmose?

Evitar os locais que possam conter esporos4 do Histoplasma capsulatum.

Como evolui a histoplasmose?

A produção de anticorpos35 específicos no sangue30 do paciente leva à cura da infecção3 primária e torna os indivíduos resistentes a novas infecções15.

Em indivíduos imunodeprimidos a progressão da doença pode ser rápida e fatal.

ABCMED, 2013. Como é a histoplasmose?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/350774/como+e+a+histoplasmose.htm>. Acesso em: 15 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Micose: Infecção produzida por fungos. Pode ser superficial, quando afeta apenas pele, mucosas e seus anexos, ou profunda, quando acomete órgãos profundos como pulmões, intestinos, etc.
2 Fungo: Microorganismo muito simples de distribuição universal que pode colonizar uma superfície corporal e, em certas ocasiões, produzir doenças no ser humano. Como exemplos de fungos temos a Candida albicans, que pode produzir infecções superficiais e profundas, os fungos do grupo dos dermatófitos que causam lesões de pele e unhas, o Aspergillus flavus, que coloniza em alimentos como o amendoim e secreta uma toxina cancerígena, entre outros.
3 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
4 Esporos: Estruturas unicelulares e uninucleares, resistentes ao calor e à dessecação, capazes de germinar em determinadas condições e reproduzirem assexuadamente o indivíduo que as originou.
5 Zoonose: 1. Doença que se manifesta sobretudo em animais. 2. Doença que pode ser transmitida aos seres humanos pelos animais, como, por exemplo, a raiva e a toxoplasmose. Certas zoonoses podem ser transmitidas ao animal pelo homem.
6 Alvéolos: Pequenas bolsas poliédricas localizadas ao longo das paredes dos sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos terminais. A troca gasosa entre o ar alveolar e o sangue capilar pulmonar ocorre através das suas paredes. DF
7 Macrófagos: É uma célula grande, derivada do monócito do sangue. Ela tem a função de englobar e destruir, por fagocitose, corpos estranhos e volumosos.
8 Linfonodos: Gânglios ou nodos linfáticos.
9 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular. 2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito. 3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
10 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
13 Fagocitadas: Aquilo que passou por um processo de fagocitose, ou seja, por um processo de ingestão e destruição de partículas sólidas, como bactérias ou pedaços de tecido necrosado, realizado por células ameboides chamadas de fagócitos.
14 Neutrófilos: Leucócitos granulares que apresentam um núcleo composto de três a cinco lóbulos conectados por filamenos delgados de cromatina. O citoplasma contém grânulos finos e inconspícuos que coram-se com corantes neutros.
15 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
16 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
17 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
18 Expectoração: Ato ou efeito de expectorar. Em patologia, é a expulsão, por meio da tosse, de secreções provenientes da traqueia, brônquios e pulmões; escarro.
19 Granulomas: Formação composta por tecido de granulação que se encontra em processos infecciosos e outras doenças. É, na maioria das vezes, reacional a algum tipo de agressão (corpo estranho, ferimentos, parasitas, etc.).
20 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
21 Baço:
22 Calafrios: 1. Conjunto de pequenas contrações da pele e dos músculos cutâneos ao longo do corpo, muitas vezes com tremores fortes e palidez, que acompanham uma sensação de frio provocada por baixa temperatura, má condição orgânica ou ainda por medo, horror, nojo, etc. 2. Sensação de frio e tremores fortes, às vezes com bater de dentes, que precedem ou acompanham acessos de febre.
23 Cefaleia: Sinônimo de dor de cabeça. Este termo engloba todas as dores de cabeça existentes, ou seja, enxaqueca ou migrânea, cefaleia ou dor de cabeça tensional, cefaleia cervicogênica, cefaleia em pontada, cefaleia secundária a sinusite, etc... são tipos dentro do grupo das cefaleias ou dores de cabeça. A cefaleia tipo tensional é a mais comum (acomete 78% da população), seguida da enxaqueca ou migrânea (16% da população).
24 Dispnéia: Falta de ar ou dificuldade para respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente está associada a alguma doença cardíaca ou pulmonar.
25 Mialgias: Dor que se origina nos músculos. Pode acompanhar outros sintomas como queda no estado geral, febre e dor de cabeça nas doenças infecciosas. Também pode estar associada a diferentes doenças imunológicas.
26 Hiporexia: Diminuição do apetite, falta de apetite.
27 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
28 Tuberculose: Doença infecciosa crônica produzida pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Produz doença pulmonar, podendo disseminar-se para qualquer outro órgão. Os sintomas de tuberculose pulmonar consistem em febre, tosse, expectoração, hemoptise, acompanhada de perda de peso e queda do estado geral. Em países em desenvolvimento (como o Brasil) aconselha-se a vacinação com uma cepa atenuada desta bactéria (vacina BCG).
29 Sudorese: Suor excessivo
30 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
31 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
32 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
33 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
34 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
35 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
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