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Esquistossomose: o que é? Quais as causas? Como evolui?

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O que é esquistossomose1?

A esquistossomose1 é a doença que resulta da infestação2 humana por um platelminto3 do gênero schistosoma, contraída através da pele4, a partir da água. O homem é o hospedeiro definitivo desse verme e o caramujo seu hospedeiro intermediário, sendo ambos necessários para o cumprimento integral do seu ciclo evolutivo.

A esquistossomose1 é uma doença crônica, sendo a mais grave forma de parasitose humana por um organismo multicelular5 e podendo, em alguns casos, levar à morte. É mais comum em pessoas que se expõem frequentemente às águas contaminadas, em rios, córregos e lagos (ou outros reservatórios de água doce). A maioria das mortes ocorre por comprometimento hepático (do fígado6) e por complicações de hipertensão7 no interior do sistema porta8 (veia que drena o sangue9 dos intestinos10 para o fígado6).

Como é o ciclo de evolução do schistosoma?

O homem contaminado libera ovos de schistosoma na água pelas fezes ou urina11. Na água, os ovos liberam as larvas (miracídios), que penetram nos tecidos dos caracois. Há várias gerações do verme dentro de um mesmo caramujo, que passará toda a vida parasitado e liberando cercárias. As cercárias (larvas maduras) abandonam os caracois e nadam livres na água. Sob essa forma podem penetrar na pele4 do homem, a partir da água contaminada.

Esquistossomose

No corpo do homem, transformam-se em schistosumulas e se disseminam pelo sangue9. No fígado6, sofrem maturação até a forma adulta.

O homem elimina os ovos pelas fezes e urina11 e então o ciclo se repete.

Quais são as causas da esquistossomose1?

Várias espécies de schistosomas podem causar a doença no homem, mas no Brasil a esquistossomose1 é causada através da infestação2 pelo Schistosoma mansoni, que penetra pela pele4 a partir da água contaminada. A doença é endêmica em certas regiões e nelas o contato com as águas de rios, riachos, córregos e lagos, mesmo considerados não contaminados, é muito perigoso, porque as larvas se disseminam de uns para outros pela enxurrada.

Quais são os sinais12 e sintomas13 da esquistossomose1?

A fase de penetração da cercária na pele4 geralmente é assintomática. Em indivíduos que já tenham se infectado antes pode aparecer inflamação14, eritema15 e prurido16. Na fase inicial ou aguda, a doença se manifesta por meio de vermelhidão e coceira cutâneas17, febre18, fraqueza, náuseas19 e vômitos20 e crescimento de gânglios linfáticos21. O indivíduo pode ter diarreias, alternadas ou não por constipações intestinais. Na fase crônica ainda pode ocorrer diarreia22 ou obstipação23 intestinal, bem como hepatomegalia24 (aumento do fígado6) e esplenomegalia25 (crescimento do baço26). Podem ocorrer também hemorragias27, em consequência da hipertensão porta28, com liberação de sangue9 pelos vômitos20 e pelas fezes e haver uma coleção líquida intra-abdominal (“barriga-d’água”) devido à exsudação29 de plasma30, em decorrência da hipertensão7 do sistema porta8.

Como o médico diagnostica a esquistossomose1?

O exame parasitológico de fezes pode encontrar ovos do parasita31, entretanto, muitas vezes ele tem que ser potencializado tecnicamente, pois em condições normais apresenta baixa sensibilidade. Por isso, devem ser colhidas pelo menos três amostras de fezes.

O hemograma pode mostrar anemia32, leucopenia33 e plaquetopenia34. As provas de função hepática35 geralmente estarão alteradas, com aumento da TGO, TGP e fosfatase alcalina36. Ocorrem ainda os sintomas13 próprios da hipertensão7 do sistema porta8, mas classicamente a esquistossomose1 preserva a função hepática35. A ultrassonografia37 pode ajudar no diagnóstico38, por meio dos sinais12 típicos da fibrose39 e espessamento periportal, hipertrofia40 do lobo hepático esquerdo e aumento do calibre da veia mesentérica41 superior. A biópsia42 retal também pode ser utilizada, mas a sua sensibilidade (de cerca de 80%), não é total. O exame de sangue9 pode detectar anticorpos43 específicos.

Como o médico trata a esquistossomose1?

O tratamento deve ser feito com antiparasitários (praziquantel ou oxamniquina, por exemplo), conforme esquemas estabelecidos pelo médico. Paralelamente, devem ser tratadas as complicações por ventura já estabelecidas.

Como prevenir a esquistossomose1?

  • Do ponto de vista social é essencial tratar as águas e os esgotos.
  • Erradicação dos caramujos que são hospedeiros intermediários da doença.
  • Proteção dos pés e pernas com botas de borracha quando a pessoa tiver que entrar na água.
  • Evitar entrar em rios ou lagos que possam estar contaminados.
  • Tratar as pessoas infectadas.

Como evolui a esquistossomose1?

As consequências da esquistossomose1 não tratadas podem levar à morte.

ABCMED, 2013. Esquistossomose: o que é? Quais as causas? Como evolui?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/332335/esquistossomose-o-que-e-quais-as-causas-como-evolui.htm>. Acesso em: 12 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Esquistossomose: Doença produzida no homem por vermes do gênero Schistosoma, especialmente S. mansoni, S. haematobium e S. japonicum. No Brasil, há apenas a espécie Schistossoma mansoni, que causa diarreia, hepatomegalia e esplenomegalia.
2 Infestação: Infecção produzida por parasitas. Exemplos de infestações são sarna (escabiose), pediculose (piolhos), infecção por parasitas intestinais, etc.
3 Platelminto: Filo de animais bilaterais que reúne vermes chatos parasitas ou de vida livre, distribuídos em quatro classes, desprovidos de sistema circulatório, que se caracterizam pela locomoção através de cílios e presença de protonefrídios.
4 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
5 Multicelular: Composto de várias células, pluricelular, policelular.
6 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
7 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
8 Sistema Porta: Sistema de vasos pelos quais o sangue, após percorrer uma rede capilar, é transportado através de um segundo grupo de capilares antes de retornar à circulação sistêmica. Pertence principalmente ao sistema porta hepático.
9 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
10 Intestinos: Seção do canal alimentar que vai do ESTÔMAGO até o CANAL ANAL. Inclui o INTESTINO GROSSO e o INTESTINO DELGADO.
11 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
12 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
13 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
14 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
15 Eritema: Vermelhidão da pele, difusa ou salpicada, que desaparece à pressão.
16 Prurido: 1.    Na dermatologia, o prurido significa uma sensação incômoda na pele ou nas mucosas que leva a coçar, devido à liberação pelo organismo de substâncias químicas, como a histamina, que irritam algum nervo periférico. 2.    Comichão, coceira. 3.    No sentido figurado, prurido é um estado de hesitação ou dor na consciência; escrúpulo, preocupação, pudor. Também pode significar um forte desejo, impaciência, inquietação.
17 Cutâneas: Que dizem respeito à pele, à cútis.
18 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
19 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
20 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
21 Gânglios linfáticos: Estrutura pertencente ao sistema linfático, localizada amplamente em diferentes regiões superficiais e profundas do organismo, cuja função consiste na filtração da linfa, maturação e ativação dos linfócitos, que são elementos importantes da defesa imunológica do organismo.
22 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
23 Obstipação: Prisão de ventre ou constipação rebelde.
24 Hepatomegalia: Aumento anormal do tamanho do fígado.
25 Esplenomegalia: Aumento tamanho do baço acima dos limites normais
26 Baço:
27 Hemorragias: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
28 Hipertensão porta: É o aumento de pressão nas veias que levam o sangue dos órgãos abdominais para o fígado. Geralmente é uma doença que ocorre devido à cirrose ou à esquistossomose.
29 Exsudação: Líquido que, transudando pelos poros de uma planta ou de um animal, adquire consistência viscosa na superfície onde aparece.
30 Plasma: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
31 Parasita: Organismo uni ou multicelular que vive às custas de outro, denominado hospedeiro. A presença de parasitos em um hospedeiro pode produzir diferentes doenças dependendo do tipo de afecção produzida, do estado geral de saúde do hospedeiro, de mecanismos imunológicos envolvidos, etc. São exemplos de parasitas: a sarna, os piolhos, os áscaris (lombrigas), as tênias (solitárias), etc.
32 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
33 Leucopenia: Redução no número de leucócitos no sangue. Os leucócitos são responsáveis pelas defesas do organismo, são os glóbulos brancos. Quando a quantidade de leucócitos no sangue é inferior a 6000 leucócitos por milímetro cúbico, diz-se que o indivíduo apresenta leucopenia.
34 Plaquetopenia: Plaquetopenia ou trombocitopenia é a diminuição do número de plaquetas (trombócitos) que participam na coagulação. Habitualmente o sangue contém de 150.000 a 350.000 plaquetas por microlitro. Muitas doenças podem reduzir o número de plaquetas, as principais causas são uma produção insuficiente na medula óssea, o sequestro das plaquetas por um baço grande, o aumento do uso dos trombócitos, da sua destruição ou a sua diluição no sangue.
35 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
36 Fosfatase alcalina: É uma hidrolase, ou seja, uma enzima que possui capacidade de retirar grupos de fosfato de uma distinta gama de moléculas, tais como nucleotídeos, proteínas e alcaloides. Ela é sintetizada por diferentes órgãos e tecidos, como, por exemplo, os ossos, fígado e placenta.
37 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
38 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
39 Fibrose: 1. Aumento das fibras de um tecido. 2. Formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo em determinado órgão ou tecido como parte de um processo de cicatrização ou de degenerescência fibroide.
40 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
41 Mesentérica: Relativo ao mesentério, ou seja, na anatomia geral o mesentério é uma dobra do peritônio que une o intestino delgado à parede posterior do abdome.
42 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
43 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
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Comentários

22/01/2015 - Comentário feito por Erlice
Adorei o texto.Pois moro numa região ond...
Adorei o texto.Pois moro numa região onde existe muitos casos de pessoas que contraíram a esquistossomose,inclusive eu.Lendo o texto eu compreendi melhor como devo trata-la e como evita-la. Gostaria de saber se existe algum tipo de ervas naturais que eu possa esta tomando para acabar com ela pois ela esta no meu fígado . Ja tomo o medicamento mais não consigo elimina-la.

26/10/2014 - Comentário feito por jesaias
aaaaaaaaaaaammmmeeeeiiiiiiii me ajudou muito na...
aaaaaaaaaaaammmmeeeeiiiiiiii
me ajudou muito na tarefa de ciencias.

17/07/2014 - Comentário feito por emily
gostei muito dessi texto achei td qui eu i o me...
gostei muito dessi texto achei td qui eu i o meu parça presizava vlw

31/03/2014 - Comentário feito por julia
Re: Esquistossomose: o que é? Quais as causas? Como evolui?
gentee muito meu trabalho de ciências ta feito

09/03/2014 - Comentário feito por keity
Re: Esquistossomose: o que é? Quais as causas?como evoluir?
nossa gostei achei muito interessante e importante quando alguem for fazer algum trabalho de escola e for sobre esquistossomose vai ter sorte de mais porque e dificiel encontrar.

29/10/2013 - Comentário feito por jessica
Re: Esquistossomose: o que é? Quais as causas? Como evolui?
e muito bem esplicado bem entendido eu sou estudante da 6 serie

14/09/2013 - Comentário feito por ana
Re: Esquistossomose: o que é? Quais as causas? Como evolui?
nossa me ajudou muito no trabalho de ciencias

11/09/2013 - Comentário feito por kayane
Re: Esquistossomose: o que é? Quais as causas? Como evolui?
bom ! eu gostei mto das respostas que li me ajudou muito no meu trabalho de escola achei meio nojento mas depois me conformei mtoi obrigada pelas respostas da minha pesquisa ...

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