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Amebíase. Você sabe como acontece e o que fazer para evitar?

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O que é amebíase?

A amebíase é uma diarreia1 intensa, causada pela Entamoeba histolytica, que também pode estar presente no organismo sem desenvolver a doença. No intestino, ela fagocita restos alimentares ou a própria parede intestinal, o que causa sangramentos. Em casos mais graves pode levar ao comprometimento de órgãos e tecidos fora do intestino, como fígado2, pulmões3 e cérebro4.

Quais são as causas da amebíase?

A amebíase é causada pela Entamoeba histolytica, que é transmitida ao homem por meio de alimentos ou água contaminados por cistos amebianos, por falta de higiene e pela manipulação inadequada dos alimentos por portadores desse protozoário5.

A contaminação pela Entamoeba histolytica é mais comum onde o saneamento básico é precário, uma vez que ela se dá por ingestão dos cistos do micro-organismo, os quais, liberados pelas fezes da pessoa infectada, podem contaminar a água ou os vegetais.

Ingeridos, eles dão origem, no sistema digestivo6, a trofozoítos que invadem o intestino grosso7, causando os sintomas8 da amebíase. Fora do corpo, a Entamoeba histolytica toma a forma de cisto e pode durar anos, liberando as amebas quando o homem o ingere. Como o período de incubação9 varia entre duas e quatro semanas (podendo ser muito maior), mesmo o indivíduo assintomático é capaz de contaminar outras pessoas. Liberados novamente pelas fezes, os cistos dão continuidade ao ciclo de infecções10.

Quais são os sinais11 e sintomas8 da amebíase?

Os sintomas8 da amebíase são muito variáveis, desde diarreias sanguinolentas agudas até simples dores abdominais. Uma vez presentes no intestino grosso7, os trofozoítos causam sintomas8 como:

  • Desconforto abdominal.
  • Cólicas12.
  • Aumento dos ruídos intestinais.
  • Diarreia1 sanguinolenta13 ou com muco.
  • Febre14.
  • Emagrecimento.
  • Calafrios15.

Em casos raros pode ocorrer perfuração intestinal. A infecção16 pode manter-se sob forma leve durante anos, gerando sintomas8 mais discretos. Os protozoários17 podem invadir outros tecidos, provocando abscessos18 no fígado2, pulmões3 ou cérebro4, por exemplo, causando dores, febre14 e calafrios15. Essas complicações extraintestinais da doença podem ser graves e evoluir para a morte.

Como o médico diagnostica a amebíase?

Comumente, o diagnóstico19 da amebíase é feito pelo exame de fezes, mas pode exigir exames de sangue20 e de imagens (tomografia computadorizada21, ecografia22 ou ressonância magnética23), punção das inflamações24 e endoscopias.

Como o médico trata a amebíase?

O tratamento da amebíase é feito com fármacos, prescritos pelo médico conforme o quadro clínico do paciente. Se houver abscessos18, pode ser conveniente puncioná-los para fazer uma drenagem25. Raramente uma cirurgia é necessária.

Como prevenir a amebíase?

As medidas de saneamento básico são as mais importantes para reduzir ou mesmo erradicar a amebíase, mas algumas medidas individuais de higiene podem contribuir para evitar a doença:

  • Lavar as mãos26 após ir ao banheiro, trocar fraldas, brincar com animais etc.
  • Lavar as mãos26 antes de comer ou preparar alimentos.
  • Não consumir água de fonte duvidosa. Ingerir unicamente água tratada.
  • Higienizar os vegetais antes do consumo, com ácido acético ou vinagre.
  • Evitar o contato direto ou indireto com fezes humanas.
  • Não utilizar excrementos animais como fertilizante nas lavouras.
  • Combater insetos que podem se contaminar, como moscas, baratas, ratos, etc.

Como evolui a amebíase?

Geralmente, o resultado do tratamento da amebíase é bom. Depois de tratada, a doença pode retornar se não forem adotadas medidas para evitá-la.

ABCMED, 2012. Amebíase. Você sabe como acontece e o que fazer para evitar?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/316765/amebiase-voce-sabe-como-acontece-e-o-que-fazer-para-evitar.htm>. Acesso em: 7 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
2 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
3 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
4 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
5 Protozoário: Filo do reino animal, de classificação suplantada, que reunia uma grande parcela dos seres unicelulares que possuem organelas celulares envolvidas por membrana. Atualmente, este grupo consiste em muitos e diferentes filos unicelulares incorporados pelo reino protista.
6 Sistema digestivo: O sistema digestivo ou digestório realiza a digestão, processo que transforma os alimentos em substâncias passíveis de serem absorvidas pelo organismo. Os materiais não absorvidos são eliminados por este sistema. Ele é composto pelo tubo digestivo e por glândulas anexas.
7 Intestino grosso: O intestino grosso é dividido em 4 partes principais: ceco (cecum), cólon (ascendente, transverso, descendente e sigmoide), reto e ânus. Ele tem um papel importante na absorção da água (o que determina a consistência do bolo fecal), de alguns nutrientes e certas vitaminas. Mede cerca de 1,5 m de comprimento.
8 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
9 Incubação: 1. Ato ou processo de chocar ovos, natural ou artificialmente. 2. Processo de laboratório, por meio do qual se cultivam microrganismos com o fim de estudar ou facilitar o seu desenvolvimento. 3. Em infectologia, é o período que vai da penetração do agente infeccioso no organismo até o aparecimento dos primeiros sinais da doença.
10 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
11 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
12 Cólicas: Dor aguda, produzida pela dilatação ou contração de uma víscera oca (intestino, vesícula biliar, ureter, etc.). Pode ser de início súbito, com exacerbações e períodos de melhora parcial ou total, nos quais o paciente pode estar sentindo-se bem ou apresentar dor leve.
13 Sanguinolenta: 1. Em que há grande derramamento de sangue; sangrenta. 2. Tinto ou misturado com sangue. 3. Que se compraz em ver ou derramar sangue; sanguinária.
14 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
15 Calafrios: 1. Conjunto de pequenas contrações da pele e dos músculos cutâneos ao longo do corpo, muitas vezes com tremores fortes e palidez, que acompanham uma sensação de frio provocada por baixa temperatura, má condição orgânica ou ainda por medo, horror, nojo, etc. 2. Sensação de frio e tremores fortes, às vezes com bater de dentes, que precedem ou acompanham acessos de febre.
16 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
17 Protozoários: Filo do reino animal, de classificação suplantada, que reunia uma grande parcela dos seres unicelulares que possuem organelas celulares envolvidas por membrana. Atualmente, este grupo consiste em muitos e diferentes filos unicelulares incorporados pelo reino protista.
18 Abscessos: Acumulação de pus em uma cavidade formada acidentalmente nos tecidos orgânicos, ou mesmo em órgão cavitário, em consequência de inflamação seguida de infecção.
19 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
20 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
21 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
22 Ecografia: Ecografia ou ultrassonografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
23 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
24 Inflamações: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc. Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
25 Drenagem: Saída ou retirada de material líquido (sangue, pus, soro), de forma espontânea ou através de um tubo colocado no interior da cavidade afetada (dreno).
26 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
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Comentários

28/11/2013 - Comentário feito por thalita
Re: Amebíase. Você sabe como acontece e o que fazer para evitar?
muito bom ja to passada de ano por causa que eu estudei

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