Soluço: será que tem solução?

O que é o soluço?
O soluço resulta de uma contração espasmódica reflexa e involuntária do diafragma (músculo que separa o tórax do abdome), seguida por um movimento de distensão e de relaxamento desse músculo, através do qual o ar que essa contração forçara entrar no estômago é expulso com um ruído característico. Esse espasmo do diafragma é acompanhado simultaneamente pelo fechamento da glote, o que impede a passagem de ar para os pulmões e produz o som típico e característico do soluço.
Além da contração do diafragma, o soluço envolve outros músculos da parede abdominal, pescoço e garganta.
O soluço geralmente é benigno e cede em pouco tempo, mas pode ser sintoma de uma doença e durar horas ou mesmo dias.
O soluço tem relação com a respiração. O soluço benigno já existe desde a fase intrauterina do indivíduo.
Para que serve o soluço?
Ainda não são conhecidas as funções fisiológicas do soluço. Algumas hipóteses pouco consistentes sugerem que ele expulse fragmentos de comida presos no esôfago ou que sejam exercícios musculares para o sistema respiratório antes do nascimento, para evitar a entrada de líquido amniótico nos pulmões.
Quais são as causas do soluço?
Não há um fator único reconhecido como causa do soluço. Pensa-se que haja um desequilíbrio do mecanismo nervoso que regula as contrações do diafragma, devido a condições neurológicas, metabólicas ou a estímulos diretos sobre o nervo vago. No entanto, são conhecidas algumas situações capazes de dispará-los:
- Estados pós-anestésicos.
- Distensões gástricas (bebidas gasosas, comer rapidamente, etc.).
- Choro alto.
- Fala ininterrupta.
- Deglutição de grandes quantidades de ar.
- Mudanças bruscas na temperatura dos alimentos.
- Ingestão de álcool.
- Gargalhar ou tossir vigorosamente.
- Imaturidade do sistema nervoso de bebês.
Como tratar o soluço?
A maioria dos casos de soluços dura apenas alguns minutos e cede espontaneamente, sem necessidade de intervenção médica. São raros os casos severos e persistentes. Quando são necessários procedimentos médicos eles em geral consistem em bater na nuca ou esfregá-la, massagear o seio carotídeo, aplicar pressão sobre o globo ocular, estimular a faringe, fazer massagem retal digital, esvaziar o estômago e mesmo cirurgia para bloquear nervos.
Algumas medicações depressoras do sistema nervoso (clorpromazina ou haloperidol, por exemplo) podem ser utilizadas. Naqueles poucos casos em que é possível reconhecer uma causa (doença ou não), ela deve ser removida.
Nos demais casos, pode-se aplicar algumas manobras empíricas visando inibir o soluço:
- Respirar em um saco de papel durante alguns minutos.
- Fazer gargarejos com água fria.
- Prender a respiração pelo máximo de tempo que conseguir.
- Deitar de bruços por algum tempo.
- Tracionar a língua ou elevar a úvula com uma colher.
- Ingerir uma colher de açúcar.
- Assoar o nariz.
- Dobrar as pernas sobre o abdome.
- Levar um susto.
- Eructação (arroto).
Embora muitas dessas “técnicas” sejam apenas de conhecimento popular, algumas delas têm certa base fisiológica. Assim, por exemplo, prender a respiração ou respirar em um saco plástico aumenta a taxa de gás carbônico, que atua deprimindo o sistema nervoso central.
