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Sarcopenia - causas, clínica, tratamento e prevenção

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O que é sarcopenia?

Sarcopenia (do grego: sarx = carne + penia = diminuição, perda) é a perda progressiva e generalizada (isto é, em todas as partes do corpo) de massa muscular. Como consequência, ocorre diminuição da força e função da musculatura esquelética (bíceps, tríceps, quadríceps, etc). Os resultados da sarcopenia são muito diversos, mas sempre implicando a perda de capacidade física e afetando negativamente a qualidade de vida.

Quais são as causas da sarcopenia?

A principal causa da sarcopenia é o processo natural de envelhecimento, mas ela pode decorrer também da interação complexa de múltiplos fatores: declínio neurológico; obesidade1; alterações hormonais; reumatismos; diminuição da atividade física; doenças crônicas como o diabetes2, por exemplo; infiltração gordurosa; anorexia3 de longa duração; doenças neurológicas ou musculares degenerativas4 e outras doenças crônicas como câncer5, infecções6, doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência renal7 crônica e insuficiência cardíaca congestiva8.

Leia mais sobre "Envelhecimento saudável", "Musculação para idosos" e "Como ganhar massa muscular?"

Qual é o mecanismo fisiológico9 da sarcopenia?

A partir dos 40 anos a pessoa perde naturalmente cerca de um terço da massa muscular a uma taxa de 0,5% ao ano, aumentando em até cerca de 1% ao ano a partir dos 65 anos. Essa perda de massa reduz de modo correspondente a força muscular, com prejuízo da função relacionada, no entanto, ela não está sempre ligada ao peso corporal.

A massa muscular depende das proteínas10. Normalmente, o corpo procura equilibrar o uso e a produção de proteínas10, mas à medida que as pessoas envelhecem, esse equilíbrio se altera porque a capacidade do organismo de produzir proteínas10 diminui. Além disso, as alterações hormonais próprias do envelhecimento também afetam negativamente esta produção.

A consequente diminuição leva à incapacidade do corpo para manter a massa muscular. A maioria dos sinais11 próprios do envelhecimento como, por exemplo, pele12 enrugada, tórax13 afundado, inclinação da coluna (corcunda), etc. pode ser atribuída a este processo. A sarcopenia dificulta a coordenação motora, faz o movimento mais difícil e torna as pessoas idosas mais lentas.

Quais são as principais características clínicas da sarcopenia?

Com o progressivo aumento do envelhecimento da população mundial e o aumento numérico de pessoas idosas, a sarcopenia tem se tornado um problema cada vez mais relevante. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia14 afirma que a sarcopenia afeta cerca de 15% dos brasileiros com mais de 60 anos de idade e 46% após os 80 anos de idade.

Cada vez mais tem sido necessário adaptar os ambientes públicos e comerciais às condições dos idosos, o que nem sempre é realizado, criando para eles dificuldades invencíveis. Ademais, a sarcopenia pode prejudicar uma pessoa idosa a tal ponto que é capaz de impedi-la de ter uma vida independente, necessitando um acompanhante, em virtude da redução do equilíbrio, dificuldades da marcha, perda de agilidade e possibilidade de quedas e fraturas.

Como tratar a sarcopenia?

O principal tratamento da sarcopenia é uma mudança no estilo de vida, com a prática de atividade física e nutrição15 adequada. O uso de certos medicamentos e suplementos alimentares também é útil. Uma fisioterapia16 continuada utiliza vários recursos para auxiliar no alívio dos sintomas17, na promoção da independência e em melhor qualidade de vida do indivíduo.

Como prevenir a sarcopenia?

Pode-se evitar ou mesmo reverter a sarcopenia iniciante com a prática de exercícios físicos destinados a estimular o ganho de massa muscular e uma dieta rica em proteínas10. Os exercícios devem ser feitos sob orientação de um profissional de educação física. A alimentação deve ser avaliada e dirigida por um nutricionista18, porque há casos que exigem certos cuidados específicos. Por exemplo, em idosos com deficiência renal19, a maior ingestão de proteínas10 e aminoácidos pode comprometer ainda mais a funcionalidade dos rins20.

Quais são as complicações possíveis da sarcopenia?

A sarcopenia, sobretudo quando associada à osteoporose21, leva a uma significativa fragilidade osteomuscular da população idosa, tornando-a muito vulnerável a traumas físicos (quedas e fraturas, principalmente). 

Veja também sobre "Atividade física", "Hipertrofia22 musuclar" e "Fraturas ósseas".

 

ABCMED, 2018. Sarcopenia - causas, clínica, tratamento e prevenção. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1317903/sarcopenia-causas-clinica-tratamento-e-prevencao.htm>. Acesso em: 6 jun. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
2 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
3 Anorexia: Perda do apetite ou do desejo de ingerir alimentos.
4 Degenerativas: Relativas a ou que provocam degeneração.
5 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
6 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
8 Insuficiência Cardíaca Congestiva: É uma incapacidade do coração para efetuar as suas funções de forma adequada como conseqüência de enfermidades do próprio coração ou de outros órgãos. O músculo cardíaco vai diminuindo sua força para bombear o sangue para todo o organismo.
9 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
10 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
11 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
12 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
13 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
14 Gerontologia: A Gerontologia é a ciência que estuda de maneira multi e interdisciplinar o processo de envelhecimento em suas dimensões biológica, psicológica e social.
15 Nutrição: Incorporação de vitaminas, minerais, proteínas, lipídios, carboidratos, oligoelementos, etc. indispensáveis para o desenvolvimento e manutenção de um indivíduo normal.
16 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
17 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
18 Nutricionista: Especialista em nutricionismo, ou seja, especialista no estudo das necessidades alimentares dos seres humanos e animais, e dos problemas relativos à nutrição.
19 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
20 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
21 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
22 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
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