Síndrome de Rendu-Osler-Weber

O que é a síndrome de Rendu-Osler-Weber?
A Telangiectasia Hemorrágica Hereditária, também chamada Síndrome de Rendu-Osler-Weber, é uma doença caracterizada por uma deficiência estrutural da parede dos vasos sanguíneos, tornando-os mais vulneráveis a traumatismos e rupturas espontâneas e causando hemorragias. A doença foi primeiramente relatada por Henri J. L. M. Rendu em 1886. Mais tarde, William Osler e Frederick Parkes Weber descreveram as manifestações viscerais e o caráter hereditário da doença.
Quais são as causas da síndrome de Rendu-Osler-Weber?
A Síndrome de Rendu-Osler-Weber é uma rara condição herdada de forma autossômica dominante, com alta penetrância (1-2/100.000 nascimentos) e idêntica distribuição entre os sexos. Apesar dessa forma de transmissão, em 15 a 23% dos casos não há história familiar da doença e a ocorrência dela parece dever-se a mutações esporádicas. Pessoas do grupo sanguíneo O são as mais atingidas.
Qual é o mecanismo fisiológico da síndrome de Rendu-Osler-Weber?
A síndrome de Rendu-Osler-Weber é caracterizada por lesões angiodisplásicas que promovem a comunicação entre artérias e veias, sem a interposição de uma rede capilar. As manifestações clínicas da doença são causadas por essas anomalias da vasculatura nas áreas afetadas, representadas por telangiectasias e aneurismas. Esses aneurismas são causados pela perda da camada muscular e distúrbios da lâmina elástica das paredes dos vasos.
Os grandes vasos sanguíneos apresentam-se aumentados de volume, com irregularidades e paredes finas, mas a patogênese deles ainda não foi totalmente estabelecida. Nas áreas não afetadas, a arquitetura dos vasos é normal.
Quais são as principais características clínicas da síndrome de Rendu-Osler-Weber?
Os principais sintomas da Síndrome de Rendu-Osler-Weber são telangiectasias cutaneomucosas e epistaxes recorrentes. Esses são também os sintomas mais frequentes, presentes na quase totalidade dos pacientes, mas a doença pode afetar várias outras regiões do organismo, como olhos, pulmões, cérebro, sistema nervoso central, trato gastrointestinal e genitourinário.
As manifestações da síndrome não estão presentes no momento do nascimento e vão se desenvolvendo gradativamente ao longo da vida. A epistaxe costuma ser a primeira queixa e pode ocorrer ainda na infância. Geralmente, até os 40 anos os adultos já apresentaram algum sangramento.
É comum haver uma hemorragia digestiva, devido a telangiectasias que ocorrem no trato gastrointestinal. Os pacientes com envolvimento pulmonar não apresentam sintomas respiratórios. Mais raramente, cerca de 10% dos pacientes apresentam comprometimento cerebral. As frequentes hemorragias podem levar à anemia grave por deficiência de ferro, a ponto de requerer transfusão de sangue.
Leia mais sobre "Hemorragias", "Aneurisma", "Epistaxe", "Telangiectasias" e "Transfusão de sangue".
Como o médico diagnostica a síndrome de Rendu-Osler-Weber?
Como as principais manifestações são nasais, o otorrinolaringologista costuma ser o especialista primeiramente consultado e, por isso, deve estar habilitado a fazer precocemente o diagnóstico. Habitualmente, o diagnóstico clínico é feito com base em quatro sintomas: (1) epistaxes recorrentes; (2) telangiectasias; (3) lesões viscerais e (4) história familiar positiva.
Além desses sinais clínicos, podem ser necessárias endoscopia e/ou angiografia e, algumas vezes, testes alérgicos e cromossômicos em pacientes atípicos ou para triagem de familiares.
Como o médico trata a síndrome de Rendu-Osler-Weber?
O tratamento da Síndrome de Rendu-Osler-Weber é de suporte e visa limitar ou suprimir as hemorragias, quer através de terapêuticas medicamentosas ou cirúrgicas, além de minimizar as sequelas.
Dependendo das características de cada caso, as terapêuticas podem variar muito e incluírem ablação a laser, ressecção cirúrgica, embolização das telangiectasias, tratamento da anemia com suplementação de ferro ou possíveis transfusões de sangue e, às vezes, drogas antifibrinolíticas. Em virtude da necessidade de repetidas transfusões sanguíneas é importante fazer a imunização do paciente com vacina de hepatite B.
Como evolui a síndrome de Rendu-Osler-Weber?
A evolução da doença depende da gravidade dos sintomas, mas geralmente é boa, desde que os sangramentos sejam prontamente reconhecidos e adequadamente controlados. No entanto, as malformações arteriovenosas são uma fonte potencial de morbidades sérias e de mortalidade.
Quais são as complicações possíveis da síndrome de Rendu-Osler-Weber?
As complicações possíveis da Síndrome de Rendu-Osler-Weber incluem abscesso cerebral, acidente vascular cerebral hemorrágico, insuficiência cardíaca congestiva, hemorragias e anemia, hipertensão portal com varizes esofágicas, hemorragia pulmonar e cirrose hepática.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, da Fundação Otorrinolaringologia, do International Archives of Otorhinolaryngology e do Brazilian Journal of Otorhinolaryngology.
